Ford Ka 1.6 e Peugeot 207 1.4 encaram rampa com valentia
Folha/PCS
Talvez
não haja via mais íngreme em
São Paulo do que a subida da rua Cayowáa, em Perdizes (zona
oeste).
Mesmo
embalado, um carro 1.0, depois da metade da ladeira, se arrasta feito trenzinho
de montanha-russa querendo alcançar o cume. É desesperador! Em momentos como
esse, o motorista questiona se não era melhor ter comprado uma versão mais
potente por alguns reais a mais na prestação.
O
Ford Ka 1.6 (até 107 cv) e o Peugeot 207 1.4 X-line (até 82 cv) aparecem como
os modelos mais acessíveis depois dos "populares", que, no Brasil,
nasceram para pagar menos impostos e rodar vazios, desenvolvem, em média, 70
cv.
Custando
R$ 4.000 a
mais do que os 1.0 de entrada, Ka e 207 com seus motores anabolizados parecem
perfeitos. Mas só até você descobrir que, para levar qualquer um deles por R$
30 mil, é preciso, antes, encarnar um monge franciscano.
Esqueça
o conforto do ar-condicionado, dos vidros elétricos ou da regulagem de altura
do banco do motorista. Nem toca-CDs frequenta a lista de itens de série. Talvez
para não atrapalhar o momento de meditação no trânsito.
No
Ka, pelo menos, deixaram o travamento remoto das portas e a direção hidráulica.
Luxo que nem o espichado Logan 1.6 básico (R$ 32.570) tem. E mesmo sem o bom
espaço interno do sedã da Renault, os compactos não "populares" da
Peugeot e da Ford ainda conseguem impressionar no plano.
Plebe rude
Criado
para aposentar o 206, a
versão X-line do 207 mostra que tem esmero no acabamento, incluindo bancos com
forração agradável ao toque e bom isolamento acústico da cabine. Para não
deixar dúvidas de que não é um plebeu, o "francês" traz painel de
plástico imitando textura de couro e calendário na parte central com iluminação
laranja. À noite, dá até um tchã, mas o espaço será melhor aproveitado se você
conseguir encaixar um GPS ali.
Por
fora, o hatch da Peugeot mantém o visual do restante da gama. Exibe o
tradicional bocão e os faróis agigantados. Se não são unanimidades, ajudam a
intimidar compactos franzinos sem personalidade. Já o Ka 1.6 vestido com o kit
esportivo ST (R$ 1.550) ganha aerofólio, saias e pedaleiras. Só não se comporta
como a finada versão XR do modelo anterior porque, na reestilização, em 2008,
alongaram o chassi e optaram pelo acerto "careta" da suspensão para
deixá-la macia.
Sem
aquela velha pegada de kart de rua, o Ka ainda se aproveita do baixo peso e do
fôlego do motor Rocam para arrepiar na pista.