Domingo, 17 de Janeiro de 2010         09h02        166
Candidato de concursos anulados ou suspensos deve vencer frustração
Folha/PCS
Um misto de desapontamento e desmotivação acompanham quem participou de concursos anulados ou suspensos.

"Ficamos desestimulados", diz o farmacêutico Alan Ferreira, 29, que participou de uma seleção anulada da Polícia Rodoviária Federal e de outra que permanece suspensa no mesmo órgão.

Ferreira, que deseja trabalhar na área de segurança pública, explica que, apesar de ter ficado desmotivado, não tem como deixar os livros de lado. "Para não perder o ritmo de estudo, não posso parar", analisa.

O primeiro passo do candidato determinado a conquistar uma vaga após o cancelamento do exame é saber lidar com a frustração, afirma a consultora para concursos Lia Salgado.

"Chateia, mas é um incidente de percurso", minimiza o diretor da Central de Concursos, José Luís Romero Baubeta, explicando que o cancelamento "não é regra, mas exceção".

"É uma falta de respeito", desabafa Camila Farias, 24, sobre a desorganização que levou ao cancelamento do concurso no qual concorria para o cargo de administradora, em 2009.

Até deixar o local de prova, tudo parecia ter corrido bem. Obteve um bom desempenho e já sonhava com a vaga.

Ao chegar em casa, porém, viu pela TV que uma falha na entrega dos testes impediu vários candidatos de participar.

O exame foi anulado e remarcado. O dia escolhido, no entanto, coincidiu com o de outro concurso, para o qual a administradora já estava inscrita. "Desisti da vaga", diz ela, que não interrompeu os estudos.

De fora

Não abandonar os livros é exatamente o que sugerem especialistas e professores.
Após a prova, é hora de "tirar uns dias de folga, respirar fundo e seguir em frente". "[O candidato tem que] estudar até tomar posse", indica Salgado.

Mas há quem abandone o sonho de um emprego público após denúncias de irregularidades, como a assessora de comunicação Raquel Esteves, 24.

Em 2008, de olho em uma vaga na área de comunicação de uma estatal, estudou por dois meses, pagou a taxa de inscrição e foi participar da seleção. Era sua primeira experiência no universo de concursos.

Às 8h30, hora de início do teste, aguardava na sala de provas para responder às questões. Só às 11h recebeu o teste. "Fomos orientados a responder e depois recorrer [do resultado na Justiça]", lembra Esteves.

Mas, assim que começou a ler as perguntas, percebeu que a prova era para outro cargo oferecido pela empresa e não o de sua área. Recolheram o teste, e a organizadora marcou uma nova data para a seleção.

A profissional ainda investiu: participou da segunda prova. "Por tudo o que aconteceu [a anulação] e por não ter passado, não me interessei mais em prestar concurso e obter um cargo público."

 

 

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