Um casal
de Oregon City, nos Estados Unidos, foi condenado por
assassinato resultante negligência criminosa, depois de deixar o filho de
16 anos morrer sem procurar ajuda médica.
Jeff e
Marci Beagley são membros da igreja local Seguidores de Cristo, que prega a
cura pela fé e rejeita cuidados médicos.
O filho
do casal, Neil Beagley, morreu em junho de 2008 por causa de um entupimento
congênito nos órgãos que cuidam da excreção urinária – uma condição tratável.
Ele tinha a doença desde que nasceu, mas ela nunca havia sido diagnosticada.
O
julgamento durou duas semanas e o júri chegou ao veredicto nesta terça-feira
(2), depois de dois dias de deliberação. Dez dos 12 jurados consideraram o
casal culpado.
Religião x saúde
O caso
trouxe à tona, mais uma vez, a discussão sobre crença religiosa sendo usada
como justificativa para negar atendimento médico.
Não é a
primeira vez que uma criança cujos pais fazem parte da igreja morre de uma
doença que poderia ser tratada.
A neta
de Jeff e Marci Beagley, Ava Worthington, morreu poucos meses antes de Neil,
aos 15 meses de idade. Ela sofria de pneumonia e de uma infecção no sangue, mas
seus pais se negaram a procurar ajuda médica, optando por rezar.
Jeff e
Marci estavam presentes na casa na hora da morte. Os pais da menina, Raylene e
Carl Worthington, foram julgados e inocentados de sua morte, mas Carl foi
condenado por maus-tratos criminosos.
Argumentos
A
promotoria argumentou que o fato de os pais rejeitarem atendimento médico pôs
imensa pressão sobre Neil, que teve que se conformar com as orientações da
igreja.
A defesa, no entanto, argumentou que a questão não é tão simples e que se Jeff
e Marci Beagley soubessem que a doença do filho era tão grave, eles teriam
procurado ajuda médica.
Os
sintomas de Neil eram semelhantes aos de uma forte gripe, alegam os pais. Em
março de 2008, o jovem teve outra crise. Na ocasião, um agente de saúde do
governo o visitou em casa - depois da denúncia anônima de um familiar - e
concluiu que se tratava de uma gripe ou um resfriado.
O casal
também alegou que sua crença religiosa o absolve de qualquer obrigação de
procurar tratamento médico para o filho. Segundo eles, o adolescente também
acreditava na cura pela fé e não queria ver um médico.
Decisão “errada”
O único
jurado que falou com a imprensa após o veredicto, Robert Zegar, disse que nenhum
deles acredita que o casal seja “do mal”. “Eles apenas tomaram a decisão
errada”, disse Zegar.
Segundo
o jurado, a decisão de condenar o casal foi tomada porque na última semana de
vida de Neil, Jeff e Marci Beagley tiveram tempo suficiente para perceber que o
estado de saúde do filho se deteriorava.
Os
jurados também levaram em consideração a morte da neta do casal, em
circunstâncias semelhantes.
A pena
máxima para assassinato por negligência criminosa é de 10 anos, mas o mais
provável é que o casal seja condenado à prisão por 12 a 18 meses. O juiz pode,
inclusive, optar pela liberdade condicional, desde que eles cumpram algumas
exigências. A sentença deverá ser anunciada no próximo dia 18.