A
manutenção do carro não é feita apenas na oficina. Revisões básicas para que o
veículo não comece a dar trabalho com pouco tempo de uso devem ser feitas
semanalmente. No entanto, todo dia o proprietário do veículo deve estar atento
a certos cuidados ao dirigir, como não deixar o pé apoiado na embreagem
quando o carro estiver parado no semáforo. O site G1
responde a algumas dúvidas dos internautas sobre os procedimentos que visam prolongar
a vida útil do veículo, como limpeza da injeção eletrônica, manutenção
do óleo e do sistema de arrefecimento. Confira.
Tenho um Corsa Hatch, modelo 2002. A embreagem dele está mais dura, isto é
correto? - Jorge Luiz
Duarte
A
embreagem de um automóvel endurece com o tempo de uso, é normal. Mas isso só
acontece depois de muitos anos. Em alguns casos, esse “peso” na embreagem
indica desgaste, principalmente se estiver associada ao pedal alto, ou seja,
quando o motorista precisa tirar bastante o pé para o veículo entrar em movimento. Contudo,
um motorista mais zeloso consegue manter a embreagem suave por mais tempo. Uma
boa dica é evitar de segurar o carro em subidas apenas na embreagem. Quando
enfrentar uma ladeira e tiver de parar, pise no freio e se for o caso utilize
também o freio de mão, mas evite ao máximo de manter o carro parado somente na
embreagem. Também evite de ficar parado no semáforo com o pé fincado na
embreagem e nas trocas de marcha pise até o final entre uma marcha e outra.
Também nunca deixe o pé apoiado no pedal da embreagem quando estiver em
movimento.
Há necessidade de limpeza dos sensores da injeção eletrônica? - Lorival
A
limpeza nem sempre é necessária, mas a inspeção sim. O prazo para a limpeza e a
manutenção dos sensores e dos principais itens do sistema de alimentação está
especificado no manual do proprietário. Conforme o fabricante, pode variar
entre 25 mil e 30 mil quilômetros, mas o correto é fazer ao menos uma inspeção
a cada 15 mil quilômetros em razão da qualidade do combustível no mercado. Essa
inspeção também é programada nas várias revisões do carro recomendadas pelo
fabricante.
Gostaria de ter mais informações sobre a troca de óleo, pois hoje em
dia há vários tipos de óleo: sintético, normal, com aditivos. E saber também o
total de km que devo fazer a troca de óleo. - Wagner,
Alfenas (MG)
O
importante, a saber, sobre óleo do motor é que cada veículo tem uma
especificação recomendada pelo fabricante. Essa especificação consta no manual
do proprietário. Nas trocas é preciso tomar o devido cuidado de usar produtos
de um mesmo nível de desempenho (API) - sigla em inglês de Instituto Americano
do Petróleo, uma classificação de duas letras que informa o tipo de motor para
o qual o óleo se destina (gasolina ou diesel) e o nível de qualidade. Também
não se esquecer do mesmo índice de viscosidade (SAE) - sigla em inglês para
Sociedade de Engenharia Automotiva, que classifica os lubrificantes automotivos
em faixas de viscosidade. Vamos tomar como exemplo o 15W40. O primeiro número
indica a viscosidade do óleo em uma temperatura baixa, como na hora da partida,
e o segundo indica a viscosidade à temperatura operacional. Quanto menor o
primeiro número, mais fino é o óleo e quanto maior o segundo, mais grosso.
Além
disso, é importante usar um único tipo de óleo e de preferência da mesma marca.
Em princípio, os óleos automotivos são compatíveis entre si, sendo até possível
misturar marcas diferentes. No entanto, a melhor alternativa ainda é evitar
esse procedimento. Uma observação importante é nunca misturar óleo mineral com
óleo sintético. Quanto aos prazos, o óleo do tipo mineral tem o prazo de troca
estipulado a cada 5 mil quilômetros, semi-sintético a cada 10 mil quilômetros e
sintético a cada 20 mil quilômetros. Independentemente da quilometragem, também
é preciso ficar atento ao tempo de uso, pois mesmo que a quilometragem não for
atingida, a cada seis meses é necessário fazer a troca do óleo. Lembre-se que o
filtro de óleo deve ser substituído em toda troca de óleo.
Gostaria de saber se, realmente, o uso do ar-condicionado tem relação
com o aumento do consumo de combustível, e se posso deixar o ar já acionado
para que, quando ligar o carro, ele já funcione automaticamente. - Marcelo
Pinheiro Chaves
O
condicionador de ar tem relação direta com o consumo, pois para funcionar o seu
gerador é ligado ao motor do carro por correias. Ao entrar em funcionamento, o
ar-condicionado retira do motor do automóvel algo em torno de 8 a 15 cavalos de potência. O
equipamento pode permanecer com seu interruptor acionado, mesmo antes da
partida do motor. Acontece que, em carros mais usados, alguns equipamentos
podem vir a ter problemas em razão disso. Se o seu carro tem mais de 10 anos de
uso, é bom desligar e ligar somente com o carro em funcionamento. Tudo
funciona bem se a manutenção estiver em dia, por isso é recomendável fazer uma
inspeção anual para verificar o filtro, que retém impurezas vindas do ar
externo e também pode acumular fungos se não for trocado periodicamente. A
inspeção pode detectar vazamentos e também checar o nível do gás. Se ele não
estiver em ordem, o condicionador não vai esfriar o ambiente.
Pneus maiores que o recomendado pelo fabricante podem causar danos ao
veiculo? Quais? - Valter Barreto, Salvador
Em
todos os carros o manual do proprietário considera algumas opções com medidas
diferentes. Não são muito distintas, mas na hipótese de fazer alguma alteração
é bom consultar o manual. Alguns veículos têm versões com características
diferentes que acabam exigindo pneus diferentes, um bom exemplo são as versões
esportivas. No caso de se colocar um pneu maior, considera-se que será mais
largo e mais alto que o anterior. Essa troca vai provocar mudanças no carro
sim, algumas sutis, como o consumo de combustível. A aferição do velocímetro e
hodômetro também serão alteradas, pois o pneu novo terá medidas diferentes que
irão comprometer a aferição original do automóvel. Caso a alteração na medida
seja excessiva, podem ocorrer interferências na estrutura do veículo. Os
componentes da suspensão também podem ter a vida útil encurtada, se forem
submetidos a esforço diferente do projeto em razão de um pneu muito diferente
do tamanho original.
Sempre que retirarmos um pneu, por estar furado ou por outro motivo
que não seja a troca por desgaste, devemos fazer alinhamento e balanceamento? - Gilberto Santos, Rio de Janeiro
A
substituição de um pneu por causa de um furo, por exemplo, não exige novo
balanceamento e muito menos alinhamento. O balanceamento deve ser realizado
sempre que se perceber alguma trepidação no volante ou a cada 5 mil
quilômetros. O alinhamento deve ser realizado sempre que o motorista sentir que
o veículo está com um comportamento inadequado, ou seja, puxando para um dos
lados ou a cada 10 mil quilômetros.
Gostaria saber um pouco sobre o liquido de arrefecimento, quando trocar
e se pode ser completado quando estiver baixo. Quais os problemas que podem
ocorrer na falta do líquido? - Anderson
Cassius
Primeiro
deve se fazer uma inspeção semanal no reservatório de água do motor. Caso a
água estiver abaixo da indicação de nível mínimo, será preciso completar. Mas
não se deve completar apenas com água normal, também é preciso adicionar na
proporção necessária o liquido de arrefecimento, muito conhecido por aditivo da
água. Se o nível de água começar a baixar frequentemente será preciso levar o
carro a uma oficina para averiguar o sistema.
O
sistema de arrefecimento deve ser inspecionado ao menos uma vez por ano. Nessa
inspeção, é fundamental fazer a limpeza, que esgota toda a água, limpa o
radiador, confere as mangueiras de borracha e mantém o sistema livre de
resíduos que podem impregnar o bloco e desse modo diminuir a eficiência na
refrigeração do motor. A falta de água no arrefecimento faz o motor ferver e a
consequência é uma só, o motor poderá fundir.
Como e quando devo lavar o motor do meu carro (motor a diesel)? - Salomão
Cosme, Campo dos Goytacazes (RJ)
O
ideal é não lavar muitas vezes, apenas se estiver muito sujo, algo que não deve
ser mais que uma vez ao ano. Antes de tudo, evite jogar água quando o motor
ainda estiver quente. Na hora da lavagem, não use produtos químicos e derivados
de petróleo, pois esses agentes químicos podem corroer as peças de borracha do
motor e também afetar o sistema elétrico. Aplicar óleo diesel sobre pressão não
é recomendado. O que pode ser feito é aplicar com um pincel apenas nas áreas
mais afetadas (sujas) e, em seguida, enxaguar com água. O ideal é que não
fiquem resquícios do óleo, pois ele poderá acumular mais facilmente a sujeira.
Mas lembre-se de nunca utilizar em partes de borracha. É importante nunca usar
água sob pressão, pois pode comprometer sensores e componentes elétricos e
eletrônicos.