Domingo, 12 de Julho de 2009         09h07        146
Há três meses no Brasil, smart fortwo ainda é atração por onde passa
G1/PCS
Milene Rios
 Há três meses no Brasil, smart fortwo ainda é atração por onde passa
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Passado três meses de seu lançamento, o smart fortwo (os nomes da marca, do modelo e das versões são escritos em letra minúscula) ainda desfila pelas ruas como novidade.

No trânsito, motoristas diminuem a velocidade e baixam o vidro para vê-lo passar. Ao estacionar, pessoas de todas as idades, principalmente crianças, o rodeiam para verem de perto e até tirarem fotos do carismático carrinho. Os mais curiosos deixam as digitais no vidro como prova da ousadia.

A explicação para que o smart ainda seja visto com certa surpresa talvez esteja na falta de campanhas publicitárias. Na verdade, ninguém sabe muito sobre o modelo que, segundo dados da Fenabrave, já vendeu 309 unidades de abril a junho deste ano. Perguntas como se o carro é elétrico, qual a potência do motor, o preço e quem comercializa no Brasil foram freqüentes durante o teste do site G1.

O smart fortwo (para duas pessoas) é importado oficialmente pela Mercedes-Benz e está à venda no país em duas versões: a coupé que parte de R$ 57,9 mil e a cabrio (conversível), que tem preço sugerido de R$ 64,9 mil. O subcompacto surgiu em 1998 na Europa e é bastante comum por lá, onde é comercializado por 9,9 mil euros (cerca de R$ 28 mil).

Quem acha que o carrinho é de brinquedo está muito enganado. A guiada é tão divertida quanto o visual. O motor a gasolina abaixo de 1 litro que equipa o modelo é turboalimentado e tem 84 cv de potência. Os números podem não ser impressionantes, mas se for levado em conta o peso de apenas 800 quilos, sobra agilidade para encarar o dia-a-dia na cidade. De acordo com a fabricante, a aceleração de 0 a 100 km/h leva 11 segundos.

O que ajuda também no ciclo urbano é o tamanho. Com 2,69 metros de comprimento, 1,56 m de largura e 1,54 m de altura o “urbaninho” cabe em qualquer vaga - ocupa quase a metade do espaço de um carro comum - e costura com facilidade o trânsito, graças também à levíssima direção com assistência elétrica. 

A grande aventura é enfrentar pisos irregulares, buracos e depressões. Com o entreeixos curto (de 1,87 m) e a suspensão dura, a sensação na cabine é de estar em uma batedeira. Já em estradas, com piso regular, o smart garante um rodar macio e valentia de gente grande. No entanto, fica nítido o desgaste que o carrinho sofre com o esforço de subir a serra, por exemplo, e por isso é indicado primordialmente para o uso urbano. Até porque no porta-malas, que tem capacidade para 220 litros, não cabe mais que duas malas pequenas ou três mochilas.

A transmissão automatizada sequencial de 5 velocidades deixa um pouco a desejar, com respostas lentas e incômodos trancos nas trocas de marchas, características comuns dos câmbios automatizados, como o Dualogic (Fiat) e o Easytronic (GM). O melhor é optar pelo modo automatizado. Caso escolha o manual, a dica é aproveitar o câmbio tipo borboleta atrás do volante para “brincar” durante o trajeto. Aos 120 km/h o conta-giros marca 3 mil rpm e o ruído na cabine é satisfatório para o pequeno propulsor. Já por fora, o barulho do motor é alto e lembra o de um buggy.

A posição de dirigir é elevada, mas não há regulagem de altura dos bancos, volante e cinto de segurança - o que dificulta a tarefa de achar uma posição confortável para dirigir. Incomoda também os pedais que são presos ao assoalho e exigem que o motorista se acostume a tirar o calcanhar do piso para frear e acelerar com precisão. Compensa o bom espaço para as pernas. Com os assentos totalmente afastados para trás, uma pessoa, de estatura média, estica totalmente as pernas. 

O acabamento é caprichado com revestimento em tecidos, inclusive no painel, e peças plásticas que imitam aço escovado. Não há porta-objetos nem porta-copos e um pequeno vão, que serve de porta-luvas, não tem tampa. “Uma questão de estilo”.

Assim como a posição da chave que fica no console central (perto da alavanca da transmissão) e o formato arredondado, meio retrô, do marcador do conta-giros e do relógio analógico localizados sobre o painel de instrumentos. O teto panorâmico transparente de policarbonato é outro charme e dá a impressão do interior ser mais espaçoso, sensação que acaba quando o motorista olha pelo retrovisor.

Na verdade, a bordo do smart, não se tem ideia do seu tamanho real em relação aos outros veículos. Isso porque quem viaja na cabine sente bastante segurança. E não poderia ser diferente. O carrinho sai de fábrica com quatro airbags (dois frontais e dois laterais), freios ABS com controles de frenagem, tração e estabilidade, crash boxes, coluna deformável e bancos de segurança.

Para quem gosta de chamar atenção, o smart é um prato cheio. Diferente de todos os modelos que há no mercado, mesmo que um dia o simpático carrinho se torne comum nas ruas, terá sempre alguém que dobrará o pescoço quando ele passar.

 

 

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