Entre os 80 países sob a
responsabilidade do presidente de operações internacionais da General Motors,
Tim Lee, o Brasil foi o escolhido para ser a primeira viagem de negócios do
executivo no cargo - ele assumiu a posição em dezembro de 2009. A importância dada à
operação no Brasil está no peso que o mercado local assumiu em relação a
outras unidades da companhia.
"O Brasil é o terceiro
maior mercado para a GM e o segundo maior para a marca Chevrolet”, afirmou Lee,
durante evento em São
Paulo. O executivo chegou nesta quinta-feira (18)
ao país com o objetivo de conhecer a sede brasileira da fabricante de veículos,
em São Caetano
do Sul, no ABC paulista.
A GM acredita que o mercado
brasileiro atingirá neste ano 3,3 milhões de unidades vendidas e manterá a
participação de mercado de 20% no segmento de automóveis e comerciais leves. Se
confirmado, o resultado representará crescimento de 5% sobre o recorde de 2009,
quando foram emplacados 3,141 milhões de veículos. No ano passado, a companhia
vendeu cerca de 600 mil unidades.
Por isso, o primeiro local
visitado pelo executivo foi o centro de design e desenvolvimento de produtos da
montadora no Brasil. Lee afirma que a renovação das linhas planejada até
2012 é a grande aposta de crescimento no país. Somente neste ano, vão ser
cinco lançamentos de peso, entre eles, o Chevrolet Camaro, importado do
Canadá, e a picape da mesma família do Agile. “O lançamento do
Camaro representa o compromisso da empresa com o país”, ressaltou Lee.
A General Motors investirá
R$ 5 bilhões para a renovação do seu portfólio de produtos até 2012, assim como
pretende produzir e vender 1 milhão de unidades até lá. Do total que será
investido, R$ 2 bilhões já são aplicados, sendo R$ 1 bilhão do caixa da própria
GM do Brasil. O restante é financiado por bancos brasileiros. A filial
brasileira também será responsável pela fabricação de dois produtos para os
Estados Unidos e Ásia, entre eles, uma picape.
Tim Lee atribuiu as
apostas feitas no Brasil à estabilidade econômica e política. Para ele e
para o presidente da General Motors do Brasil, Jaime Ardila, o ano de eleições
não vai afetar negativamente o mercado brasileiro.
Além disso, como no país a
GM trabalha apenas com a marca Chevrolet, o mercado se tornou um
importante fortalecedor da marca. “Queria que mais mercados tivessem o volume
de vendas que a Chevrolet tem aqui”, destacou. O executivo
supervisiona a GM Ásia (Pacífico), América Latina, África e Oriente
Médio.
Decisão da OMC
Em relação às decisões do
governo brasileiro, a prorrogação do desconto sobre o IPI — que termina ao
final de março — nem está mais em discussão. A preocupação da GM agora está em
pressionar para que se reverta a decisão da Organização Mundial do
Comércio (OMC) de permitir ao governo brasileiro sobretaxar veículos
oriundos dos Estados Unidos, entre outros produtos.
Caso a retaliação ao
mercado norte-americano se mantiver no setor de veículos, o governo poderá
aumentar a alíquota de importação já cobrada, de 35%, sobre o preço do produto.
Isso, de acordo com a GM, inviabilizaria a importação de modelos previstos
para o país, como os Chevrolet Malibu e Cruze.
"Nós esperamos que os
dois governos trabalhem juntos. Porque isso não ajudará nem um, nem outro”,
observou Lee. De acordo com Ardila, a GM do Brasil, juntamente com a matriz,
busca uma negociação para a retaliação não atingir o setor.