Limpeza
e substituição das velas, melhor aproveitamento da rotação do motor e como usar
o óleo da direção hidráulica são alguns dos temas solicitados pelos internautas
para esclarecer dúvidas sobre a manutenção do carro. Confira abaixo as
respostas para algumas perguntas formuladas pelos leitores do G1.
Até onde posso esticar a marcha? Meu
carro tem motor 1.0 e sempre passo marchar quando a rotação chega em 3 mil rpm.
Seu eu passar disso pode provocar alguma coisano motor? - Diego Ricardo, Recife, PE
Cada
carro tem o giro ideal para melhor aproveitamento do motor, seja de desempenho
ou economia. Ela varia de acordo com o tipo de combustível, cilindrada. Trocar
de marcha aos 3.000 giros ou rpm (rotações por minuto) do motor é uma
forma de condução. Pode passar disso sim, mas quanto maior for a rotação, mais
estará sendo o consumo de combustível, assim não convém fazer isso o tempo
todo.
Não
existe uma regra geral, mas de qualquer modo precisamos ficar atentos aos
limites de velocidade. Assim, para uma via cujo limite de velocidade é 60 km/h o mais apropriado
para a maioria dos carros é acelerar a primeira até algo em torno de 2.500
giros do motor e passar para a segunda marcha. Na ocasião, os giros devem cair
um pouco. Assim, você deve acelerar até os 2.500 giros novamente e passar para
a terceira, seguindo assim por diante até a quinta marcha. Utilizando esse
método pode se acelerar até em torno de 3.000 rpm.
A dica é mais apropriada para carros a álcool ou gasolina. Para motores a
diesel as rotações são menores. Se o seu carro não tiver conta giros, pode-se
basear pela velocidade também. Ao sair, utilize a primeira até 15 ou 20 km/h, passe para a
segunda marcha e vá até 30
km/h. Coloque a terceira e acelere até 40 km/h ou 45 km/h quando então deve
ser colocada a quarta. Para utilizar a quinta marcha, o melhor é apenas após os
60 km/h,
assim, você deve colocá-la apenas quando o limite de velocidade for acima dessa
velocidade. Vale lembrar que caso as rotações extrapolem a faixa vermelha do
conta giros, os motores equipados com injeção eletrônica contam com um corte de
injeção para poupar o motor.
Qual é a diferença entre velas para carros a gasolina e a álcool? - Janaína
Alves
Como álcool e gasolina possuem características diferentes, as velas de ignição
também são diferentes e a principal alteração é em relação ao grau térmico.
Para motores movidos apenas a álcool a vela é do tipo mais fria e para gasolina
do tipo quente. Já as velas para motores do tipo flex abrangem uma faixa maior
de funcionamento a fim de se evitar a perda de eficiência.
A vela em estado ruim provoca falha
no motor? - Benito Conde
A vela de ignição quando fica velha ou está com defeito provoca falhas no motor
sim. Aliás, compromete o desempenho do motor de forma drástica, sem contar o
rendimento. Portanto, falhas no motor, pode ser um indício de problemas com as
velas de ignição. A lista de conseqüências é grande, mas além das falhas está
também a dificuldade em funcionar o motor.
Limpar as velas resolve? Ou elas
precisam mesmo ser substituídas após certo tempo? - Alessandro
A limpeza da vela de ignição não serve para nada. Aliás, no seu funcionamento
normal ela não deve sujar. Se a peça estiver apresentando aspecto estranho,
como sujeira ou resíduos de óleo, por exemplo, isso pode revelar que o motor
não está trabalhando corretamente. A recomendação de troca da vela de ignição
varia de acordo com o fabricante, mas fica entre 10 mil e 15 mil quilômetros.
Existem velas especiais, com eletrodos múltiplos, com eletrodos de prata, entre
outras, que podem durar até 30 mil quilômetros ou mais. Mas vale lembrar que a
durabilidade da vela vai depender do combustível utilizado e das condições de uso.
Quando devo trocar os cabos de velas e o sensor lambda? - Fernando Rosateli
As velas de ignição requerem inspeção periódica e após certo tempo de uso a
troca, conforme recomendado pelo fabricante. Já os cabos de vela não exigem a
substituição. Porém, é necessária a inspeção a fim de se detectar alguma
ruptura. Um pequeno rasgo no cabo de vela, por exemplo, pode desencadear uma
série de problemas, desse modo a troca se faz necessária.
A sonda lambda tem como função medir a quantidade de oxigênio que há nos gases
de escape por isso também é chamada de sensor de oxigênio. Isso ajuda a central
da injeção eletrônica a determinar se deve injetar mais ou menos combustível no
motor, melhorando a queima e reduzindo as emissões. Sua troca não deveria ser
comum, embora certos mecânicos atribuam algumas falhas a essa peça e assim, na
grande maioria dos casos, esse componente é trocado sem apresentar qualquer
defeito. A sonda é mais o efeito do problema e não a causa. Normalmente esse
sensor apresenta alta durabilidade, algo para mais de 80 mil quilômetros.
É preciso regular a vela em carros que usam como combustível principal
o gás GNV? - Claudio Renato Gouveia
O GNV é combustível que tem como característica a condição de mistura
ar/combustível "muito pobre", com isso a dificuldade de centelhamento
é muito maior. Em outras palavras, essa condição do combustível requer maiores
tensões do sistema de ignição. Desse modo os carros equipados com motores a gás
devem utilizar velas de melhor de ignibilidade. As velhas de melhor desempenho
são as mais indicadas e na conversão do motor já são previamente ajustadas para
esse uso, que requer uma redução da abertura entre os eletrodos entre 0,1 e 0,2 mm em relação à medida
para motores convencionais. Ao utilizar GNV as velas de ignição devem ser
substituídas com a metade da quilometragem recomendada pelo fabricante.
Meu carro não é flex, e eu quando vou
abastecer faço a mistura no tanque usando meio álcool e meio gasolina. Isso
causa algum dano? - Ederson Miranda
Qualquer mistura pode trazer problemas, alguns até de maior gravidade. O
problema fica ainda maior porque alguma possível alteração de rendimento ou
desempenho pode não ser percebida pelo usuário. Saiba que ao utilizar uma
parcela de gasolina no carro a álcool pode-se desencadear uma detonação prévia,
devido à taxa de compressão mais elevada e a curva de ignição mais avançada do
motor a álcool. Isso danifica o motor. Um exemplo disso é quando o motor começa
a grilar, ou seja, começa a apresentar umas batidas secas ao imprimir
aceleração em uma marcha mais longa.
Colocar álcool no carro a gasolina para economizar na bomba de combustível
também pode trazer prejuízos. O primeiro indício negativo dessa prática é o
rendimento insatisfatório do veículo. Junto, vem a perda de potência do motor
que influencia no aumento do consumo. Isso é prejuízo no bolso ao final das
contas. Em um estágio mais avançado acontece a corrosão do sistema de injeção
eletrônica, que passa a trabalhar de maneira incorreta e logo pode sofrer uma
pane. Nessa situação o valor do reparo será alto, fora o transtorno de poder
ficar a pé.
O sistema de escapamento do motor a gasolina também não tolera a corrosão e aí
a troca deverá ser completa, incluindo abafador, silenciador e catalisador.
Além disso, essa mistura eleva o nível da contaminação ambiental por gases e
partículas poluentes. Se esse carro for pego em uma inspeção não vai passar. Em
resumo: a economia aparente se reverte em um enorme prejuízo.
Quais são as implicações negativas de
um motor a gasolina ou álcool trabalhar com óleo acima do nível normal? - José Antonio de Souza Monteiro
Tudo em excesso não é nada bom. No caso do reservatório do óleo do motor estar
com o nível acima do recomendado pelo fabricante, ou seja, acima do nível
máximo da vareta, haverá aumento de pressão no cárter e o que pode acontecer é
romper alguns vedadores e retentores do motor. Com isso o motor passará a ter
vazamentos. Fora isso, o excesso poderá forçar os anéis de vedação, que separam
o óleo lubrificante da mistura ar/combustível e se isso acontece o motor começa
a queimar óleo, sujando as velas e as válvulas, danificando também o
catalisador no sistema de descarga do veículo.
Como deve ser feita a verificação do
óleo de direção hidráulica? O ar condicionado deve passar por limpeza
profissional de quanto em quanto tempo? - Thiago Prata, Ipatinga, MG
No caso do fluido da direção hidráulica é preciso checar o nível uma vez por
mês. Para fazer essa medição, basta abrir o reservatório e conferir, por meio
do medidor existente na própria tampa. Se for necessário, complete com o óleo
indicado pelo fabricante no manual do proprietário. Quanto ao sistema do
ar-condicionado é recomendável fazer uma inspeção anual.
Nesse serviço será
verificado o filtro, que retém impurezas vindas do ar externo e também pode
acumular fungos se não for trocado periodicamente, além de possíveis
vazamentos. O nível do gás também é checado. Se ele não estiver em ordem o
condicionador não vai esfriar o ambiente.