Jovens imediatistas assustam gestores na hora da contratação
Folha/PCS
Um
jovem que estudou nas melhores escolas, aprendeu idiomas, teve experiências no
exterior, é inteligente, criativo e conectado e tem disposição para trabalhar
duro e inovar ostenta um currículo que parece ser o sonho dos selecionadores
das empresas.
Não
necessariamente. Esse mesmo perfil pode virar um pesadelo para os gestores que
logo identificam a geração Y leva dos nascidos entre 1980 e 1990, que reúne
caraterísticas como agilidade, autodidatismo tecnológico e criatividade.
Isso
porque esses "nativos digitais" demandam muito de seus superiores,
não temem atropelar processos e, principalmente, não pensam duas vezes antes de
trocar a empresa que investiu em seu treinamento por uma que pague melhor ou
outra que ainda não existe: a que vão criar.
Assim,
os gestores tendem a ficar alertas para o perfil Y excessivo: aquele que,
apesar de reunir o currículo ideal, não tem paciência para os ritos da cultura
corporativa, como esperar por uma promoção.
Para
Fernando Mantovani, da consultoria Robert Half, o principal problema é a alta
rotatividade. "Uma empresa investe muito no profissional. Se após dois
anos ele sai, não valeu a pena", avalia, sobre o desgaste financeiro e
organizacional.
O
consultor argumenta ainda que essa rotatividade é estimulada pela ambição por
grandes projetos, com desprezo pelos menores e, especialmente, pelas tarefas
operacionais. "Não dá para sair da faculdade e construir uma hidrelétrica.
É preciso primeiro fazer uma estrada, depois uma ponte pequena e, em seguida,
uma ponte grande", exemplifica.
Falta maturidade
Além
de estarem atentos para filtrar o Y excessivo, alguns gestores chegam até a
optar pela geração anterior, chamada de X. Apesar de menos inovadora, tem mais
facilidade de lidar com processos e repetições.
"Prefiro
um X a um Y", diz Sandra Regina Frias, diretora de recursos humanos da
Chris Cintos de Segurança. "Trabalhamos com a vida das pessoas. Não dá
para ter alguém imediatista e sem compromisso com o produto", declara.
"A
imaturidade acaba trazendo algumas consequências. Eles não têm muita noção do
risco do que estão fazendo. Por isso o treinamento é essencial. Apesar disso,
vejo o tempo inteiro o baixo desempenho dos que têm 40 anos", afirma
Márcia Almstrom, consultora de recursos humanos. "Isso não acontece com o
jovem, porque ele gosta do que faz."