“Nós
chegamos na hora certa”. É assim que o presidente da Volkswagen do Brasil,
Thomas Schmall, define o lançamento da nova geração da Saveiro.
Com
a mesma cara e o espírito do irmão Novo Gol, a picape começa a ser vendida
na próxima semana e tem a missão de mudar a história da marca alemã no segmento
de picapes leves no país. Lançada em 1982 e líder de vendas nos anos 90, hoje a
Saveiro ocupa a terceira posição no ranking, atrás da Fiat Strada e Chevrolet
Montana. Mas, impulsionada pelo crescimento nas vendas de comerciais
leves, a Volks quer dar a volta por cima.
Para
enfrentar a concorrência o primeiro passo foi usar a mesma base do bem sucedido
Gol G5. Do hatch foram herdados o motor 1.6 flex de 104 cavalos (álcool), o
câmbio manual de cinco marchas, o painel de instrumentos e a dianteira. Mas,
feita sobre uma nova plataforma, outras mudanças foram bem-vindas.
A
picape da Volks conta agora com a versão cabine estendida, o estepe
foi parar embaixo do carro, a lateral ganhou apoio de pé para acesso a caçamba
(que tem 65 litros
a mais de capacidade), a traseira ficou mais larga do que a dianteira, o que
deixou o visual da picape mais agressivo, e a suspensão foi trabalhada para
garantir mais conforto e estabilidade.
Design
e conjunto mecânico acertados faltava apenas o preço. De olho nos
concorrentes, a marca alemã reduziu os valores em relação à
versão cabine simples anterior em cerca de R$ 700, mas o pacote de itens
de série ficou enxuto em todas os modelos, assim como ocorreu com o Novo Gol.
Para se ter uma ideia, a versão de entrada, que é chamada apenas de Saveiro
1.6, parte de R$ 30.990 com cabine simples e R$ 33.690 com cabine estendida,
mas não traz calotas nas rodas, o para-choque é sem pintura e a alavanca do
freio de mão não tem revestimento.
A
Volkswagen explica que a “economia” é para atender as necessidades dos
clientes, já que essa versão será mais voltada ao uso comercial. Nos modelos de
entrada é oferecido o pacote Trend com itens mais estéticos do que
funcionais. Por R$ 890, na versão simples, e R$ 920, na versão
estendida, são acrescentados calota, para-choques na cor do veículo,
detalhes cromados no painel e revestimento em tecido na lateral das portas.
Já
a topo de linha, a Trooper, também oferecida com cabine simples ou estendida,
que partem de R$ 36.440 e R$ 38.990, respectivamente, tem um visual
semelhante ao da picape média Robust, apresentada pela marca alemã no
Salão do Automóvel de São Paulo, no ano passado. As rodas de aço que calçam
pneus de aro 15 são pintadas de cinza chumbo, os faróis têm máscaras
negras e a lateral e a traseira trazem adesivos exclusivos da versão.
Estão
incluídos também faróis de neblina, brake-light na caçamba, direção hidráulica,
computador de bordo, janela traseira corrediça, volante com regulagem de altura
e profundidade e o acabamento interno mais caprichado. Para quem não abre mão
de alarme, vidros e travas elétricas, terá que pagar mais R$ 3.500, pois o
kit é oferecido somente como opcional. O airbag duplo e o freio ABS
acrescentam R$ 2.675 ao valor do modelo.
O
G1 andou na versão de entrada, cabine simples e com
a caçamba vazia e no modelo topo de linha, cabine estendida e carregado com
350 litros
de bagagem. Ao volante é fácil encontrar uma posição para dirigir, já que todos
os modelos trazem regulagem de altura do banco do motorista e, na versão
topo de linha, há também os ajustes do volante.
Os
assentos, revestidos em tecido, encaixam bem o motorista e a posição de dirigir
elevada dá bastante segurança. A visibilidade é muito boa, mas quem optar
pelas barras horizontais de proteção na janela traseira terá a visão
prejudicada.
A guiada é muito parecida com a do irmão Gol, mas sem bagagem, o modelo mostra
mais disposição. A agilidade é reforçada pelo câmbio manual com engates curtos
e precisos. Com a caçamba cheia, o carro demora a embalar, mas cumpre bem a
função de veículo de carga.
A
suspensão, que foi totalmente trabalhada e traz um sistema semelhante ao
utilizado no VW Golf, deixa o carro mais no chão, mesmo com a caçamba
livre, situação que costuma aumentar as escapadas de traseira. A nova
calibragem também filtra melhor as trepidações causadas pelas irregularidades
do piso e contribui para o conforto de quem viaja na cabine.
Por
falar em viajar, na cabine simples, além dos 924 litros da caçamba é
possível aproveitar 108
litros atrás dos assentos. Já na versão estendida, o
volume de carga na caçamba é reduzido para 734 litros, mas dentro
da cabine sobe para 300
litros, capacidade que é maior do que a
do porta-malas da maioria dos hatches pequenos como o próprio Gol (285 l), o Fiat Palio (290 l), o Ford Ka (263 l) e o Chevrolet Celta (260 l).
Para
facilitar o carregamento da caçamba e reduzir o peso da tampa, a porta traseira
ganhou molas a gás. Outra novidade é o fechamento com chave que protege contra
furtos, principalmente do estepe que fica preso sob o assoalho da caçamba.
A Volkswagen não divulgou o mix de vendas, mas afirmou que
pretende comercializar cerca de cinco mil unidades da nova Saveiro por
mês. Hoje, a média de vendas é de 2.300 unidades. Mesmo que atinja essa meta, a
picape da Volkswagen ainda ficará posicionada atrás da rival Fiat que vende
cerca de 7.100 unidades por mês da Strada.
A nova Saveiro é o 10º lançamento de 16 novidades anunciadas pela Volkswagen do
Brasil até o final de 2009. Nos próximos quatro meses são aguardados mais seis
lançamentos, entre eles, a Amarok, modelo que irá estrear a participação da
Volkswagen no segmento de picapes médias.