Todos os dias o motorista
acompanha a divulgação de uma série de evoluções nos automóveis. Essas
melhorias estão por todos os cantos de um veículo, mas uma dessas sofisticações
em específico, muita gente acompanhou alguns anos atrás, mas ainda hoje não faz
idéia de como é e como funciona. Estamos falando da injeção eletrônica.
A injeção nada mais é que um sistema de alimentação de combustível e
gerenciamento eletrônico de um motor a explosão. Ela surgiu como uma melhoria
do antigo carburador, que em determinado momento da indústria automotiva não
conseguia suprir as necessidades dos novos veículos, principalmente no que se
refere à emissão de gases poluentes e também economia de combustível.
O motor necessita de uma mistura ar/combustível perfeita em todos os regimes de
trabalho. Era isso que o aposentado carburador, por melhor que fosse e por mais
que estivesse com a regulagem no melhor acerto não conseguia obter com êxito.
Essa mistura é conhecida no jargão técnico por mistura estequiométrica.
Quando o motor começa a
funcionar os pistões sobem e descem dentro dos cilindros. Um sensor, chamado de
sensor de rotação, sinaliza para a central de comando a rotação em que o motor
se encontra, o que representa o quanto os cilindros estão subindo e descendo. A
central analisa ao mesmo tempo o fluxo de ar medido pela borboleta de
aceleração. Esse ar foi aspirado da atmosfera e vai para o interior dos
cilindros. Com a informação do volume de ar admitido a central permite que as
válvulas de injeção liberem a quantidade ideal de combustível, gerando a
mistura de ar/combustível perfeita.
Conforme o motor é exigido a central vai calculando essa mistura, procurando
mantê-la sempre na proporção ideal. Esse esforço busca alcançar o melhor
rendimento, privilegiando a economia de combustível, porém, sem comprometer a
emissão de gases poluentes. Esse procedimento é efetuado varias vezes por
minuto.
O sistema de gerenciamento eletrônico faz a leitura por meio de sensores, que
nada mais são do que componentes instalados em vários pontos do motor. Eles são
os responsáveis por enviar informações à central. O mais conhecido deles é a
sonda lambda ou sensor de oxigênio, que fica localizado no escapamento do
automóvel. Ele informa a presença de oxigênio nos gases de escape para detectar
se a mistura está rica ou pobre. Quanto mais rica, significa que foi utilizado
mais combustível do que ar e pobre é o inverso.
Motor flex
Nos carros equipados com
motor flex, a central consegue identificar o combustível que está no tanque, ou
a proporção utilizada. Ao receber as informações encaminhadas pelos sensores, a
unidade de comando examina os dados recebidos e em conjunto com informações
gravadas em sua memória, como por exemplo detalhes do motor do veículo e os
parâmetros de fábrica. Associadas essas informações a central envia as ordens.
Do outro lado estão os
atuadores, que são os componentes que recebem informações da central e atuam no
sistema de injeção, variando o volume de combustível que o motor recebe,
corrigindo o ponto de ignição, marcha lenta, entre outras funções.
Os injetores, que são os responsáveis pela injeção de combustível no motor,
podem ser classificados em dois tipos: monoponto, que conta com apenas um
injetor para todos os cilindros e multiponto, que conta com um injetor por
cilindro. Apesar do nome, eles injetam combustível de forma indireta, ou seja,
o dispositivo está posicionado antes das válvulas de admissão. Entretanto,
existe também o sistema de injeção direta, em que os injetores de combustível
injetam direto dentro da câmara de combustão.
Apesar de ser mais durável, a injeção, assim como qualquer componente mecânico,
requer manutenção e cuidados. A cada 40 mil quilômetros é importante fazer uma
inspeção e se for o caso, limpar os bicos da injeção eletrônica. Isso é
importante porque a sujeira presente no combustível pode entupir o sistema, o
que compromete o consumo e interfere no desempenho do motor.
A manutenção deve ser
efetuada por um reparador capacitado, uma vez que os componentes eletrônicos
que fazem parte do sistema, quando manuseados de forma incorreta, podem ficar
danificados. A dica mais importante de todas, no entanto, é: lembre-se de
utilizar combustível de boa qualidade.