Médicos condenados por negligência e excluidos do serviço público
24HNews
O
juiz da 3ª Vara da Comarca de Juína, Alexandre Delicato Pampado condenou dois
médicos por ato de negligência e imperícia no exercício da função pública,
quando do atendimento de uma gestante menor de idade no momento do parto.
A
demora no atendimento teria causado encefalopatia hipoxico-isquêmica (asfixia
perinatal) no recém-nascido durante o parto, que deixou seqüelas físicas e
mentais irreversíveis no bebê. O nome dos médicos não foi informado.
Além
disso, o magistrado determinou aos dois condenados a pagarem multa civil no
valor de 50 vezes a remuneração total percebida do Sistema Único de Saúde na
época dos fatos, corrigida pelo INPC, a ser revertida em proveito da criança.
Eles também foram proibidos de contratar com o Poder Público ou receber benefícios
ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por
intermédio de pessoa jurídica da qual sejam sócios majoritários, pelo prazo de
três anos.
De acordo com os autos, a
paciente foi ao Hospital Municipal de Juína para ter o filho pelo método
cesariana, em decorrência de ser menor de idade, como havia sido marcado pelo
médico que teria realizado todo o seu pré-natal. Contudo, ao chegar às sete
horas da manhã da data marcada, foi informada que seu parto teria sido
prorrogado.
Por volta das 18h, sem o
médico ter ido ao quarto, ela teria entrado em trabalho de parto, sentido
fortes dores e sangramento. A família teria procurado o médico, contudo recebeu
a informação de que outro profissional que seria o plantonista, seria
responsável pelo parto. A gestante teria sido encaminhada para a sala de parto
e ficado ali até o nascimento de seu filho por volta das três horas da manhã.
Conforme depoimentos de
técnicas de enfermagens, o médico plantonista não estaria no hospital e somente
compareceu após ligações das funcionárias. Ele teria ficado observando os
procedimentos feitos por elas que, ao apararem a criança, constataram que o
cordão umbilical estava enrolado ao pescoço.
O bebê não teria expressado
nenhuma reação ao nascer, sendo só então, socorrido pelo médico plantonista que
acionou a pediatra. Em sua defesa, os médicos requereram a absolvição, alegando
que não praticaram o ato de improbidade. O médico que teria agendado a cesárea
alegou que não seria o responsável pelo parto já que seu plantão teria se
encerrado às 18h.
Argumentou que a escolha
pela cesariana teria sido da mãe da adolescente. Já o plantonista, sustentou
que não poderia realizar o parto, uma vez que necessitaria da autorização do
médico que acompanhou a gestação, pois a mesma não era sua paciente e, se assim
o fizesse, estaria desobedecendo o art. 81 do Código de Ética Médica.
Contudo, para o magistrado,
os atos praticados pelos dois médicos em razão da postergação do parto, da
ausência do local de trabalho, da não intervenção médica para a realização do
procedimento, trouxeram conseqüências graves para a criança. Com isso, no seu
entendimento as alegações de ambos os médicos seriam descabidas.
O magistrado explicou que o
procedimento deveria ter sido feito pela manhã e que somente não ocorreu pelas
remarcações do próprio profissional. Com isso, ao deixar de realizar o parto da
paciente postergando para o plantão de outro médico, deixou de praticar ato de
ofício. Quanto ao plantonista, o magistrado esclareceu que não haveria razão
para deixar de realizar o parto cesariano, tão somente pelo fato da adolescente
ser paciente de outro médico.
O juiz Alexandre Delicato
Pampado explicou que o próprio Código de Ética Médica possui uma ressalva no
artigo 81 ao estipular que o tratamento pode ser alterado salvo em situação de
indiscutível conveniência para a paciente.
Outro ponto destacado foi o fato de
que “o médico plantonista não se encontrava no hospital em seu horário de
trabalho e quando lá chegou, ao invés de realizar o parto, simplesmente ficou
assistindo a técnica de enfermagem fazê-lo, como se aquilo não fosse uma de
suas obrigações médicas”. Em sua decisão, o juiz também determinou que fosse
instaurado inquérito policial para investigar duas técnicas de enfermagem que
participaram do parto, suspeitas de terem praticado o crime previsto no artigo
342 do Código Penal (falso testemunho).
As informações são da
Secretaria de Imprensa do Tribunal de Justiça.