O fim da universidade é um período de muitas definições
para a maioria dos jovens e dois amigos decidiram fazer uma aventura, antes de
entrar para “a vida adulta”. Eles vão percorrer quase 9 mil quilômetros, em uma
viagem internacional, com o investimento de R$ 560,00. O destino: Machu Picchu.
Para os estudantes, somente a chuva poderá atrapalhar os planos de André
Medeiros, 24 anos, e Léo Griffo, 23 anos.
O governo peruano interditou Machu Picchu e o acesso ficou interrompido aos
turistas devido às intensas chuvas que caíram no sul do País.
Mas para os amigos, a viagem continua. André é estudante do último ano do curso
de Geografia, na UFV (Universidade Federal de Viçosa), em Minas Gerais, e Léo
se prepara para em um ano ser engenheiro civil.
Eles estudam na mesma universidade e sempre tiveram vontade de fazer esta
viagem, no entanto, o dinheiro é curto para dois estudantes que contam apenas
com bolsas de iniciação científica.
Os jovens analisaram o mapa e chegaram à conclusão de que não é tão longe.
Desta maneira, eles resolveram seguir viagem de carona, em todo o território
nacional.
Já quando cruzarem a fronteira, com a Bolívia, continuarão o trajeto em ônibus
e o conhecido “Trem da Morte” não poderia ficar de fora da aventura.
André conta que convencer os pais de que tudo daria certo foi um pouco difícil
no começo. Contudo, eles logo cederam. “Nos deram apoio”, conta o estudante.
André, o mais falante dos dois, conta que cada passo foi planejado
criteriosamente. Eles estão munidos de sacos de dormir, fogão portátil,
ebulidor, seis camisetas, duas bermudas de tactel e roupas para os Andes, que
protegem do frio e são leves. “Temos repelente”, lembra Léo.
A alimentação também precisa ser prática e barata, portanto, eles compraram
sardinha, macarrão instantâneo, suco e dois sacos de doce de amendoim, que,
segundo os jovens, tem o mesmo valor energético que barras de cereais e custam
menos. “Cada pacote de um quilo, com 50 doces, foi R$ 3,59”, observa André.
Percurso – Os amigos saíram de Viçosa dia 1º de fevereiro. A primeira
carona os levou até Belo Horizonte e no segundo dia foram ao Ceasa, de onde
saem muitos caminhoneiros. Eles dormiram na carroceria de um caminhão e no
terceiro dia continuaram a viagem. A próxima parada foi Uberlândia, onde tiveram
de dormir novamente no caminhão.
Eles ajudaram o motorista a carregar o veículo e colocar lona e assim
conseguiram uma refeição. De Uberlândia, os estudantes saíram na sexta-feira
(05/02), com um grupo de amigos se seguia em vários carros. André e Léo
conseguiram, enfim, atravessar a divisa com Mato Grosso do Sul, e chegaram a
Três Lagoas (MS).
Já na cidade sul-mato-grossense, os dois dormiram em um posto de combustíveis e
na manhã de sábado (06/02), continuaram o trajeto. Em 40 minutos, eles pegaram
carona até o Indubrasil, já em
Campo Grande, e chegaram a Terenos.
Eles pararam no posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal), onde aguardaram o
dia clarear para seguir viagem.
Os amigos enfatizam que uma das precauções adotadas é não pedir carona à noite.