Candidato de concursos anulados ou suspensos deve vencer frustração
Folha/PCS
Um
misto de desapontamento e desmotivação acompanham quem participou de concursos
anulados ou suspensos.
"Ficamos
desestimulados", diz o farmacêutico Alan Ferreira, 29, que participou de
uma seleção anulada da Polícia Rodoviária Federal e de outra que permanece
suspensa no mesmo órgão.
Ferreira,
que deseja trabalhar na área de segurança pública, explica que, apesar de ter
ficado desmotivado, não tem como deixar os livros de lado. "Para não
perder o ritmo de estudo, não posso parar", analisa.
O
primeiro passo do candidato determinado a conquistar uma vaga após o
cancelamento do exame é saber lidar com a frustração, afirma a consultora para
concursos Lia Salgado.
"Chateia,
mas é um incidente de percurso", minimiza o diretor da Central de
Concursos, José Luís Romero Baubeta, explicando que o cancelamento "não é
regra, mas exceção".
"É
uma falta de respeito", desabafa Camila Farias, 24, sobre a desorganização
que levou ao cancelamento do concurso no qual concorria para o cargo de
administradora, em 2009.
Até
deixar o local de prova, tudo parecia ter corrido bem. Obteve um bom desempenho
e já sonhava com a vaga.
Ao
chegar em casa, porém, viu pela TV que uma falha na entrega dos testes impediu
vários candidatos de participar.
O
exame foi anulado e remarcado. O dia escolhido, no entanto, coincidiu com o de
outro concurso, para o qual a administradora já estava inscrita. "Desisti
da vaga", diz ela, que não interrompeu os estudos.
De fora
Não
abandonar os livros é exatamente o que sugerem especialistas e professores.
Após a prova, é hora de "tirar uns dias de folga, respirar fundo e seguir
em frente". "[O candidato tem que] estudar até tomar posse",
indica Salgado.
Mas
há quem abandone o sonho de um emprego público após denúncias de
irregularidades, como a assessora de comunicação Raquel Esteves, 24.
Em
2008, de olho em uma vaga na área de comunicação de uma estatal, estudou por
dois meses, pagou a taxa de inscrição e foi participar da seleção. Era sua
primeira experiência no universo de concursos.
Às
8h30, hora de início do teste, aguardava na sala de provas para responder às
questões. Só às 11h recebeu o teste. "Fomos orientados a responder e
depois recorrer [do resultado na Justiça]", lembra Esteves.
Mas,
assim que começou a ler as perguntas, percebeu que a prova era para outro cargo
oferecido pela empresa e não o de sua área. Recolheram o teste, e a
organizadora marcou uma nova data para a seleção.
A
profissional ainda investiu: participou da segunda prova. "Por tudo o que
aconteceu [a anulação] e por não ter passado, não me interessei mais em prestar
concurso e obter um cargo público."