Dennis Slice, professor de Ciências da Computação da
Universidade Estadual da Flórida (FSU), nos Estados Unidos, em parceria com
pesquisadores da Universidade de Viena, está desenvolvendo uma pesquisa para
mostrar que os carros refletem a personalidade dos seus proprietários por serem
parecidos com o rosto humano quando vistos de frente.
Adesivos
de borboletas na parte frontal, flores no painel e uma pintura verde-limão
confirma a percepção de Slice sobre um Volkswagen Beetle estacionado em frente
à universidade onde trabalha. Slice afirma que a carroceria em curvas, os
faróis arredondados e as linhas do capô do Beetle remetem a um sorriso de uma
mulher ou uma criança. “Este é o típico carro bonitinho, não dominante nem
agressivo”, diz.
Três
carros estacionados perto do Beetle ofereciam exemplos opostos de
personalidade: Mitsubishi Eclipse, Ford Mustang e Dodge Charger praticamente
exalam testosterona. As grelhas compridas e faróis relativamente estreitos dão
a estes automóveis um ar bem mais masculino. Cada um projeta uma personalidade
madura, agressiva e dominante, segundo o pesquisador.
Slice
e seus colegas de Viena esperam que a pesquisa que estão desenvolvendo possa um
dia ajudar os designers a definir quais partes do veículo (faróis, grelhas ou
parabrisas) eles podem mudar para tornar as características visuais do carro
mais atrativas para cada tipo de cliente.
De acordo com o pesquisador, a ideia de ver rostos em objetos inanimados é
parte de um instinto de sobrevivência. Ele cita como exemplo o trânsito nas
grandes cidades. Quando o motorista enxerga um veículo com visual mais
agressivo se aproximando pelo retrovisor a tendência é abrir passagem para o
carro. Ou se vê um automóvel com olhar mais inofensivo tentando entrar no meio
do tráfego, pode até ajudar o motorista a conseguir um espaço entre os carros
maiores.