Sábado, 23 de Agosto de 2008         09h45        480
3x1: Brasil vence os EUA e leva ouro no voleibol
Da redação/agências
Marcelo Pereira
 <b>3x1: Brasil vence os EUA e leva ouro no voleibol<b>
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O "quase" foi a palavra mais ligada ao time feminino de vôlei do Brasil nos últimos 16 anos. Foram quatro semifinais olímpicas consecutivas com derrotas, algumas dramáticas. Mas neste sábado, a modalidade lavou a alma. Com a vitória por 3 sets a 1 (parciais de 25/15, 18/25, 25/13 e 25/21) sobre os Estados Unidos, a Seleção garantiu a medalha de ouro pela primeira vez na história.

É o terceiro ouro do País nos Jogos, após as conquistas de César Cielo na natação e Maurren Maggi no atletismo. O time masculino de vôlei pode ganhar o quarto ouro neste domingo, a partir da 1h (de Brasília), se também conseguir derrotar os EUA na final.

Méritos para o técnico José Roberto Guimarães. Mantido no cargo após o fiasco em Atenas 2004, quando perdeu a decisão do bronze para Cuba, soube amenizar as crises e vê 2008 entrar para a história com o título do Grand Prix e o feito de ser o único treinador a ganhar um ouro com uma seleção masculina (no caso a do Brasil, em Barcelona 1992) e agora com as meninas.

O time brasileiro vive um momento de ouro e a invencibilidade já perdura desde o dia 22 de junho, quando a Seleção perdeu por 3 a 2 para a China, ainda pela primeira fase do Grand Prix.

A campanha do Brasil só não foi perfeita porque o time cedeu um set pela primeira vez no torneio. Perdeu, assim, a possibilidade de se tornar o segundo país da história a conquistar a medalha de ouro sem perder nenhum set sequer - o único a atingir tal feito foi o Japão em Montreal 1976.

No primeiro set, o Brasil impôs um ritmo forte de jogo, com muito volume e defesa segura. Foi a mesma seleção que arrasou todas as outras rivais durante a competição, inclusive as previamente apontadas favoritas Rússia e China. A atacante Mari, que neste sábado completa 25 anos de idade, voltou a ser destaque, ao lado de Paula Pequeno. Vitória por 25 a 15, em 22 minutos.

A segunda parcial foi a pior do Brasil em todo o torneio e justamente Mari acabou tendo grande responsabilidade nisso com seguidas falhas na recepção. Os EUA rapidamente abriram 10/4 no marcador e conseguiram controlar o set. A torcida americana, em maioria no ginásio, cresceu, e o jogo finalmente ganhou clima de decisão.

Com 18/13 para os EUA no placar, José Roberto Guimarães resolveu colocar Jacqueline no lugar de Mari para melhorar a recepção. Não adiantou, e a troca foi desfeita. As americanas acabaram fechando a parcial em 25/18, quebrando a invencibilidade parcial da equipe em 22 minutos.

A Seleção voltou muito mais ligada para o terceiro set e contando com o apoio dos chineses, que se decantaram nas arquibancadas. Com uma boa diferença desde o início da parcial e Mari "de volta" ao jogo, a equipe de Zé Roberto fechou em 25 a 13, em 21 minutos.

O quarto set poderia ser de definição para o Brasil, mas as meninas voltaram a demonstrar o nervosismo característico que lhe atrapalhava em outros anos. Melhor para as norte-americanas, que aproveitaram para endurecer as coisas, marcaram 21 pontos, mas levaram 25 pontos, de virada, e selou a conquista brasileira em 26 minutos.

Até então, os melhores resultados da Seleção Brasileira feminina haviam sido os dois bronzes conquistados em Atlanta 2006 e Sydney 2000. As norte-americanas, treinadas pela chinesa Lang Ping, tinham trajetória semelhante, com apenas uma prata, em Los Angeles 1984.

No programa olímpico desde Tóquio 1964, o torneio feminino de vôlei viu apenas quatro países serem campeões em sua história: China, Cuba, União Soviética (Rússia) e Japão. Para chegar à decisão, a equipe de Guimarães precisou passar por três desses times - asiáticas e européias - e cumpriu sua meta da melhor maneira possível, sem perder um set sequer.

Com o ouro no peito, as meninas torcem para que os homens quebrem mais um tabu de 28 anos. Desde os Jogos de Moscou 1980 uma equipe não conquista os torneios masculino e feminino de vôlei. Aliás os russos podem se orgulhar a serem os únicos com o feito, atingido também na Cidade do México 1968.

 

 

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