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Educação
03/10/2023 12:00:00
Em 4 anos, o ensino técnico cresceu 75 vezes entre os jovens, mas é ainda insuficiente

CE/LD

Mato Grosso do Sul teve um salto de 75 vezes no número de jovens que fazem cursos profissionalizantes nos últimos quatro anos.

De acordo com dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em 2019 havia apenas 253 alunos na faixa etária do ensino médio, que paralelamente faziam um curso profissionalizante.

Este ano o número cresceu para 1.810 do Sistema S, além de mais 17 mil estudantes do ensino técnico pela Secretaria de Estado de Educação (SED), o que totaliza mais de 18 mil alunos.

Em 2019, Mato Grosso do Sul ainda não contava com a implementação do Novo Ensino Médio, onde os alunos podem optar pelo ensino técnico profissionalizante, uma das diretrizes das mudanças feitas pelo Ministério da Educação (MEC).

O Senai, instituição do Sistema Indústria que oferta cursos de qualificação profissional, aponta que, no houve um aumento de 615,4% na procura pelo ensino técnico nos últimos anos, passando de 253 alunos em 2019 para 1.810 este ano.

No entanto, de acordo com a gerente de vendas e educação do Senai, Cecília Fraga, apesar do aumento, esse número ainda está longe do necessário para atender a demanda do Estado, por profissionais qualificados.

Além disso, o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Education at a Glance 2023, aponta que o Brasil possui apenas 11% dos estudantes do ensino médio matriculados em cursos técnicos, o que em países desenvolvidos é 37% dos alunos no mesmo período. Em MS esse percentual é de 18% atualmente.

A especialista relata que é necessário ampliar a cultura de ensino técnico no Brasil, assim como é visto em países mais desenvolvidos, porque “o ensino profissionalizante é o caminho mais rápido e efetivo para o mercado de trabalho”.

Fraga informa que há muitos cases de sucesso e isso pode ser um dos caminhos para desmistificar o trabalho na indústria, mostrando que o ensino pode ser inovador, interessante e com qualidade.

O governador do Estado, Eduardo Riedel (PSDB), falou sobre o ensino técnico profissionalizante no Estado, em evento para o lançamento do Programa MS Qualifica, na tarde de ontem (2). O projeto pretende qualificar a população para vagas que há demanda reprimida.

Perguntado sobre profissionais que estão em falta no mercado de trabalho, como técnico de ar-condicionado, o chefe do Executivo Estadual afirmou que um dos desafios é dar a oportunidade de qualificação para quem precisa e que os cursos serão definidos através de pesquisa feita.

“Vai ter formação específica para essa área se o mercado está demandando esse profissional”, afirmou Riedel.

No mês passasdo o ministro da Educação, Camilo Santana, também abordou sobre o ensino técnico, em um evento internacional de educação. Camilo disse que é preciso estimular o ensino profissionalizante e o Brasil ainda está distante no cumprimento de metas em relação a esse tipo de educação.

O titular da pasta aponta esse método de educação como “uma das melhores opções para o ensino médio”, já que garante também uma capacitação para o estudante.

Santana comenta ainda que pretende estimular o ensino médio integral, tanto técnico profissionalizante, quanto o ensino médio voltado para o vestibular.

No evento, o ministro citou o Piauí como um exemplo a ser seguido, por ser o estado com maior percentual de alunos do ensino médio em cursos profissionalizantes do Brasil.

Em MS, dados da SED apotam que cerca de 1 mil estudantes fazem o ensino médio paralelo ao curso profissional, ou seja, no contraturno; enquanto aproximadamente 16 mil alunos possuem a qualificação profissional no itinerário formativo, desenvolvendo as atividades no decorrer da etapa do ensino médio.

No total, a secretaria informa que tem cerca de 90 mil jovens matriculados no ensino médio, sendo a maioria optante pelo estudo voltado para o vestibular.

Os cursos técnicos com maior número de alunos matriculados estão relacionados a áreas de administração, informática, eletrotécnica, marketing, agronegócio e agropecuária, mas, variam de acordo com o órgão de ensino.

O Senai informa que possui 673 alunos matriculados no curso de assistente administrativo, 75 no curso de técnico em informática para Internet, 63 em técnico em eletrotécnica e 62 estudam análise de marketing digital e E-Commerce.

Dos alunos do Senai, 301 fazem parte do novo ensino médio, e optaram pelo estudo já vinculado ao ensino profissionalizante.

Já a SED aponta que a maioria dos estudantes estão matriculados em cursos voltados para a área de administração, e logo após vem turmas de informática para Internet, agronegócio e agropecuária.

O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), também possui o sistema de ensino médio integrado à cursos técnicos, mas, não informou quantos alunos estão matriculados atualmente.

Pesquisa

O estudo promovido pela OCDE, através do Programa Indicators of Education Systems (INES), traz uma série de indicadores que permitem a comparação dos sistemas educacionais de 49 países participantes da organização.

Os dados do estudo abordam não apenas a adesão ao ensino técnico e profissionalizante, mas também diversos índices educacionais que são um alerta para o Brasil.

De acordo com o levantamento, cerca de 24,4% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos, não estudam e nem trabalham. Esse índice é de 14,7% nos outros países membros da OCDE.

Além disso, o Brasil também conquistou o terceiro pior investimento na educação básica do ranking, de US$ 3.583 anualmente, sendo que a média da organização é de US$ 10.949.

O país fica à frente apenas do México, que investe US$ 2.702, e da África do Sul, que destina US$ 3.085 para a educação básica.