O
segmento dos utilitários esportivos, contrariando a tendência mundial, é um dos
que mais crescem nos últimos anos no Brasil. Apesar disso, a Volkswagen não
tinha um produto competitivo entre os SUV compactos, pois contava apenas o
grande e luxuoso Touareg – que nunca foi nem será um campeão de vendas. Com a
chegada do Tiguan, porém, a montadora alemã espera aumentar significativamente
sua participação, o novo modelo equipado com motor 2.0 turbo de 200 cavalos,
que chega custando a partir de R$ 124,2 mil.
O nome Tiguan, combinação
das palavras tigre e iguana, foi escolhido por leitores em um concurso feito
pela revista alemã Auto Bild e, segundo a fábrica, expressa a versatilidade do
carro que une a força do felino com a versatilidade do réptil. É verdade que,
na essência, todo utilitário esportivo, seja de qual marca for, precisa ter
essas duas características. Mas não dá para negar que a ideia do nome foi
criativa.
Lançado há dois anos na Europa, onde está disponível em diversas versões
(gasolina, diesel, 4x2, 4x4...), o modelo chega por aqui em apenas uma versão equipada
com motor 2.0 turbo de 200 cavalos, câmbio automático Tiptronic de seis marchas
e tração integral com bloqueio de diferencial central.
Apesar disso, a lista de
opcionais inclui vários equipamentos como teto solar panorâmico (skyview),
bancos de couro com ajuste elétrico para o motorista, rodas de liga-leve de 18 polegadas, faróis
de xenon direcionais, volante com comando de troca de marchas, módulo off-road,
entre outros. Completo, o Tiguan custa cerca de R$ 150 mil. É o preço de carros
bem maiores e luxuosos como Ford Edge, Hyundai Santa Fé e Toyota SW4.
O SUV construído sobre a
plataforma do Golf (geração V e não a VI lançada recentemente na Europa), do
qual herda o motor e o câmbio, além de diversas peças de acabamento interno
como o painel e os bancos. Os eixos, porém, vêm do Passat e o sistema de tração
integral é o mesmo usado no Passat CC. O design busca referência em outros
modelos da VW, afinal precisa preservar a identidade da marca. O visual agrada,
apesar de não ser tão chamativo.
O acabamento interno é primoroso, com materiais emborrachados no painel e
portas, peças de plástico com encaixes precisos e detalhes de alumínio
estrategicamente espalhados pela cabine. Destaque para as pequenas saídas de ar
circulares que garantem um visual único ao painel do SUV. O espaço acomoda
confortavelmente cinco pessoas, mas o espaço para a bagagem não é tão generoso:
são 360 litros
(o mesmo de um Chevrolet Meriva). Afinal, o Tiguan é baseado no Golf e, apesar
de mais alto e imponente, tem praticamente os mesmos entreeixo (2,60 metros) e,
consequentemente, espaço interno do hatch médio.
E não é apenas o tamanho que
o Tiguan herda do Golf. O comportamento dinâmico, um dos pontos altos do hatch,
também é destaque no SUV. Em ação, o Tiguan se mantém obediente aos comandos,
não oscila nas curvas nem passa insegurança ao motorista em velocidades mais
elevadas. Mais parece um hatch e dos bem acertados, afinal a suspensão
independente nas quatro rodas tem uma regulagem firme, que não compromete o
conforto – característica típica dos modelos alemães em geral.
O motor 2.0 Turbo TSI 16
válvulas de 200 cavalos de potência e 28 mkgf de torque é o coração do SUV e
responsável pelo desempenho excepcional. Em conjunto com a transmissão
automática Tiptronic de seis velocidades, leva o Tiguan de 0 a100 km/h em apenas 8,5
segundos e a uma velocidade máxima de 207 km/h. O Chevrolet Captiva, por exemplo, um
dos concorrentes do Tiguan, tem máxima limitada a 180 km/h por questões de
segurança.
A mesma desenvoltura, porém, não é mostrada no off-road. Com um ângulo de
ataque de apenas 18º (o mesmo do Captiva), o Tiguan não consegue transpor
obstáculos medianos de uma trilha. Só para comparação, o jipe Troller
(referência nacional no segmento de off-road) tem ângulo de ataque de 56º -
para não ser tão injusto, comparemos também com outro modelo sem grandes
vocações para o fora de estrada como o Ford Ecosport, que ainda assim tem ângulo
de 28º.
A tração integral permanente garante alguma valentia, que pode ser
potencializada com o opcional módulo off-road (sistema que monitora e age
eletronicamente em cada uma das rodas, melhorando a condução em terrenos
acidentados). Na prática, como ninguém vai fazer trilha com o Tiguan, não vale
o investimento – tanto que os modelos testados nem sequer tinham o equipamento.
A altura do solo de 195
milímetros, ao menos, evita que o carro raspe o fundo
constantemente.
O Tiguan recebeu a nota máxima no crash test do EuroNCAP (5 estrelas) e ficou
em primeiro lugar no teste de capotagem realizado pelo IIHS (Institute
Insurance Highway Safety), orgão responsável pela segurança veicular nas
estradas dos EUA, entre os modelos SUV compactos. Resultados que mostram a
preocupação dos engenheiros alemães não apenas com o desempenho. São seis
airbags (frontais, lateral e tipo cortina), freios ABS com auxílio automático
de frenagem emergencial, controles de tração e estabilidade, que aumentam a
segurança dos ocupantes.
Outros equipamentos de série
que merecem destaque são o sistema de freio eletrônico de estacionamento com a
função auto-hold para auxiliar em rampas e trânsito intenso, sensores de
monitoramento da pressão dos pneus, piloto automático, volante de direção
multifuncional em couro, retrovisor interno com sistema antiofuscamento,
sensores de estacionamento e de chuva, ar-condicionado de duas zonas, CD Player
com MP3 e entrada multimídia, oito alto-falantes, descansa-braço central
dianteiro e traseiro, mesas dobráveis na parte de trás dos encostos dos bancos
dianteiros e acionamento elétrico para vidros, travas e retrovisores.
O Tiguan se mostrou um SUV
agradável de dirigir com um desempenho de causar inveja em vários esportivos
disponíveis no Brasil. Tem um pacote de equipamentos generoso, mesmo os bancos
de couro sendo opcionais..., e trata bem seus ocupantes. Apesar de nem VW nem
Audi gostarem da comparação, o comportamento desse utilitário é típico dos
carros da marca de luxo do grupo. Aliás, motor e câmbio são compartilhados por
ambas. O problema é que, apesar de todas as qualidades dinâmicas e estruturais,
o Tiguan não entrega o glamour da Audi. Por isso, poderia ter um preço inicial
mais atrativo.