“Atenção
passageiros da classe executiva, sejam bem-vindos ao A6. Em instantes
iniciaremos nossa viagem. Para sua comodidade, dispomos de confortáveis
assentos individuais com aquecimento, climatizador automático e sistema de
áudio da Bose com 16 alto-falantes.
Em
caso de emergência, bolsas infláveis serão acionadas no interior para sua
proteção. Tenham uma boa viagem”. Bem que essa vinheta podia ser tocada antes
da dar a partida no novo Audi A6, sedã que estreia no Brasil em sua versão 2009
com leve reestilização e o novo motor 3.0 V6 TFSI de 290 cv. Prontos
para decolar?
Referencia
em motores eficientes no consumo e de alto desempenho, a Audi substituiu o
motor 3.2 V6 FSI pelo novíssimo 3.0 V6 TFSI de 290 cavalos de potência, 35 cv a
mais que seu antecessor. A sigla que acompanha o tamanho do bloco e o número de
cilindros em “V” indica que esse propulsor é sobrealimentado, no caso, por um
compressor mecânico (supercharged) de 0,8 bar, e conta com sistema de injeção
direta de combustível, item que extrai o máximo de energia de uma gota de
gasolina, proporcionando mais força e menor consumo.
O
torque desse carro também merece menção especial. São 42,82 kgfm (o anterior
tem 33,65 kgfm), disponíveis em meras 2 500 rpm e que se mantém estável até 4
850 rpm. Ou seja, o carro conta com mais força por mais tempo. O
câmbio é o conhecido Tiptronic de seis marchas, que não faz feio. Mas uma
transmissão com dupla embreagem (DSG) seria mais apropriado, mas o equipamento
ainda não é capaz de lidar com tanto torque. Quem sabe no futuro?
Toda
essa tecnologia pode ser traduzida, e sentida, nos 5s9 que o A6 leva para
atingir os 100 km/h
partindo da imobilidade e os 250
km/h de velocidade máxima limitada eletronicamente. “É o
sedã executivo mais rápido do mundo”, garante Rafael Clemente, gerente de
produtos da Audi do Brasil. Dados técnicos da fabricante mostram números
superiores em provas de aceleração do sedã da marca das quatro argolas em
relação aos concorrentes BMW Série 5, Mercedes-Benz Classe E e Jaguar XF.
E
não é só isso. O novo A6 também possui a consagrada tração integral quattro,
componente que a Audi desenvolveu sob as mais severas adversidades da era de
ouro do Campeonato Mundial de Rali (WRC) no início dos anos 80. Altamente
evoluído, o sistema hoje equipa todos os veículos da marca com apelo esportivo,
que são beneficiados pela estabilidade e controle absoluto e preciso do
veículo.
Normalmente
o equipamento funciona no sedã enviando 60% do torque para as rodas traseiras e
os 40% restantes atuam na frente. Porém, de acordo com a situação e peso do pé
no acelerador, a transmissão de potência pode variar, chegando a até 85% na
traseira. Daí é só acompanhar o ponteiro de velocidade subindo no painel.
Rodando
na estrada o carro se porta como um legítimo esportivo. Sua dirigibilidade
empolga e se o motorista não conter seu ímpeto vai colecionar multas por alta
velocidade. Por outro lado, apesar dos quase 300 cavalos guardados debaixo do
longo capô, o A6 é dócil na cidade. Tem-se a impressão de estar guiando um
carro menor, tamanha a facilidade com que o veículo manobra em vias
estreitas.
Executiva com padrão de 1ª classe
Na
vanguarda do luxo e tecnologia, o A6 vem recheado de gadgets dignos de seu requinte e alta
qualidade de construção. Oferecido em duas versões no Brasil – Sport e
Sport Plus – o modelo varia nos detalhes. Enquanto a primeira, com preço
inicial de R$ 279 000, possui rodas e spoilers mais “comportados”, a variante
seguinte, que custa R$ 294 700, vem com rodas com desenho que sugere mais
esportividade, assim como o design mais ousado dos para-choques. O modelo mais
caro também possui acabamento interior de aço escovado e bancos concha. Já no
A6 de “entrada”, a cabine tem detalhes de alumínio e os assentos não contam com
apoio lateral mais avantajado. Adornos de madeira de lei, comuns no sedã
anterior, foram excluídos do catálogo da Audi no país.
O
A6 2009 também adota leds integrados ao conjunto óptico, moda lançada no
esportivo R8 e que hoje é um dos principais pontos do novo padrão visual da
Audi. Junto das luzes auxiliares de baixo consumo de energia, o sedã possui
faróis bi-xenon. Como opcional, o comprador ainda pode melhorar o sistema de
iluminação com o sistema Adaptive Lights (Luzes Adaptativas), aparelho que
direciona automaticamente o facho de luz em curvas e custa R$ 3 270.
Tal
como um avião executivo, o A6 também tem radar. O equipamento é o coração do
sistema Adaptive Cruise Control (Controle Adaptativo de Velocidade de
Cruzeiro), que é uma espécie de controlador de velocidade de cruzeiro, chamado erroneamente
de “piloto automático”, com controle adaptativo de distância e velocidade.
Por
meio de uma alavanca do lado esquerdo atrás do volante o motorista fixa a
velocidade, que fica marcada por um ponto luminoso no velocímetro, e determina
o quão distante quer ficar atrás do carro que viaja à frente. Se um veículo
entra nesse espaço entre os carros na mesma faixa o sedã automaticamente
diminui a velocidade obedecendo a distância estabelecida pelo condutor. Em
situações de emergência o aparelho também freia o carro sozinho, diminuindo o
risco de acidente. Mas tal tecnologia tem seu preço: R$ 10 480.
Se
estiver disposto a gastar ainda mais, o comprador pode equipar o A6 com o
sistema Audi Parking System Advanced (Sistema Avançado de Auxílio para
Estacionamento), que transmite a imagem da traseira por meio de uma camera de
vídeo e traça a melhor rota para a manobra. Outro item, também opcional, é o
Audi Side Assist, equipamento que ajuda o motorista em mudanças de faixa,
alertando se há algum carro em pontos cegos do carro. Os aparatos somam a mais
no preço carro respectivamente R$ 3 190 e R$ 4 260.
Terminada
essa avaliação compradores “mortais” certamente devem pensar – “Esse carro é
muito caro”. Sim, o A6 é caro, mas comparado a outros carros, apenas como referência, o
Audi A4 3.2 FSI (topo de linha da série no país) custa R$ 229 000 e o novo
BMW 335i com kit M sai por R$ 319 000 (ambos são sedãs médios,
atenção para esse ponto). O sedã executivo da Audi tem preço altamente
competitivo para um veículo de seu porte e requinte. É uma boa opção para quem
busca status e mais uma bela máquina para guardar em seu “hangar”.