Domingo, 24 de Agosto de 2008         06h53        451
Brasil tomba diante dos americanos e fecha com prata
G1
Reuters
 <b>Brasil tomba diante dos americanos e fecha com prata <b>
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Após o glorioso 29 de agosto de 2004, quando festejou o ouro em Atenas, a seleção masculina de vôlei mergulhou num ciclo olímpico cheio de transtornos. Até este domingo, correram 47 meses, 26 dias e algumas horas de provação para um time que um dia pareceu imbatível.

 

Crises internas, bate-bocas, derrotas dolorosas, feridas que, aparentemente, só poderiam ser fechadas no degrau mais alto do pódio em Pequim. Pois é hora de fazer mais curativos.

 

O filme que o Brasil já tinha visto em terreno doméstico, na Liga Mundial, ganhou uma amarga reprise do outro lado do planeta. No Ginásio da Capital, mesmo apoiado pela torcida, o Brasil esbarrou na superioridade dos Estados Unidos. E ficou com a prata.

A derrota por 3 sets a 1, de virada, com parciais de 20/25, 25/22, 25/21 e 25/23, colocou no rosto dos jogadores a expressão de desânimo. Após atuação apagada, o capitão Giba passou calado pela zona de entrevistas. Deixou os companheiros no banco, onde o choro do novato Bruninho ilustrava a decepção.

Bom início do Brasil, reação americana
 

Pelo retrospecto em 2008, os americanos já chegaram à final em vantagem, invictos na competição e orgulhosos da vitória na Liga Mundial, em pleno Rio de Janeiro. Além disso, os jogadores pretendiam dedicar a vitória ao técnico Hugh McCutcheon, que teve parentes atacados em Pequim (seu sogro faleceu dias depois). Do outro lado, o time de Bernardinho tinha o ouro de Atenas a defender.

 

Mesmo diante do freguês recente, os Estados Unidos cometeram muitos erros no primeiro set. Tanto que o técnico Hugh McCutcheon gastou os dois tempos a que tinha direito para tentar salvar uma parcial que parecia perdida. Parecia, não. Estava mesmo. Como se jogasse um amistoso, o Brasil atravessou o set sem sustos e, após 26 minutos, fechou em 25 a 20. 

 

O “amistoso” terminou assim que a bola entrou em jogo no segundo set. E surgiu o monstro Clayton Stanley. Encapetado, o americano sacou, defendeu e atacou. Com o time nas costas, fez Stanley 6 x 0 Brasil. A vantagem chegou a 8 a 1 e, incrédula, a seleção brasileira não conseguia responder. Quando o placar marcava 14 a 7, o algoz voltou ao saque, mas desta vez a equipe verde-amarela virou logo na primeira tentativa. Mais que isso, voltou para o jogo e cortou a vantagem para dois pontos.

A solução de Bernardinho foi tirar André Nascimento e improvisar Murilo - habituado a jogar pela entrada da rede - como oposto. Após um ponto do jogador, a comemoração teve direito a chute do líbero Serginho na bola, que foi parar nas arquibancadas.

Quando a diferença caiu para um ponto, Giba agradeceu ao levantador Marcelinho com um beijo no rosto. Mas logo em seguida, não conseguiu segurar outra bomba de Stanley no saque. E foi pelas mãos do atacante americano que o set terminou em 25 a 22.

 

Americanos viram no terceiro set  

Stanley foi parado logo na primeira bola do terceiro set. Sinal de que o “time de um só” não daria mais trabalho? Nada disso. O oposto manteve os saques forçados e os ataques potentes. Além disso, os EUA tinham a filosofia do Brasil na cabeça. As jogadas eram as mesmas implementadas pelos brasileiros durante a Era Bernardinho, principalmente a bola de velocidade. Parecia que a seleção brasileira estava jogando contra ela mesma. Mas não estava. Do outro lado da quadra, havia um grande time.

 

 

Nervoso, Giba gritava:

- Vamos jogar, vamos jogar!

E o Brasil até jogou, mas não o suficiente. Ousado nas distribuições e nos saques, Bruninho, estreante em Olimpíadas, foi decisivo para a aproximação no placar. Mas já era tarde. A diferença no placar não foi alcançada e os americanos fecharam o terceiro set em 25 a 21. 

Na quarta parcial, o Brasil acertou o bloqueio e se manteve à frente no placar até a casa dos 20 pontos. O time de Bernardinho chegou a abrir 20 a 17 e deu a entender que poderia reagir na partida. Pura ilusão, porque Stanley apareceu de novo. Bernardinho abria os braços e parecia não acreditar à beira da quadra. A vantagem de quatro pontos tinha desaparecido e a prata estava cada vez mais próxima.

 

Sem contar com Giba e André Nascimento na sua melhor forma, dois dos jogadores mais decisivos da seleção nos últimos oito anos, o Brasil não conseguia superar a marcação americana, perdendo contra-ataques seguidos. O canhoto da equipe verde-amarela teve aproveitamento de apenas 7% no ataque (um acerto em 15 tentativas), enquanto Giba converteu apenas 12 dos 38 ataques que teve no jogo (32%).

Os americanos sorriam.

Afinal, os fregueses estavam sucumbindo novamente. Giba deixou a quadra para Bruninho sacar. Antes de sair, encostou as mãos na cabeça do levantador e trocou algumas palavras. Em vão. Os Estados Unidos fecharam o set, botaram o ouro no peito e mergulharam a equipe verde-amarela em mais quatro anos de provação. 

 

 

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