O
novo recall anunciado pela Volkswagen devido à possibilidade da
roda traseira se desprender levanta de novo a discussão sobre um
suposto defeito já reportado no eixo traseiro do Fiat Stilo, que faria uma
das rodas se soltar.
De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito
(Denatran), o laudo técnico feito pelo órgão - responsável por controlar e
fiscalizar o padrão de segurança dos veículos no país - deve sair em março
e ser encaminhado ao Ministério Público.
O processo foi instaurado em junho de 2008 pelo Departamento de Proteção e
Defesa do Consumidor (DPDC), órgão do Ministério da Justiça, que decide se há
ou não a necessidade de um recall. De acordo com o Procon-SP, durante a
investigação foram reportados cerca de 30 acidentes, entre 2007 e 2008,
após o motorista perder uma das rodas de Stilos fabricados entre 2004 a 2008. Do total de
acidentes, oito apresentaram indícios de defeito.
O que motivou a análise do DPDC foi um acidente em fevereiro de 2007. A vítima dirigia seu
Stilo Sporting 2007 durante uma viagem com o marido e as três filhas pelo
Nordeste do país. Segundo o relato do advogado da vítima, Eduardo de
Albuquerque, a roda esquerda do eixo traseiro se soltou, o carro bateu em um
barranco e tombou na pista (a versão anterior desta reportagem apontava que a
roda solta era a da direita, mas a informação foi retificada).
Uma
das crianças teve fraturas no braço e sofreu traumatismo craniano. A
pessoa envolvida não pode ser identificada devido a uma medida cautelar
que a proíbe de falar sobre o caso até que ele seja concluído.
Por
causa da gravidade do assunto, o Grupo de Estudos Permanentes de Acidentes de
Consumo (GEPAC) ouviu os proprietários dos veículos, superintendências
regionais da Polícia Rodoviária Federal, institutos de criminalística e
delegacias de polícia e, em agosto de 2009, recomendou que o Denatran tomasse
as providências e emitisse parecer sobre a existência ou não do defeito de
fábrica no Fiat Stilo.
A
vítima de 2007 mandou fazer um laudo particular sobre o acidente e, de
acordo com o engenheiro mecânico que assina o documento, a roda se desprendeu
antes da batida. “O rompimento do cubo de roda levou à quebra do
rolamento”, afirma João Valentim Bin. “Isso é uma falha que não pode acontecer,
é erro de projeto, assim como o anunciado pela Volkswagen.”
Soltura de roda é consequência, e
não causa, diz Fiat
De
acordo com o assessor técnico da Fiat, Carlos Henrique Ferreira, todos os
laudos feitos pela fabricante ou solicitados a outros órgãos, como o Instituto
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
(Inmetro), apontaram que a soltura repentina da roda foi uma consequência
do acidente e não a causa.
“A
Fiat já repassou todas as informações para a investigação e todos os laudos
estão anexados ao processo. Nossa posição hoje é aguardar a conclusão do
Ministério Público sobre o caso”, afirma o assessor técnico da empresa. “Recall
é uma atitude de respeito ao consumidor e caso essa seja a determinação do MP e
do Denatran vamos agir o mais rápido possível para reparar os veículos.”
O
portal G1 tentou falar com
as entidades de proteção ao consumidor, mas elas informaram que não vão se
pronunciar sobre o assunto enquanto o laudo do Denatran não for divulgado. Caso
o órgão de trânsito conclua pelo defeito, o Sistema Nacional de Defesa do
Consumidor (SNDC) exigirá a imediata realização de recall e pode até
processar a fabricante.