Passado
três meses de seu lançamento, o smart fortwo (os nomes da marca, do modelo e
das versões são escritos em letra minúscula) ainda desfila pelas ruas como
novidade.
No trânsito, motoristas diminuem a velocidade e baixam o vidro para
vê-lo passar. Ao estacionar, pessoas de todas as idades, principalmente
crianças, o rodeiam para verem de perto e até tirarem fotos do carismático
carrinho. Os mais curiosos deixam as digitais no vidro como prova da ousadia.
A
explicação para que o smart ainda seja visto com certa surpresa talvez esteja
na falta de campanhas publicitárias. Na verdade, ninguém sabe muito sobre o
modelo que, segundo dados da Fenabrave, já vendeu 309 unidades de abril a junho
deste ano. Perguntas como se o carro é elétrico, qual a potência do motor, o
preço e quem comercializa no Brasil foram freqüentes durante o teste do site G1.
O smart fortwo (para duas pessoas) é importado oficialmente pela Mercedes-Benz
e está à venda no país em duas versões: a coupé que parte de R$ 57,9 mil e a
cabrio (conversível), que tem preço sugerido de R$ 64,9 mil. O subcompacto
surgiu em 1998 na Europa e é bastante comum por lá, onde é comercializado por
9,9 mil euros (cerca de R$ 28 mil).
Quem
acha que o carrinho é de brinquedo está muito enganado. A guiada é tão
divertida quanto o visual. O motor a gasolina abaixo de 1 litro que equipa o modelo
é turboalimentado e tem 84 cv de potência. Os números podem não ser
impressionantes, mas se for levado em conta o peso de apenas 800 quilos, sobra
agilidade para encarar o dia-a-dia na cidade. De acordo com a fabricante, a
aceleração de 0 a100 km/h
leva 11 segundos.
O que ajuda também no ciclo urbano é o tamanho. Com 2,69 metros de
comprimento, 1,56 m
de largura e 1,54 m
de altura o “urbaninho” cabe em qualquer vaga - ocupa quase a metade do espaço
de um carro comum - e costura com facilidade o trânsito, graças também à
levíssima direção com assistência elétrica.
A grande aventura é enfrentar pisos irregulares, buracos e depressões. Com o
entreeixos curto (de 1,87 m)
e a suspensão dura, a sensação na cabine é de estar em uma batedeira. Já em
estradas, com piso regular, o smart garante um rodar macio e valentia de gente
grande. No entanto, fica nítido o desgaste que o carrinho sofre com o esforço
de subir a serra, por exemplo, e por isso é indicado primordialmente para o uso
urbano. Até porque no porta-malas, que tem capacidade para 220 litros, não cabe
mais que duas malas pequenas ou três mochilas.
A
transmissão automatizada sequencial de 5 velocidades deixa um pouco a
desejar, com respostas lentas e incômodos trancos nas trocas de marchas,
características comuns dos câmbios automatizados, como o Dualogic (Fiat) e o
Easytronic (GM). O melhor é optar pelo modo automatizado. Caso escolha o
manual, a dica é aproveitar o câmbio tipo borboleta atrás do volante para
“brincar” durante o trajeto. Aos 120 km/h o conta-giros marca 3 mil rpm e o
ruído na cabine é satisfatório para o pequeno propulsor. Já por fora, o barulho
do motor é alto e lembra o de um buggy.
A posição de dirigir é elevada, mas não há regulagem de altura dos bancos,
volante e cinto de segurança - o que dificulta a tarefa de achar uma posição
confortável para dirigir. Incomoda também os pedais que são presos ao assoalho
e exigem que o motorista se acostume a tirar o calcanhar do piso para frear e
acelerar com precisão. Compensa o bom espaço para as pernas. Com os assentos
totalmente afastados para trás, uma pessoa, de estatura média, estica
totalmente as pernas.
O
acabamento é caprichado com revestimento em tecidos, inclusive no painel, e
peças plásticas que imitam aço escovado. Não há porta-objetos nem porta-copos e
um pequeno vão, que serve de porta-luvas, não tem tampa. “Uma questão de
estilo”.
Assim como a posição da chave que fica no console central (perto da
alavanca da transmissão) e o formato arredondado, meio retrô, do marcador do
conta-giros e do relógio analógico localizados sobre o painel de instrumentos.
O teto panorâmico transparente de policarbonato é outro charme e dá a impressão
do interior ser mais espaçoso, sensação que acaba quando o motorista olha pelo
retrovisor.
Na verdade, a bordo do smart, não se tem ideia do seu tamanho real em relação
aos outros veículos. Isso porque quem viaja na cabine sente bastante segurança.
E não poderia ser diferente. O carrinho sai de fábrica com quatro airbags (dois
frontais e dois laterais), freios ABS com controles de frenagem, tração e
estabilidade, crash boxes, coluna deformável e bancos de segurança.
Para quem gosta de chamar atenção, o smart é um prato cheio. Diferente de todos
os modelos que há no mercado, mesmo que um dia o simpático carrinho se torne
comum nas ruas, terá sempre alguém que dobrará o pescoço quando ele passar.