"Ninguém vai destruir minha relação com a sociedade"
enquete
Coxim conta com cinco candidatos a deputado estadual. Se a eleição fosse hoje você votaria em:
charges
tempo
parceiros
Oposição nega caráter eleitoreiro de projeto que amplia Bolsa Família
Quarta-feira, 03 de Março de 2010 16h53 31
Folha/PCS
A
oposição reagiu nesta quarta-feira às críticas do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva direcionadas ao projeto, de autoria do senador Tasso Jereissati
(PSDB), que prevê aumento no benefício do Bolsa Família para alunos que
alcançarem boas notas nas escolas. Ao negar o caráter eleitoral do projeto,
Tasso disse que o objetivo da mudança é priorizar a educação no programa.
"O
projeto [Bolsa Família] sempre teve ligação com a educação. Não há
desenvolvimento sem educação. O projeto não traz um custo exagerado. O
presidente gasta bilhões com a Venezuela, com a Bolívia, Equador e não pode
gastar com educação? Esse não é o Lula que conheci", disse o tucano.
Lula
disse hoje que, em ano eleitoral, é preciso ter mais cautela com gastos
públicos para evitar a "farra do boi", por isso a oposição deve
apontar as fontes para custear o incremento do Bolsa Família. Segundo Lula, os
políticos precisam ter consciência de que não se ganha voto banalizando as
contas públicas. O presidente afirmou que a sociedade não acredita em
iniciativas eleitoreiras e que a "mesquinharia" tem tomado conta dos
políticos brasileiros.
Para
o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), o projeto premia os bons
alunos, ao contrário do modelo mantido pelo atual governo. "O projeto do
senador Tasso visa dar aperfeiçoamento ao Bolsa Família, que é a síntese de um
bom projeto do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele premia os melhores
alunos. O presidente fala que não tem orçamento? Mas tem dinheiro para dar para
Cuba, para inchar a máquina pública", afirmou.
O
senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que o projeto não é eleitoreiro já que
entraria em vigor somente em 2011, quando um novo presidente da República
estará eleito. "Tem que ter dotação no Orçamento do ano que vem, não é uma
medida eleitoreira. A filosofia do programa foi desvirtuada pelo governo Lula.
Queremos transformar o Bolsa Família no Bolsa Escola", afirmou.
Para
a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (SC), o projeto de Tasso tem
caráter eleitoreiro. Como os tucanos foram os criadores do Bolsa Família na
gestão do ex-presidente FHC, os petistas afirmam que o objetivo dos tucanos é
mostrar que o projeto elaborado por eles é mais viável do que aquele
aperfeiçoado durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
"É
uma disputa político-partidária. Mas fazer isso em cima de crianças é
inadmissível. Se colocar a responsabilidade em crianças é melhoria do um
programa, os tucanos perderam o rumo das suas propostas", disse Ideli.
Proposta
Aprovado
ontem na Comissão de Educação do Senado, o projeto prevê o pagamento de um novo
benefício para as famílias cadastradas no Bolsa Família voltado especificamente
para as crianças que alcançarem boas notas. Entre as famílias cadastradas para
receber o benefício, aquelas cujos filhos tiverem os melhores rendimentos na
escola vão receber um valor a mais integrado ao benefício.
O
valor do adicional não ficou definido pelo projeto, nem mesmo como se dará a
forma de avaliação escolar das crianças. A regulamentação do projeto, com a
definição das regras de pagamento, será definida pelo Executivo caso o texto
seja aprovado.
Como
o projeto tem caráter terminativo, deve seguir diretamente para votação na
Câmara dos Deputados, sem passar pelo plenário do Senado. O PT, porém, anunciou
que vai recorrer para votar a matéria no plenário da Casa para ampliar a
discussão sobre o tema já que parte dos senadores petistas é contrária à
mudança.