Há
uma grande diferença entre cópia e réplica. A primeira tenta imitar algo, mas
peca nos materiais utilizados e no acabamento em geral. Já a segunda,
reproduz com extrema fidelidade o objeto original, entregando qualidade e
aparência similares. Algumas décadas atrás, os carros coreanos eram cópias dos
europeus.
Hoje,
são réplicas. O Hyundai i30, que acaba de ser lançado no Brasil – de R$ 54 mil
a R$ 72 mil (por enquanto, apenas a versão de R$ 69,9 mil está disponível) –, é
a maior síntese disso. Design do BMW Série 1, painel de instrumentos do VW Golf
e suspensão do Ford Focus, entre outras características alheias, fazem desse
hatch médio mais que uma simples colcha de retalhos. Ele está mais para um
“patchwork” chique e bem acabado.
O
modelo chega para disputar um segmento competitivo que tem como principais
expoentes os novos Ford Focus, Citroën C4, Chevrolet Vectra GT, Nissan Tiida,
Subaru Impreza e Peugeot 307 (que já não é tão novo assim), além dos veteranos
VW Golf e Fiat Stilo.
Até o final do ano, a Hyundai pretende disponibilizar todas as cinco versões de
acabamento do hatch, já que apenas uma está à venda atualmente. Por R$
69,9
mil, o carro coreano entrega, entre outros equipamentos, o motor 2.0 16V a
gasolina com comando de válvulas variável (uma evolução do propulsor do
Tucson), com 145 cavalos de potência e 19,38 mkgf de torque movido a gasolina,
airbag duplo, freios ABS com EBD (distribuição eletrônica de frenagem),
computador de bordo, piloto automático, ar condicionado digital, direção
elétrica, câmbio automático de quatro marchas e acabamento de primeira.
É mais interessante, porém, esperar pela chegada da versão topo de linha que,
por apenas R$ 2,1 mil a mais, traz ainda o controle de tração, airbags laterais
e de cortina e teto solar elétrico. Já a versão de entrada, que será vendida
por R$ 54 mil, tem mesmo acabamento geral, mas o ar-condicionado é manual, os
freios ABS não têm EBD, o câmbio é manual, não tem piloto automático e uma série
de mimos presentes nas versões mais equipadas. Com isso, o i30 contraria uma
prática adotada pela Hyundai no Brasil: a de oferecer mais por menos. Afinal, a
gama de equipamentos e os preços estão condizentes com os da concorrência.
Ainda assim, o modelo chega como uma opção interessante e
merece ser analisado por quem procura um hatch médio. Afinal, buscou o que a
concorrência tem de melhor e reuniu tudo em um só. O acabamento é digno de
nota, com painel e revestimento superior das portas emborrachados, volante com
regulagem de altura e profundidade, bancos de laterais generosas que seguram
bem o corpo nas curvas e sistema de som que, além de potente, compõe o visual
moderno do painel.
Em ação, o teste rápido não permitiu uma avaliação mais aprofundada. Mas ficou
nítido que o motor de 145 cavalos garante boas arrancadas e a suspensão permite
uma “tocada” mais esportiva ao i30 – apesar da morosidade do câmbio automático
em mudar as marchas, tanto de forma ascendente quanto nas reduções.
O espaço interno é bom, inclusive para os passageiros de trás, já que o
entreeixos de 2,65
metros é o maior dos hatches médios do mercado
brasileiro. O porta-malas comporta 360 litros (1250 litros com os
bancos rebatidos). O visual, claramente inspirado no BMW Série 1, é
interessante e ficou ainda mais bonito com a adoção das rodas de 17 polegadas com raios
cromados. O i30 comprova definitivamente que os coreanos deixaram de imitar e
passaram a replicar aquilo que é bom. E não têm o menor pudor de assumir isso.