O
contrato é um instrumento jurídico que dá maior segurança na hora de fechar um
negócio de compra e venda. No comércio de veículos usados, ele também é
indispensável, segundo especialistas. Uma negociação sem garantias pode
provocar dor de cabeça e prejuízo.
O engenheiro André Luis Alvarenga entregou o carro em uma revendedora com a
promessa de receber o dinheiro em 30 dias. Foi em fevereiro. A empresa
fechou as portas e até hoje ele não viu os R$ 40 mil. “A garantia que eu tinha
era o meu documento, só que ele já tinha sido assinado e a pessoa ficou de
pagar neste prazo”.
O
recibo assinado é como se fosse um cheque em branco. Com ele nas
mãos o revendedor pode negociar o carro livremente. Por isso desconfie das
empresas que exigem a entrega antecipada deste documento. A autorização para a
transferência de veículos só deve ser preenchida mediante pagamento.
“O proprietário só deve entregar o recibo do carro apenas quando tiver um
documento que garanta o recebimento, e não no ato da contratação do serviço”,
afirma Rui Pires, presidente da Associação dos Revendedores de Veículos
Seminovos de Belo Horizonte. Ele diz que quem quer vender o carro jamais deve
deixar o recibo assinado junto com a chave e os documentos para a revendedora
comercializar o veículo.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também recomenda que seja feito um
contrato de consignação. “Pode ser um simples recibo, mas neste recibo tem que
estar qualificada a empresa que vai receber o bem com endereço, com o valor do
carro, as características do veículo para possibilitar do proprietário vir a
receber uma indenização, diz Geraldo Magela Freire, presidente da Comissão dos
Direitos do Consumidor da OAB.
O supervisor de vendas Antonio Henrique Filho foi vítima de uma revendedora de
carros. A empresa que vendeu o carro para ele não existe mais. Ele disse que
pagou à vista pelo veículo que estava financiado pelo antigo proprietário. A
revendedora teria se comprometido a quitar o saldo restante da dívida, o que
não ocorreu. “Essas pessoas vão continuar muito bem de vida, com carro do ano,
gastando dinheiro, enquanto gente como eu, que pagou uma coisa à vista, vai
continuar perdendo.
Como avaliar o carro
usado antes de comprar
Além
dos problemas com a documentação, o consumidor deve ficar atento também a
outros detalhes, como verificar as condições da lataria e a parte mecânica do
veículo. Uma avaliação detalhada da lataria ajuda a identificar possíveis
problemas que são, muitas vezes, omitidos pelos vendedores.
Giovani
Heredia, instrutor de mecânica do Senai, dá algumas dicas para quem vai comprar
um carro usado:
Pintura: “Na pintura
do veículo pode aparecer indícios que o carro foi repintado. A pintura original
é bem polida, sem riscos nem respingos. As quinas e os contornos são bem vivos
e bem definidos pela pintura original do fabricante. Se houver riscos e
respingos é um indício que o carro já recebeu nova pintura”.
Portas: “As frestas
das portas devem ser comparadas. O interessado deve comparar a porta do lado
direito com a do lado esquerdo do carro. As quinas das portas devem ser
encontradas com a carroceria como indício de que está tudo certo com a
lataria”.
Pneus: “Os pneus dão
indícios se o carro está em estado perfeito ou não. É preciso verificar se na
banda de rodagem existe um desgaste por igual. Se houver um desgaste irregular
é sinal que o veículo tem algum problema”.
Lanternas e faróis.
“Gotículas de água podem indicar que foi feita troca externa da lanterna ou do
farol”.
Porta-malas: “Ao
abrir o porta-malas o interessado deve levantar o carpete e verificar se as curvas
da lataria estão bem definidas. Se as houver ondulações e a tinta estiver
diferente é um sinal de que a peça foi reformada”.
Volante: “É preciso
observar se não há um desgaste muito grande na parte principal da peça, e se o
volante fica firme quando o carro está em linha reta”.
Cinto de segurança:
“É importante verificar se não há desgaste excessivo na peça que encaixa o
cinto”.
Pedais: “Desgaste nos
pedais da embreagem e do freio podem mostrar se a quilometragem que aparece no
hodômetro não foi alterada”.
Motor: “O interessado
deve levantar o capô e ver se há indícios de vazamento no motor ou algum ruído
anormal. Barulho diferente pode ser sinal de que carro teve adulteração no
motor".
Test-drive: “Na hora
de andar com o carro, fique em uma velocidade de 40 km/h e freie bruscamente
o veículo. Nesse momento, é possível verificar qual é o comportamento do carro.
Ele não pode puxar para a direita nem para a esquerda, o que indica sinal de
problemas na suspensão, e os ruídos do veículo não podem ser alterados”.