Novo Enem terá apoio dos Correios e da Polícia Federal
Folha/PCS
O novo Enem será realizado
por uma força-tarefa formada pela Fundação Cesgranrio e pelo Cespe, ligado à
UnB (Universidade de Brasília). As entidades terão o apoio dos Correios, da
Força Nacional de Segurança e da Polícia Federal, que atuará na área de inteligência.
A data do exame ainda não
foi fechada, mas a previsão é que os 4,1 milhões de estudantes inscritos façam
a prova entre a última semana de novembro e a primeira de dezembro.
As duas instituições irão
substituir o Connasel, consórcio que havia vencido a licitação para impressão,
distribuição e correção do Enem. O MEC anunciou ontem o rompimento do contrato
por conta do vazamento da prova.
Tanto o Cespe quanto a
Cesgranrio têm experiência na realização de vestibulares e concursos públicos.
Além do vestibular da UnB, o Cespe foi o responsável por provas de concurso
público para diversos órgãos. A Fundação Cesgranrio venceu todas as 11 últimas
concorrências para realizar o Enem.
Neste ano, a Cesgranrio não
quis participar da licitação porque considerou não haver tempo hábil entre a
licitação e a data da prova 78 dias, dos quais 15 poderiam acabar sendo
tomados pela análise de recursos das concorrentes. O Connasel disputou sozinho
a licitação.
Elas serão contratadas sem
licitação devido ao caráter emergencial da prova. O valor do contrato não foi
divulgado.
Quebra de contrato
Ontem, o Ministério da
Educação oficializou o rompimento do contrato com o Connasel. Segundo o MEC, a
iniciativa foi tomada em comum acordo.
O consórcio, liderado pela
empresa baiana Consultec, também era formado pela Cetro, de SP, e pela FunRio,
do Rio. Ele já havia gasto R$ 38 milhões dos R$ 116 milhões contratados quando
o vazamento da prova foi confirmado, na semana passada.
Ainda não se sabe quem
arcará com o prejuízo. Segundo o MEC, se for comprovada a responsabilidade do
consórcio na fraude, a União irá entrar na Justiça para pedir ressarcimento.
"Falar agora [que a culpa do vazamento é do consórcio] seria
prejulgamento", disse o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes.
Desde domingo, o ministério
já havia resolvido pela quebra de contrato, mas adiou o anúncio oficial por um
dia até receber parecer favorável da área jurídica, para evitar o pagamento de
multa ou parcela do contrato.
Além do vazamento da prova,
que ocorreu numa etapa de responsabilidade do consórcio, o MEC ainda considerou
grave o fato de parte das provas ficar armazenada em casa de professores.
"A responsabilidade passada será apurada no momento apropriado, haverá um
processo administrativo para isso", disse Fernandes.
Assim como a nova data do
Enem, as mudanças no esquema de segurança do exame para evitar uma nova fraude
só deverão ser anunciadas amanhã.
Hoje, o ministro Fernando
Haddad (Educação) se reúne com Tarso Genro (Justiça) para conversar sobre a
participação da Polícia Federal no esquema de segurança. O Inep já havia
montado uma prova reserva, que será aplicada quando for fechada a nova data do
exame.