Se
o Chevrolet Captiva causou furor quando chegou ao Brasil, em agosto de 2008,
com fila de espera de mais dois meses e, pasmem, ágio de até 10% sobre o preço
sugerido, a nova versão do SUV vindo do México tem tudo para causar novo
rebuliço.
Isso
porque o Captiva Sport Ecotec (R$ 86,9 mil, em versão única 4x2) sana o único “problema”
da versão V6 que é, justamente, o consumo exagerado de combustível. O site G1
andou no carro que vem para acirrar a disputa com o Honda CR-V, Toyota RAV4,
Hyundai Tucson e Kia Sportage, em um percurso no campo de provas da GM, em
Indaiatuba (SP).
Com
um motor 2.4 16V de quatro cilindros inteiramente de alumínio, que gera 171
cavalos de potência a 6.200 rpm e 22,2 mkgf de torque a 5.100 rpm, o Ecotec
promete rodar até 10 km/l na cidade e 14,9 km/litro na estrada, segundo a
montadora, em medições de dinamômetro (equipamento no qual o carro não se move,
mas as rodas giram em cima de rolamentos e simulam o uso do veículo – a função
é a mesma de uma esteira de academia). Na vida real, porém, esse consumo será
ligeiramente maior, já que nesse tipo experimento não existe a resistência do
ar contra o veículo.
Em comparação com o consumo
da versão V6, de 261 cavalos e 23,95 mkgf de torque, entretanto, o Ecotec
parecerá um modelo 1.0. Em ação, o Captiva, logicamente, ficou menos divertido
de se guiar, uma vez que as arrancadas do V6 são empolgantes. Mas o “motorzão”,
que continua nas versões Sport 4x2 (R$ 96,9 mil) e 4x4 (R$ 103,9 mil), é
nitidamente superdimensionado para esse tipo de veículo, levando-se em conta o
preço do nosso combustível e a triste realidade das ruas e estradas
brasileiras.
Perde-se de um lado, no
desempenho, mas ganha-se em outro, no consumo. Mesmo sem a empolgação do V6, o
Ecotec cumpre bem a função e tem funcionamento silencioso. Na pista circular da
GM (que parece um velódromo gigante), o Captiva atingiu sem problemas os 180 km/h de velocidade
máxima – que é limitada eletronicamente. Nos primeiros Captiva V6, essa
velocidade final era limitada em 160 km/h.
O único senão dessa versão é a adoção do câmbio automático de apenas quatro
marchas ao invés do usado no V6, de seis marchas. Apesar do bom
funcionamento, há a possibilidade de trocas manuais em dois botões na alavanca,
um escalonamento com duas marchas a mais aproveitaria melhor a elasticidade do
moderno motor 2.4 e deixaria a direção mais agradável. Sem falar que
economizaria mais combustível. Uma pena esse retrocesso mecânico.
Outra diferença, agora estética, é a adoção da cor preta em parte dos
para-choques e nas maçanetas, além da saída única do escapamento. No mais, o
Captiva Ecotec entrega todas as comodidades e equipamentos da versão topo de
linha, com destaque para a incorporação do computador de bordo, antes
inexistente, com funções de temperatura externa, bússola, consumo médio, vida
útil do óleo, pressão dos pneus e autonomia.
Outras tecnologias presentes
no veículo são o sistema de som AM/FM estéreo com controle eletrônico de
sintonia de rádio com leitor de MP3 e seis alto-falantes, com controle no
volante, além de relógio e calendário digital e volante de três raios que
abriga o controle giratório do volume do som e ainda o comando do controlador
de velocidade de cruzeiro.
Na parte de segurança, o modelo conta com o programa de eletrônico de
estabilidade (ESP) que monitora a ação dos freios ABS e do controle de tração
para automaticamente evitar situações de perigo, como uma rodada no meio da
curva. Um item exclusivo no segmento dos SUV com preços inferiores a R$ 90 mil
é a presença de seis airbags (dois frontais, dois laterais e dois do tipo
cortina).
A montadora prevê um mix de 50% das vendas totais do modelo para a nova
configuração Ecotec e de 50% para as outras duas configurações V6. Mas o bom
desempenho mostrado no teste e a tentadora economia de combustível, devem fazer
do Captiva Ecotec responsável por grande parte das vendas. Afinal, entre os
dois, é uma escolha bem mais racional. É esperar para ver...