Prisma recoloca Chevrolet entre sedãs 1.0 e enfrenta versão do Fiat Siena
Folha/PCS
Parece
ficção, mas a cena é real. Na saída de um casamento, o sedã foi retirado do
estacionamento próximo à catedral e, no portão, o manobrista, certeiro,
disparou: "É o Palio".
Não.
É o Fiat Siena EL com um quê de Palio. Antigo. Ele está entre a versão Fire,
com carroceria da terceira geração, e a ELX, que adota os novos faróis também
presentes na perua Weekend e no Palio 2010.
A
única diferença visual do Siena EL é justamente a frente do Palio anterior, com
grade menor e faróis de parábola simples, têm alcance pior.
Mesmo
assim, ele é o rival incontestável do Chevrolet Prisma, ainda com sua traseira
de Vectra desnutrido e frente de Celta reestilizado. Chegando bem perto da
grade dianteira dá para ouvir o sedã sussurrar: "Queria ser um
Vectra".
Dá
para ouvir também o barulho do "novo" motor 1.0. "Novo"
porque esse VHC-E está há tempos no Celta. Só não equipava sua versão sedã.
Isso
coloca o Prisma no lugar dele --entre os sedãs de entrada e, agora, à sombra do
Volkswagen Voyage e do Renault Logan.
Em
um mercado em que prata é senso comum, o vermelho dos modelos avaliados pela Folha
pode ser o sentimento de disputa escapando do subconsciente das montadoras.
O
segmento de sedãs pequenos foi um dos que mais cresceu nos últimos anos. Com
preços atraentes e bom espaço interno, os três-volumes caíram nas graças do
consumidor.
Preços
O
Prisma é mais barato e parte de R$ 27.686. O Siena começa em R$ 29.160, mas
justifica a diferença com direção hidráulica e computador de bordo de série.
Com mais R$ 3.434, é possível levar o ar-condicionado e os vidros e travas
elétricos.
No
Prisma, direção hidráulica só na versão topo de linha Maxx, que custa R$ 28,8
mil sem o ar-condicionado.
O
Fiat ainda pode ter airbag duplo e freios ABS, indisponíveis no sedã da
Chevrolet.
Não
se pode esperar muito de motores 1.0. Nos dois carros, esqueça a faixa da
esquerda e fuja das subidas longas.
O
Prisma é melhor em arrancadas e sabe aproveitar os 78 cv que o VHC-E
disponibiliza.
O
teste Folha-Mauá revelou que o
modelo chega a ser até 3s mais rápido que o rival nas provas de aceleração. Nas
retomadas, o desempenho do Siena é ainda pior --até 5s mais lento.
E
não adianta exigir muito porque ele chora. Da cabine, o motorista pode ouvir o
esforço do propulsor de 75 cv.
Aí
é que vale a pena o sistema de som opcional (R$ 1.467), que disfarça bem o
barulho.
Em
consumo médio, o Prisma rende um quilômetro a mais, se abastecido com álcool.
Com
bagagem, melhor para o porta-malas do Siena. São 500 l contra 439 l do Prisma.
Mas
quem chega primeiro nem sempre teve a viagem mais confortável. E o sedã da Fiat
tem outros méritos que não só o interior e o bagageiro.