Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010         10h28        147
Caramujos gigantes infestam bairros de Dourados
Dourados Agora
Caramujos gigantes da espécie Achtina fulica voltam a infestar bairros de Dourados.

De acordo com o biólogo do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Thiago Pires, a maior concentração dos moluscos está em locais próximos a terrenos baldios mal conservados. Dentre os bairros mais afetados estão o Água Boa, Jardim Flórida, Parque Alvorada, Vila Industrial e Parque Alvorada.

Segundo ele, em épocas de chuva dobra o número de denúncias ao CCZ; em média, de três a cinco reclamações por dia. "Uma equipe se desloca para o local e identifica o foco dos moluscos. Imediatamente eles são eliminados".

Na casa de Mara Bueno dos Santos, na Vila Esperança, a forte concentração dos moluscos preocupa. "Eles estão por toda a parte. Costumo preparar água com sal para evitar que eles entrem em casa porque tenho medo da transmissão de doenças", disse.

Thiago explica que a única forma de conter os moluscos de maneira segura é através da coleta manual e incineração, já que nenhum lesmicida foi autorizado ou recomendado pelo Ministério da Saúde para ser utilizado neste caso. "O morador precisa utilizar sempre luvas para evitar doenças. Ele recolhe os caramujos, coloca em um latão de lixo e incinera. A água com sal desidrata o caramujo, mas os vermes continuam a transmitir doenças", conta.

Ele explica que em Dourados é impossível o extermínio do molusco. "Ele já se espalhou por toda a cidade. Em épocas de sol ele fica embaixo da terra. Na umidade eles saem na superfície em busca de alimento.

A melhor maneira de amenizar o problema é manter os quintais sempre livre de folhas ou entulhos no chão. O acesso fácil é predominante para infestações", revela, observando que o CCZ já constatou locais onde habitavam mais de 100 caramujos.

"Quando eles percebem que a espécie está diminuindo, o grupo inicia processo de reprodução rápida", disse. A angiostrongilíase meningoencefática humana (ou meningite eosinnofilica) e a angiostrongilíase abdominal são as principais doenças. Ambas podem levar a morte, segundo o biólogo.

SEM PREDADORES

A forte concentração da espécie se deve a ausência de predadores naturais. O molusco foi trazido há mais de 10 anos do continente africano para o Brasil. Confundido com o escargot, ele acabou sendo abandonado por não dar lucro aos produtores.

Alguns criadores jogaram os moluscos nos rios e córregos de Dourados, local propício para que eles se alastrassem e invadissem casas de vários bairros em Dourados.

 

 

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