Pela
primeira vez em quase 15 anos, os brasileiros compraram mais carros importados
do que a soma de todos os veículos que o país exportou. No acumulado de janeiro
a maio, 169 mil veículos fabricados em países como Argentina, Alemanha e Coreia
do Sul foram vendidos no mercado nacional, enquanto as exportações totalizaram
162,4 mil veículos.
Em
número de unidades, a balança comercial brasileira não era negativa desde 1995,
o primeiro ano cheio do Plano Real, quando o dólar e a moeda brasileira tinham
praticamente o mesmo valor. Nos anos seguintes, o saldo anual nunca mais foi
deficitário, como mostram dados da Associação Nacional dos Fabricantes de
Veículos Automotores (Anfavea).
O
presidente da Anfavea, Jackson Schneider, espera que o saldo negativo, que foi
mais acentuado no primeiro trimestre, siga se recuperando, a exemplo dos
resultados de abril e maio. Ele admite, porém, que o câmbio atual favorece as
importações. Além disso, os mercados abastecidos pelo Brasil, principalmente na
América Latina, estão em crise, e as encomendas de janeiro a maio despencaram
47,4%.
Em
valores, o saldo da balança comercial de veículos ainda é favorável ao Brasil
em US$ 800 milhões neste ano, mas está abaixo da média de igual período do ano
passado. A Anfavea projeta queda de 39% nas exportações em 2009, para US$ 8,5
bilhões. Em unidades o tombo, inicialmente, ficaria em 32%.
As
importações devem corresponder a 13% das vendas previstas para o ano todo, de
2,7 milhões de unidades, o que daria cerca de 352 mil unidades. Carros vindos
do Mercosul e do México não pagam imposto de importação e são trazidos, a
maioria, por montadoras locais para complementar a linha de produtos. Já
modelos fabricados em outros países são taxados em 35%.