Domingo, 21 de Fevereiro de 2010         09h18        228
Ford Ka 1.6 e Peugeot 207 1.4 encaram rampa com valentia
Folha/PCS
Talvez não haja via mais íngreme em São Paulo do que a subida da rua Cayowáa, em Perdizes (zona oeste).

Mesmo embalado, um carro 1.0, depois da metade da ladeira, se arrasta feito trenzinho de montanha-russa querendo alcançar o cume. É desesperador! Em momentos como esse, o motorista questiona se não era melhor ter comprado uma versão mais potente por alguns reais a mais na prestação.

O Ford Ka 1.6 (até 107 cv) e o Peugeot 207 1.4 X-line (até 82 cv) aparecem como os modelos mais acessíveis depois dos "populares", que, no Brasil, nasceram para pagar menos impostos e rodar vazios, desenvolvem, em média, 70 cv.

Custando R$ 4.000 a mais do que os 1.0 de entrada, Ka e 207 com seus motores anabolizados parecem perfeitos. Mas só até você descobrir que, para levar qualquer um deles por R$ 30 mil, é preciso, antes, encarnar um monge franciscano.

Esqueça o conforto do ar-condicionado, dos vidros elétricos ou da regulagem de altura do banco do motorista. Nem toca-CDs frequenta a lista de itens de série. Talvez para não atrapalhar o momento de meditação no trânsito.

No Ka, pelo menos, deixaram o travamento remoto das portas e a direção hidráulica. Luxo que nem o espichado Logan 1.6 básico (R$ 32.570) tem. E mesmo sem o bom espaço interno do sedã da Renault, os compactos não "populares" da Peugeot e da Ford ainda conseguem impressionar no plano.

Plebe rude

Criado para aposentar o 206, a versão X-line do 207 mostra que tem esmero no acabamento, incluindo bancos com forração agradável ao toque e bom isolamento acústico da cabine. Para não deixar dúvidas de que não é um plebeu, o "francês" traz painel de plástico imitando textura de couro e calendário na parte central com iluminação laranja. À noite, dá até um tchã, mas o espaço será melhor aproveitado se você conseguir encaixar um GPS ali.

Por fora, o hatch da Peugeot mantém o visual do restante da gama. Exibe o tradicional bocão e os faróis agigantados. Se não são unanimidades, ajudam a intimidar compactos franzinos sem personalidade. Já o Ka 1.6 vestido com o kit esportivo ST (R$ 1.550) ganha aerofólio, saias e pedaleiras. Só não se comporta como a finada versão XR do modelo anterior porque, na reestilização, em 2008, alongaram o chassi e optaram pelo acerto "careta" da suspensão para deixá-la macia.

Sem aquela velha pegada de kart de rua, o Ka ainda se aproveita do baixo peso e do fôlego do motor Rocam para arrepiar na pista.

 

 

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