Tecnologia sofisticada para acionar comandos do carro coloca motoristas em apuros
Folha
Para
não chegar atrasada ao chá de cozinha da filha, a aposentada Maria José
Francisco, 62, tomou coragem e pegou, pela primeira vez, o Honda Civic do
marido.
Mas
não era só o relógio que conspirava contra ela. "Assim que estacionei,
comecei a apertar tudo quanto era botão para tentar destravar a porta do sedã.
O máximo que consegui, nos primeiros minutos, foi abrir o porta-malas",
lembra.
A
falta de padrão no posicionamento e no funcionamento dos comandos do carro
também complica a vida de manobristas, que entram em pane com a sofisticação
tecnológica.
"Causei
o maior congestionamento quando peguei um [Mercedes] Classe A [semiautomático].
Como ia mover um carro com alavanca de câmbio normal, mas sem pedal da
embreagem?", diz Alex Rocha, 33.
Já
o manobrista Manuel Vieira, 40, conta que "quase enfartou" por causa
de um botão. "Fui descer o vidro, mas apertei uma tecla errada. O Citroën
abaixou até o chão, pensei que tivesse quebrado o carro!"
Orientação
Para
evitar esses problemas, as concessionárias costumam instruir o comprador sobre
como operar o veículo adquirido.
Mas
até quem foi orientado pode ser vítima da pegadinha tecnológica. Nesse caso, a
saída é ter à mão o telefone do consultor técnico da concessionária ou do SAC
do fabricante, além do manual do carro.
O
Renault Mégane nacional é um dos que mais intrigam funcionários de
estacionamentos. "Como não tem chave, é um botão no console que desliga o
motor. Até descobrir isso, foi uma missa, e com o motor do sedã ligado",
comenta o manobrista Lindomar Alves, 33.
Outro
que coça a cabeça quando entra em um veículo sofisticado é Cícero Xavier, 26.
"O [VW] Passat alemão não tem alavanca de freio de mão. Um botão no painel
aciona o freio. Nem a Mãe Dináh adivinharia como funcionam importados
"high-tech"."
No
Sindicato dos Empregados em Estacionamento e Garagens não há curso de
orientação sobre como lidar com a tecnologia. "É um "manobra"
que ensina o outro", explica o manobrista Robson Missias, 30.
Para
evitar que a sofisticação dos comandos atrapalhe o manobrista e, com isso,
provoque um acidente, o gerente de estacionamento Ulisses Dias, 43, aconselha o
proprietário a entregar o automóvel sempre com uma orientação técnica.
"Mesmo
os carros antigos têm manhas. Uns nem possuem mais a indicação de como se deve
engatar a ré", lembra.