Último
dos oito lançamentos da Nissan previstos no programa Shift_Mercosul que durou
três anos, o Livina X-Gear traz o apelo aventureiro para a linha do monovolume
fabricado pela montadora japonesa no Brasil.
Apesar
do visual mais esportivo, o modelo recebeu apenas mudanças estéticas: ganhou
novo para-choque, com faróis de neblina de série, exclusiva grade cromada,
rodas de liga leve aro 15, barras de teto para levar pranchas de surfe ou
bicicletas, molduras na cor preta e adesivos que identificam o modelo.
O
carro chega às lojas no próximo dia 8 com preço sugerido de R$ 51.700. O Livina
X-Gear terá como principais concorrentes o Fiat Idea Adventure, Kia Soul,
Citroën XTR e Peugeot 207 SW Escapade. O modelo será oferecido com duas
configurações de motores: 1.6 16V Flex e 1.8 16V Flex (esta versão vai custar a
partir de R$ 63.700).
O
1.6 16V Flex, que desenvolve 104 cavalos com gasolina e 108 cavalos com álcool,
é acoplado à caixa manual de cinco marchas. Já o motor 1.8 16V de quatro
cilindros desenvolve 125 cv com gasolina e 126 cv com álcool. Nesta versão, o
X-Gear tem câmbio automático de quatro velocidades. O G1 avaliou a novidade em
um trajeto da capital paulista até a cidade de Porto Feliz, no interior de
São Paulo.
Porém,
nada muda em relação ao Livina. Motor e espaço interno continuam a ser o
principal atrativo do carro. O modelo 1.6 não fica muito atrás do 1.8, devido
às respostas satisfatórias nas ultrapassagens, à força nas arrancadas e à
rápida aceleração. O porta-malas comporta 449 litros e, com os
bancos rebatidos, 769
litros, ideal para um casal ou uma família de, no
máximo, quatro pessoas.
De acordo com a Nissan, o Livina 1.6 faz com álcool 7,7 km/l na cidade e 10,5
km/l na estrada. Abastecido com gasolina, a relação sobe para 12,8 km/l na
cidade e 17,5 km/l na estrada. Já o desempenho da versão 1.8 com câmbio
automático é de 6,7 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada.
Durante
o teste, em uso misto, a média ficou em cerca de 8 km/l. Por outro lado, o
modelo não possui regulagens de altura do banco e do cinto de segurança, não é
equipado com computador de bordo e o ruído interno é elevado comparado ao
Tiida, o hatch médio da marca. Como se trata de um carro urbano, a suspensão só
não é tão confortável na estrada. Apesar de macia na cidade, em rodovias, ela
não proporciona tanta estabilidade, especialmente em curvas acentuadas.
Próximos investimentos no
Brasil
Ao todo, a Nissan investiu
US$ 150 milhões para a nacionalização de produtos, ampliação da rede de
concessionárias, pós-venda e lançamento dos modelos Tiida, Sentra, X-Trail,
Murano, nova Frontier, Livina, Grand Livina e Livina X-Gear. “Esta é a
conclusão de uma etapa de crescimento da Nissan do Brasil. Vamos passar de 1%
de market share no mercado brasileiro este ano”, afirma o presidente da Nissan
do Brasil, Thomas Besson.
Mas os esforços da montadora
não param nesse patamar de crescimento. Para o início de 2010 está
previsto o anúncio do novo plano de investimentos, que contará com a chegada de
um carro de entrada da marca, provavelmente, em 2012. Até lá, a montadora se
preocupará em reforçar a presença dos modelos da gama.
Por enquanto, a montadora não fala em retomar a ideia de vender no Brasil a
versão sedã do hatch Tiida, desenvolvida em parceria com a Chrysler, que seria
vendida no país com a marca Dodge e o nome Trazo. O modelo chegou até a ser
exibido no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro de 2008, mas o projeto
foi cancelado devido ao fim da aliança das duas marcas por causa da crise.
Enquanto os projetos futuros ainda são nebulosos, a Nissan acredita que 2009
fechará com a venda de 25 mil unidades. O volume representa crescimento de 45%
das vendas sobre o resultado de 2008, com 17.390 unidades comercializadas no
mercado nacional. “Para o mercado geral, prevemos a venda de 2,9 milhões de
automóveis e comerciais leves, mesmo com o fim do desconto sobre o IPI.
Para 2010, nossas previsões
são mais conservadoras e acreditamos em um mercado de 2,75 milhões de unidades,
contando com o fim do IPI, apesar de os financiamentos estarem mais baratos”,
analisa Besson. O executivo afirma que a Nissan fechará este ano com lucro.
Tal crescimento da marca japonesa no país é resultado dos novos lançamentos que
incluem motorização flex. E o Livina está entre eles. Trazer a versão X-Gear,
apenas com mudanças estéticas, já que o carro não sofreu alterações na altura
da suspensão, é uma forma de atrair o público jovem que opta por um automóvel
mais despojado. “Mesmo assim, continuamos com foco na família, por se tratar de
um produto confortável e espaçoso”, afirma o gerente de marketing-produto da
Nissan, Mário Furtado.