Depois de 15 anos, Audi lança A6 capaz de enfrentar Mercedes-Benz E350
Folha
Quando
a Audi entrou de vez no Brasil, há 15 anos, espalhou 400 outdoors por São Paulo
com o dito otimista: "Venha ver o estande da Nasa". Era para o Salão
do Automóvel de 1994.
Era,
na verdade, o marketing da marca para mostrar seus "foguetes", a
perua Audi-Porsche RS2 e o protótipo Avus.
Jogado
no canto do estande estava o A6, que acabara de substituir o finado Audi 100 uma
espécie de Santanão com ar modernoso.
De
Nasa, o A6 não tinha nada. Perdia em quase tudo para seus concorrentes BMW
Série 5 e Mercedes-Benz Classe E. Só que as coisas mudam de figura.
Para
competir com a tradição da Mercedes e a esportividade da BMW, a Audi apelou
para o designer italiano Walter de Silva, criador da grade trapezoidal que
permeou por todos os Audi, ora com harmonia ora sem.
A
Audi também investiu na engenharia de motores. Hoje é a referência em
propulsores comprimidos e em injeção direta de gasolina e de diesel esta
disponível só na Europa.
E
foi lá mesmo que, em abril, pela primeira vez na história, a Audi assumiu a
liderança do mercado de luxo no Brasil, a Audi vende a metade da BMW e um
quinto da Mercedes.
Era
tudo que a Audi precisava para inflar o seu ego e lançar anteontem o novo A6 no
Brasil. Por "coincidência", um dia depois da apresentação da oitava
geração do Mercedes E350.
“T” de compressor
Com
exclusividade, a Folha levou os
dois para a pista de teste. Você tem uma chance para adivinhar quem levou a
melhor. Quer uma dica?
O
A6 vem, de série, com tração integral Quattro e motor 3.0 V6 de 290 cv
(cavalos). Não é só: os seis cilindros em "V" tiveram a santa ajuda
de um compressor volumétrico, algo inédito na marca conhecida pelos turbos
(TFSI).
Essa
sigla enfeita a tampa do motor de abusada que é. "O compressor permite
atingir o torque máximo [42,9 kgfm] em rotações mais baixas", explica
Rafael Clemente, gerente de produto da Audi. Esse torque é suficiente para
levar o A6 a 100 km/h
em apenas 6,4s, aponta o teste Folha-Mauá.
É
um número digno de bons motores V8, como o do BMW 550i, testado há um ano. Ele
precisou exatamente dos mesmos 6,4s na prova de 0 a100 km/h e perdeu por
pouco nas retomadas de velocidade.
Já
o Mercedes E350 não tem essa ambição. Usa o mesmo motor 3.5 V6 (272 cv) da
sétima geração e só quer ser honesto. Não pode frustrar demais quem paga R$ 270
mil, R$ 10 mil a menos que o A6.
O
E350 levou 7,8s para atingir 100
km/h, num silêncio de espantar os introvertidos.