O
carro está entre os sonhos de consumo de todo brasileiro e, com
as taxas de juros dos financiamentos caindo e o corte nos impostos,
ele nunca foi tão real. Mas o consumidor, mesmo na euforia da compra,
precisa levar em conta várias ponderações, inclusive, a facilidade de revenda
do veículo. Alguns acessórios, por exemplo, são muito caros e podem
até desvalorizar o carro na hora de passá-lo para frente.
Faróis de xenon, com luzes mais fortes e azuladas que as comuns, as
setas que também piscam no retrovisor e a antena com design do tipo
shark (tubarão) foram alguns dos acessórios que Marcos Santos fez no carro
que comprou.
“O que dá mais visibilidade e o que foi mais caro foram as rodas, sistema de
suspensão, as rodas são de liga leve, aro 19, perfil 35 e foi bem caro. Depois
disso sistema, o multimídia: tenho GPS, TV, DVD”, comenta o DJ Marcos Santos.
Ele também rebaixou o carro, colocou filtro esportivo e chip de potência para
melhorar o desempenho do motor. Ao todo, o DJ gastou R$ 30 mil só em
acessórios, o preço de um carro popular.
“O legal é a satisfação pessoal mesmo. Essa coisa foi realmente para
personalizar, deixar o carro com a minha cara”, justifica o DJ Marcos
Santos.
Mas,
na hora de vender, essas adaptações nem sempre valorizam o
carro. Primeiro, depende do comprador, que pode gostar ou não de veículos
mais personalizados. Depois, depende do vendedor para convencer o cliente. Mas
há alguns acessórios que sempre aumentam o preço do carro.
Na hora da compra, o carro com ar condicionado vale, no mínimo, R$ 1 mil a
mais. Com bancos de couro, o valor aumenta em média R$ 500. Com vidro
elétrico, trava elétrica e alarme também. Direção hidráulica significa mais R$
1 mil.
O que não vale a pena o investimento: “O acessório que descaracteriza o
original já não é bom. Por exemplo, uma roda muito grande, spoilers, muita
iluminação acabam desvalorizando”, explica o gerente de concessionária Joanino
Nunes.
Alguns itens facilitam a venda do carro usado, mas não aumentam o preço, como
rodas de liga leve e faróis de milha. A pintura metálica custa em torno de R$
900 no carro novo, mas na venda do usado não tem acréscimo. Em São Paulo, por exemplo,
carros brancos valem de R$ 2 mil a R$ 3 mil a menos por serem confundidos com
os táxis.
Nas concessionárias, acessórios não originais fazem o carro perder valor. Mas
para quem é aficionado, o importante não é o retorno financeiro.
“Pode ser que seja um investimento sem retorno, a não ser que eu consiga vender
para alguém que goste do carro com as mudanças que eu fiz. Caso contrario é uma
perda. Mas o carrão faz sucesso”, diz o DJ.