Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010         14h57        227
Defesa culpa militar por morte e quer pena de 3 anos
CGNews/LD

O advogado de defesa do peão, Fagner Gonçalves, responsabilizou a vítima, o cabo do Exército Leonardo Sales da Silva, 20 anos, pelo tragédia de junho de 2008, quando ele foi arrastado por 15 quilômetros pela caminhonete F-4000 e morreu. Além de tentar transformar o crime em homicídio culposo, o advogado Abadio Rezende argumentou que se trata de destruição de cadáver, porque o militar já estava morto quando o condutor descobriu o corpo embaixo do veículo e o arrastou por mais seis quilômetros.

O júri de Gonçalves começou às 8h de hoje. A promotoria manteve a tese de homicídio doloso, que poderá resultar na condenação do autor por pena de 12 a 30 anos de reclusão. O Ministério Público Estadual quer a condenação do peão por homicídio doloso com o agravante de requintes de crueldade.

Já a defesa se apegou à tese de que o cabo do Exército tentou subir na carroceria da caminhonete, desequilibrou-se e teve a perna enganchada no feixe da mola ao cair. Ele se apegou ao laudo pericial para desmontar a tese de que houve atropelamento.

Para Rezende, seu cliente não teve intenção de matar, porque conseguiu impedir o atropelamento de uma motocicleta Biz e do carrinho de cachorro-quente. “Ele deu ré normal”, argumentou.

E ainda recorreu ao depoimento de um amigo da vítima, João Paulo Lopes, que conseguiu subir na caminhonete e desceu. De acordo com a defesa, o casal que estava em cima da carroceria garantiu que ele não pediu ajuda nem falou de que alguém tinha sido atropelado.

Cadáver – Outra linha da defesa é de que não houve homicídio, mas destruição de cadáver. Conforme o advogado, o peão deixou o bairro Dom Antônio Barbosa com medo dos jovens que estavam tomando cerveja numa conveniência. Ao avistar o veículo do irmão, que o seguiu e dava luz alta para tentar avisa-lo, ele passou a acelerar porque achava que estava sendo seguido.

Como a Polícia Civil constatou que o peão ainda arrastou o corpo do militar por mais de seis quilômetros após perceber o crime, a defesa recorreu que este teria sido a única infração penal. “Não tem como matar um morto”, argumentou, citando que o mais provável é a destruição de cadáver.

Abadio Rezende explicou que neste caso a pena é de um a três anos de reclusão. No caso de homicídio culposo, a pena pode chegar a quatro anos. Nos dois casos, o peão cumprirá pena em liberdade, já que o regime será aberto ou semi-aberto (sendo obrigado apenas a dormir no albergue durante a noite).

Universidade do crime - Fagner Gonçalves tinha um mandado de prisão por pensão alimentício e dois antecedentes, lesão corporal (numa briga de vizinhos) e porte ilegal de arma.

Conforme o advogado, não é justo tirar um trabalhador, com emprego garantido, para joga-lo em um presídio. Rezende classificou os presídios do Estado como “universidade do crime”. O peão trabalha como adestrador de cavalos num haras a 20 quilômetros da Capital.

O crime – Sales foi atropelado e arrastado por 15 quilômetros na madrugada de 6 de junho de 2008. O crime chocou e foi destaque nacional. O peão estava com a carteira de habilitação vencida e admitiu que ingeriu bebida alcoólica no dia do crime.

O militar tinha sido promovido recentemente de soldado para cabo no Exército e pretendia ajudar a mãe, Silvana Sales, a montar uma loja para ela passar mais tempo com seus irmãos.

 

 

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