Sábado, 07 de Fevereiro de 2009         10h39        67
Com nova lei, consórcios podem aquecer venda de veículos
G1
Com os financiamentos prejudicados pelo receio do consumidor em adquirir dívidas em período de crise e pela restrição dos bancos em liberar crédito, o consórcio volta a ser opção atrativa no mercado de veículos novos.

A vantagem é que essa modalidade é uma poupança programada que não inflaciona por não depender da ficha cadastral do consumidor. Assim, o sistema pode ajudar o setor a sair da crise, como uma alavanca nas vendas de veículos em longo prazo.

E o “empurrão” para o brasileiro adotar esse sistema no lugar dos financiamentos foi dado agora pelo governo. A partir desta sexta-feira (6), entrou em vigor a Lei 11.795, que muda algumas antigas normas do Banco Central.

Para quem não pode fechar o negócio à vista e não tem pressa em adquirir o carro novo, os especialistas apontam o consórcio como a melhor opção, já que a grande desvantagem do consórcio é não saber quando será sorteado, ou seja, quando poderá comprar o veículo.

“O consórcio é sempre uma opção boa, recomendável para o consumidor que não tem pressa em tirar o carro. É uma opção mais racional, pelo custo menor. Principalmente quando os juros aumentam, os prazos diminuem e a rigidez de crédito é maior, o consórcio se torna ferramenta mais atrativa”, afirma o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Luiz Montenegro. 

Aumento da procura
De acordo com o presidente nacional da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), Rodolfo Montosa, a busca pelo sistema de consórcio foi muito fortalecida pela dificuldade de acesso ao crédito. “O que aconteceu foi um relaxamento nas condições de aprovação cadastral e o coração da crise tem relação direta com esse relaxamento. Agora, as instituições financeiras estão com o pé no chão para conceder o crédito”, explica Montosa.

Segundo o presidente da Abac, no setor automotivo as vendas de cotas até setembro de cotas de consórcio, antes da crise, eram de 27.581 no segmento de veículos leves. Com a crise, as vendas foram de 28.406 cotas em média por mês, um crescimento de 3%. No segmento de veículos pesados, o salto foi de 10,7%, de 4.567 cotas para 5.054 cotas. 

Expansão no segmento de motos  

Mas o segmento mais “ajudado” pelos consórcios foi o de motocicletas, cujos consumidores dos modelos de entrada têm mais dificuldade em ter crédito liberado para financiamentos. A média até setembro de cotas, neste caso, foi de 84.215 e passou para 105.244 em outubro, novembro e dezembro, o que representa uma expansão de 25%.

“A influência do consórcio no setor de automóveis é mais limitada, na de motos é mais ampla, porque o tipo de consumidor precisa mais de uma alternativa quando não tem capacidade cadastral para obter o financiamento”, observa o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sergio Reze.

Dívidas
A tão temida inadimplência no setor também recebeu uma ajuda com a nova lei de consórcios. Entre as mudanças, está a possibilidade de utilização da carta de crédito para a quitação de financiamento. A contemplação da cota poderá ser utilizada para liquidar o débito e o consumidor deixa de pagar juros, inexistentes nos consórcios.

“É uma possibilidade da lei, mas não é simples porque exige do consumidor determinação. Ele terá de dobrar o que reembolsa para sair da dívida”, destaca Montosa.

Cultura do brasileiro mudou
Apesar de o aumento do mix de opções de negócio, proporcionado pela nova lei de consórcios, ser apontado como a saída do setor frente a crise, no que se refere a consórcios o mercado brasileiro terá de mudar sua postura, pois já está acostumado com a velocidade de se ter o bem por meio dos financiamentos.

E, para isso, as alterações precisam começar por parte dos concessionários e das empresas de consórcio. “Ainda não há reação do mercado até porque as concessionárias desativaram muitas equipes voltadas para consórcio, o que gerou a concentração dos negócios em algumas empresas de consórcio”, explica Reze sobre a limitação.

Para mudar essa cultura, a Abac propôs ao governo mais vantagens àqueles que aderirem aos consórcios. A primeira proposta é que essa modalidade seja enxergada de maneira semelhante à previdência privada, para que haja uma prorrogação do pagamento do imposto sobre a renda. “Quando o consumidor vender o carro entraria como renda”, explica o presidente da entidade. A outra é a isenção de IPI e CPMF, como já existe para taxistas, deficientes físicos e produtores rurais.

“O consorciado é alguém que já está programando a economia do país, ele já assegurou que vai comprar. Logo, é útil no aspecto econômico”, defende Rodolfo Montosa.

 

 

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