Caramujos gigantes da espécie Achtina fulica voltam a infestar
bairros de Dourados.
De acordo com o biólogo do Centro de Controle de Zoonoses
(CCZ), Thiago Pires, a maior concentração dos moluscos está em locais próximos
a terrenos baldios mal conservados. Dentre os bairros mais afetados estão o
Água Boa, Jardim Flórida, Parque Alvorada, Vila Industrial e Parque Alvorada.
Segundo ele, em épocas de chuva dobra o número de denúncias ao
CCZ; em média, de três a cinco reclamações por dia. "Uma equipe se desloca
para o local e identifica o foco dos moluscos. Imediatamente eles são
eliminados".
Na casa de Mara Bueno dos Santos, na Vila Esperança, a forte
concentração dos moluscos preocupa. "Eles estão por toda a parte. Costumo
preparar água com sal para evitar que eles entrem em casa porque tenho medo da
transmissão de doenças", disse.
Thiago explica que a única forma de conter os moluscos de maneira
segura é através da coleta manual e incineração, já que nenhum lesmicida foi
autorizado ou recomendado pelo Ministério da Saúde para ser utilizado neste
caso. "O morador precisa utilizar sempre luvas para evitar doenças. Ele
recolhe os caramujos, coloca em um latão de lixo e incinera. A água com sal
desidrata o caramujo, mas os vermes continuam a transmitir doenças",
conta.
Ele explica que em Dourados é impossível o extermínio do molusco.
"Ele já se espalhou por toda a cidade. Em épocas de sol ele fica embaixo
da terra. Na umidade eles saem na superfície em busca de alimento.
A melhor maneira de amenizar o problema é manter os quintais
sempre livre de folhas ou entulhos no chão. O acesso fácil é predominante para
infestações", revela, observando que o CCZ já constatou locais onde
habitavam mais de 100 caramujos.
"Quando eles percebem que a espécie está diminuindo, o grupo
inicia processo de reprodução rápida", disse. A angiostrongilíase
meningoencefática humana (ou meningite eosinnofilica) e a angiostrongilíase
abdominal são as principais doenças. Ambas podem levar a morte, segundo o
biólogo.
SEM PREDADORES
A forte concentração da espécie se deve a ausência de predadores naturais.
O molusco foi trazido há mais de 10 anos do continente africano para o Brasil.
Confundido com o escargot, ele acabou sendo abandonado por não dar lucro aos
produtores.
Alguns criadores jogaram os moluscos nos rios e córregos de
Dourados, local propício para que eles se alastrassem e invadissem casas de
vários bairros em Dourados.