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Em dia de recorde de Ceni, Tricolor perde o jogo e a liderança para o Once Caldas
Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010 07h39 20
Globo Esporte/PCS
Tinha
tudo para ser uma noite boa para o São Paulo. Além de mostrar em campo, no
primeiro tempo, superioridade técnica sobre o anfitrião Once Caldas, o goleiro
Rogério Ceni entrava para a história.
Com o gol de falta aos 33 minutos,
tornava-se o maior artilheiro isolado do clube na Taça Libertadores, com 11
tentos. Mas, na segunda etapa, o time comandado por Milton Cruz caiu de
produção, foi derrotado pelo dono da casa, de virada, por 2 a 1 - gols de Uribe e Moreno
-, na noite desta quinta-feira, no estádio Palogrande, em Manizales, e perdeu a
liderança.
Com
o resultado, os colombianos, que seguem sem derrotas em casa em
18 jogos na história da competição continental - foram 12 vitórias e seis
empates, assumiram o primeiro lugar do Grupo 2, com seis pontos ganhos.
O Tricolor segue com três somados, empatado com o Monterrey (MEX).
O
próximo compromisso do time paulista na Libertadores é contra o Nacional, no
Paraguai, no dia 11 de março. E o Once Caldas recebe o Monterrey no dia 10.
Ceni abre o placar e entra para a história
A
torcida do Once Caldas atendeu aos apelos da comissão técnica e compareceu em
grande número ao estádio Palogrande. Empolgação não faltou no início: chuva de
papel, cantos e muita, muita fumaça. O time, em campo, sentiu a vibração e foi
para cima.
O técnico Juan Carlos Osorio surpreendeu na escalação ao montar o esquema com
três volantes de marcação no meio e três atacantes fixos. Com Moreno, Uribe e
Santoya na frente, a equipe da casa armou uma blitz e não deixou o Tricolor
passar do meio-campo nos primeiros minutos. O primeiro lance de perigo
colombiano aconteceu aos quatro minutos, quando Santoya avançou nas costas de
Jorge Wagner pela esquerda e bateu cruzado. Rogério Ceni espalmou pela linha de
fundo.
Aos poucos, a empolgação colombiana diminuiu. O Tricolor, finalmente, conseguiu
sair para o jogo. Aos dez minutos, em rápido contra-ataque, Washington deu
passe açucarado para Cléber Santana, travado no momento do chute. Na
volta, Cicinho cruzou para Washington, que cabeceou por cima do gol adversário.
O tempo passava, e o São Paulo controlava bem as ações do adversário. Fiel ao
estilo da marcação forte e saída rápida para o ataque, o time ganhou jogada
pelas duas pontas. Isso porque Milton Cruz mudou o posicionamento de Hernanes.
O camisa 10 foi jogar bem aberto pela esquerda para fazer dupla com Jorge
Wagner e aproveitar os avanços de Vélez. O mesmo aconteceu pela direita, com
Cléber Santana aparecendo para o jogo e contando com a companhia de Cicinho.
O melhor futebol do São Paulo se refletiu em vantagem no marcador aos 33 minutos.
Hernanes fez bela jogada pela esquerda e foi derrubado na entrada da área.
Falta que Rogério Ceni cobrou rasteiro, no meio da barreira, que abriu. A bola
desviou e enganou o goleiro Martinez, que pulou para o lado esquerdo, enquanto
a bola entrou no lado direito. Festa para Ceni, que, com o tento, tornou-se o
maior artilheiro da história do São Paulo na Taça Libertadores, com 11 gols
marcados.
O gol fez o estádio Palogrande se calar. E o São Paulo, no contra-ataque, quase
fez o segundo. Marcelinho recebeu passe de Washington pela esquerda, cortou a
marcação e bateu rasteiro, de pé direito. A bola saiu à direita do gol de
Martinez, com perigo.
O Once Caldas, após alguns minutos perdidos, voltou ao ataque. E, antes do fim
do primeiro tempo, só não empatou a partida porque parou em Rogério Ceni. Aos
41, o goleiro defendeu em dois tempos uma cobrança de falta de longe de
Valencia. E, já nos descontos, o camisa 1 fez grande defesa em chute cruzado de
Moreno, após falha de Xandão pelo alto.
Virada do dono da casa
No
segundo tempo, o técnico do Once Caldas resolveu partir para o tudo ou nada.
Ele sacou o volante Castrillón para colocar o meia-atacante Cardenas. Logo aos
três minutos, o time teve grande chance com Santoya, que recebeu passe
açucarado de Moreno e chutou rasteiro, obrigando Rogério Ceni a fazer grande
defesa. No minuto seguinte, saiu o gol de empate. Após cobrança de lateral,
Marcelinho Paraíba foi tentar ajeitar de peito para Jorge Wagner e tocou fraco.
Santoya aproveitou o vacilo e cruzou na cabeça de Uribe, que se antecipou a
Xandão e testou firme, no canto direito de Rogério Ceni. O estádio Palogrande
veio abaixo.
O São Paulo sentiu o golpe e, por muito pouco, não tomou o gol da virada logo
depois. Cardenas fez bela jogada pela esquerda e, de pé direito, acertou o
travessão de Rogério Ceni. Na volta, Santoya chutou em cima de Miranda.
O Once Caldas adiantou sua marcação e armou novamente uma blitz. Tinha o
controle da partida. Estranhamente, o São Paulo mudou o posicionamento que
tinha dado certo no primeiro tempo. Hernanes, que havia ido muito bem pela
esquerda, foi para a direita, e Cléber Santana, para a esquerda. E o time
demorou a acertar o seu posicionamento. Quando conseguiu, teve uma grande
chance para marcar. Aos 24, Cléber Santana, da entrada da área, deu passe
açucarado para Washington que, cara a cara com Martinez, chutou em cima do
goleiro, perdendo um gol inacreditável.
Já dizia o ditado popular que quem não faz, toma. E foi exatamente o que
aconteceu com o São Paulo. Dois minutos após Washington não conferir, aos 26,
Moreno marcou um golaço. Após falha de Jorge Wagner na esquerda, o camisa 17
arrancou do meio-campo, passou por Jean, deu "ovinho" em Miranda,
invadiu a área e bateu cruzado, sem defesa para Ceni. Festa para o atacante,
que reestreava no time colombiano. Logo depois, o mesmo Moreno
arriscou bomba de fora da área. O goleiro são-paulino,
milagrosamente, evitou o terceiro gol.
Irritado com o desempenho do time, Milton fez a primeira alteração. Sacou o
apagado Marcelinho Paraíba e colocou Rodrigo Souto, que reestreou pelo
Tricolor. Com isso, deu ainda mais liberdade para Cléber Santana e
Hernanes encostarem em
Washington. A tentativa, no entanto, não deu certo. Isso
porque o time já não contava com o apoio dos laterais.
Cansados, Cicinho e
Jorge Wagner não passavam mais do meio-campo. O time só voltou a assustar
Martinez aos 41, em lance de Cléber Santana pela esquerda. Ele avançou sobre a
marcação adversária, cortou para o meio e bateu rasteiro. O goleiro colombiano
rebateu como pôde e, na sobra, a defesa colombiana afastou o perigo.
Ceni
ainda precisou trabalhar antes do apito final, com algumas defesas simples. Mas
certamente o goleiro deve ter deixado o campo com uma sensação de tristeza,
mesmo no dia em que atingiu mais uma marca histórica. Ricardo Gomes, que se
recupera de um sangramento cerebral e está de licença, também não deve ter
gostado de ver o resultado negativo pela TV.