Sem transplantes há quase um ano, renais crônicos começam
a morrer na fila de espera. Em Dourados, quatro pessoas morreram nos últimos
meses.
Outros dois estão em estado gravíssimo no Hospital
Evangélico. Fato que chama a atenção, é que todos tinham doador vivo. Enquanto
o sistema está parado, os órgãos captados no Estado estão sendo encaminhados
para fora.
De acordo com a Central de Transplantes, pelo menos 10 rins, quatro fígados e
duas pâncreas foram encaminhados para a Central Nacional, nos últimos meses. A
paralisação já dura a quase um ano.
Segundo o presidente da Associação dos Doentes Renais Crônicos e Transplantados
de Dourados (Renasul), José Feliciano de Paiva, a situação é
desesperadora. Ele diz que os renais internados no HE estão entra a vida e a
morte.
“Nos dois casos há dificuldades para se realizar a fístola renal (espécie
de cirurgia para ligar artéria a uma veia), já realizada várias vezes. Diante
da demora do transplante, o corpo vai ficando debilitado e infelizmente já é
impossível a realização do procedimento. Só por um milagre”, ressalta.
Para ele, enquanto o sistema de transplantes não voltar, somente a morte fará a
fila andar. De 30 pacientes em 2009, com doador vivo, Dourados passou a ter 26
este ano, somando-se as quatro mortes. es. Os dois em estado grave 30 pacientes
em 2009 com doador vivo, Dourados passou a ter 26 este ano.
Em MS, de 400 pacientes, o estado passou a contar com 330 este ano. De
acordo com Feliciano, o número de mortes pode aumentar, caso o sistema não volte
com urgência.
Segundo ele, além da falta de transplantes, a medicação ainda é escassa nos
postos de saúde. “Não é sempre que se acha os remédios. Com isso, a Renasul, em
75 dias, gastou quase R$ 1 mil para atender quem precisava”, exemplifica.
Enquanto há impasse, os órgãos captados no Estado vão para fora. De acordo com
o presidente da Associação Médica de Dourados, Antônio Bittencourt, a cada uma
morte encefálica, pelo menos nove pessoas podem ter a vida salva, mediante
doação de órgãos. São dois pulmões, um fígado, pâncreas, dois rins, duas
córneas e um coração, que podem tirar o paciente da fila de espera.
SANTA CASA
Procurado pelo O PROGRESSO e o site Douradosagora,
o coordenador da comissão de transplantes da Santa Casa de Campo Grande, André
Paulo Oliveira disse que o hospital está iniciando a partir deste mês o serviço
de transplantes para quem já tem doador.
Cumprindo agenda em Dourados no último dia 12, o governador André Puccinelli
disse que o Estado não tinha autorização para realizar os procedimentos, porém
não deu maiores detalhes. Ninguém da Santa Casa e da assessoria do governo
soube explicar o que seria este impedimento.