Rodeada
de grande expectativa, a Volkswagen lançou oficialmente nesta sexta-feira (5),
em Bariloche, na Argentina, a sua nova (nova mesmo), picape, a Amarok. O
veículo vai brigar por espaço no Brasil e em outros países da América Latina no
disputado segmento das picapes médias, onde até agora a marca não tinha
representante (entre as pequenas, tem a Saveiro).
No Brasil, a Amarok vai enfrentar veteranas
consagradas, como Chevrolet S10, a mais vendida; Toyota Hilux, a mais moderna; Ford
Ranger, reestilizada no ano passado; Mitsubishi L200 Triton; e Nissan Frontier.
Como a Ranger e a Hilux, a Amarok também será produzida na Argentina, mas os
preços só serão divulgados quando a picape chegar às revendas, em meados de
abril. No total, o segmento das picapes média emplaca anualmente 110 mil
unidades no Brasil.
Inicialmente, a Amarok (o nome tem origem esquimó e
significa "lobo") só estará disponível na versão única top de linha
Highline Cabine Dupla, e tem como meta enfrentar diretamente a Hilux, cujo
preço atual, segundo a Tabela Fipe, é de R$ 114 mil na versão equivalente CD
3.0 4x4 de 163 cv, movida a diesel. O modelo da VW, de concepção mais moderna,
tem motor TDI (turbodiesel) 2.0 de última geração, produzido na Alemanha, que
gera 163 cavalos de potência, com injeção commonrail e dois turbocompressores
sequenciais, liberando toque de 40 kgfm a apenas 1.750 rpm.
O câmbio é manual de seis marchas, produzido pela ZF no Brasil, e a tração é
4x2 traseira, com opção de tração 4x4 e de reduzida, acionáveis eletronicamente
por meio de um botão no console central. Segundo a VW, com esse propulsor e
câmbio a Amarok é capaz de percorrer 12,8 km com cada litro de diesel, o que
proporciona autonomia de cerca de 1.000 km (o tanque de combustível tem
capacidade para 80 litros).
Bem-acabada e dotada de itens de conforto e de
tecnologia presentes em automóveis de gamas superiores, a Amarok tem nítida
vocação para o lazer, mas sua caçamba, medindo 1,55 metro de
comprimento, 1,62 metro
de largura e oferecendo 2,52
m² de área útil, tem capacidade de carga declarada de
até 1.047 kg.
A VW não confirma a data com exatidão, mas uma outra motorização da Amarok, com
quatro cilindros e apenas um turbocompressor de geometria variável, gerando 122
cv de potência e torque de 34 kgfm a 2.000 rpm, deverá chegar ao mercado até o
final deste ano, além de duas versões mais simples e baratas (Trendline e
Comfortline). Por sua vez, uma versão mais sofisticada do que a Highline, com
tração 4x4 permanente e motor ainda mais forte, está nos planos da montadora,
mas sem previsão de lançamento.
IMPRESSÕES
AO DIRIGIR
A VW não esconde o otimismo que está depositando nos futuros resultados de
vendas da nova picape Amarok. Para apresentar o modelo a jornalistas do Brasil
e outros países da América do Sul, a montadora preparou um test-drive de
verdade, que permitiu avaliar o veículo num percurso de cerca de 170 km, o qual incluiu
estradas asfaltadas e sinuosas, longos caminhos de terra e um trecho preparado
artesanalmente para colocar à prova todos os recursos off-road que o modelo
oferece.
O design externo foi o primeiro item da Amarok a receber elogios. Bonita e
imponente, ela chama a atenção pela frente com faróis horizontais integrados
com a grade, num visual mais para automóvel do que para utilitário. A linha de
cintura alta e a suave inclinação do para-brisa dianteiro reforçam o aspecto
moderno -- que, ao primeiro olhar, remete à lembrança das atuais Hilux, a rival
a ser batida.
A boa impressão permanece no interior do veículo. O acabamento é muito bom e as
portas, tanto as dianteiras quanto as traseiras, oferecem amplos ângulos de
abertura, permitindo acesso fácil mesmo para motorista e passageiros de maior
estatura. O volante tem diâmetro menor do que comumente se encontra em
utilitários, uma excelente empunhadura, e oferece regulagens de distância e
altura. O painel tem boa ergonomia nos comandos e recursos de modernidade, como
computador de bordo e interconectividade.
Os bancos também merecem destaque. Os dianteiros, com regulagem milimétrica,
são envolventes, firmes e confortáveis, enquanto o traseiro, ao contrário da
maioria das picapes, tem ângulo suave entre o assento e o encosto, além de
generoso espaço para as pernas e a cabeça de passageiros de quaisquer
estaturas.
A Amarok é dotada de freios a disco nas rodas dianteiras e a tambor nas
traseiras (até aí, nenhuma novidade, muito pelo contrário), mas com um sistema
antitravamento (ABS) que permite escolher dois modos de utilização: on e
off-road. O sistema permite leituras diferentes de acordo com o tipo de piso,
otimizando sensivelmente a segurança em frenagens em situação de pouca
aderência.
A Amarok também possui sistema eletrônico de controle de estabilidade (ESP),
que corrige automaticamente derrapagens indesejáveis, bastante comuns sobre
pisos de terra; bloqueio eletrônico do diferencial traseiro (EDL), que evita
que as rodas girem em falso quando um dos eixos não oferece aderência total;
assistente eletrônico de descidas (HDA), que em conjunto com o sistema ABS
controla a aderência das quatro rodas em descidas íngremes em velocidades de
até 30 km/h;
e assistente eletrônico de saída em inclinações acentuadas (HHA), que impede o
veículo de recuar durante três segundos, mesmo sem manter o pé no freio.
Essa "sopa de letrinhas" parece complicada, mas na prática facilita a
condução da picape em situações adversas, aumentando a segurança e garantindo o
prazer de superar obstáculos com mais facilidade. Mas na verdade a VW Amarok se
mostrou agradável de conduzir em qualquer situação, em pisos bons ou ruins, em
baixas ou altas velocidades. O câmbio de seis marchas é bem escalonado e
permite guiar de maneira econômica ou mais esportiva.
As suspensões, embora tradicionais, com eixo rígido e molas elípticas na
traseira e independente na dianteira, são macias sem serem moles, e firmes sem
serem duras, proporcionando estabilidade e conforto na rodagem no asfalto e na
terra, com baixíssimo nível de ruído interno -- que, aliás, é outro ponto forte
do motor.