Pai é principal suspeito de morte menino brasileiro na Suíça
BBC Brasil/PCS
O
principal suspeito do assassinato do menino brasileiro Florian, de 4 anos, na
semana passada, em Winterthur, na Suíça, é o próprio pai, um suíço de 60 anos
encontrado desacordado ao lado do garoto em um quarto de hotel, segundo a
polícia.
Informações
oficiais da polícia de Zurique afirmam que a Promotoria para Delitos Violentos
da região também trabalha com a hipótese de que o homem, identificado como
Gustav, tentou se suicidar após o crime.
Ambos
foram encontrados desacordados na última sexta-feira (26 de fevereiro) por
volta das 17h30 por funcionários do hotel, depois do acionamento do alarme de
incêndio no quarto.
O
menino Florian faria 5 anos no dia seguinte e era filho de uma brasileira,
identificada apenas como Marciana. O garoto morreu pouco depois de dar entrada
no hospital, segundo a polícia.
Já
o pai, previamente condenado por tentativa de assassinato de outro filho há 20
anos, continua preso até que as investigações sejam concluídas.
O
corpo de Florian foi enterrado nesta sexta-feira no cemitério de Chloos, no
povoado de Kloten.
Guarda do pai
Apesar
dos antecedentes criminais, o conselho tutelar da cidade suíça em que os pais
do menino viviam, Bonstetten, decidiu dar a guarda da criança ao pai,
concedendo apenas direito de visita à mãe.
De
acordo com o escritório do advogado Burkard J. Wolf, que representou a
brasileira no início do processo de disputa pela guarda da criança, o conselho
tutelar havia sido alertado sobre os antecedentes do pai por meio de uma carta
de fevereiro de 2008.
A
carta mencionava a tentativa de assassinato, em 1990, de um outro filho de
Gustav, Reto G., que tinha 13 anos na época. Condenado pelo crime, Gustav
passou 8 anos na prisão, de onde saiu em 1999. Marciana acabou procurando ajuda
de outro escritório de advocacia e não teve sucesso na disputa com o
ex-parceiro.
O
advogado, apesar de não mais ter representado Marciana na fase seguinte do
processo, disse à BBC Brasil que a explicação recebida pela brasileira ao ter a
guarda do menino recusada foi a de que o pai, por trabalhar como contador em
casa e por poucas horas por dia, tinha mais condições de se dedicar à criança
do que ela, que trabalhava fora.
Após
o alerta sobre o risco à criança, as autoridades teriam apenas passado a guarda
provisória para uma família vizinha do pai, o que acabou não impedindo o acesso
do suíço à criança.
"Ainda
não decidimos que medidas legais serão tomadas. Teoricamente, há algumas
possibilidades, mas a mãe está muito abalada. Disse apenas que não quer
indenização ou vingança, quer apenas que algo assim não ocorra novamente",
disse à BBC Brasil o advogado. Ele disse ainda estar em contato com o
consulado, discutindo o que pode ser feito no caso.
Crueldade evidente
"A
crueldade do pai fica ainda mais evidente com o fato de o filho ter sido morto
um dia antes de completar cinco anos", acrescentou.
A
imprensa suíça acompanhou o enterro de Florian nesta sexta-feira e informou que
Marciana teria dito que todos eram bem vindos à cerimônia, com a exceção das
autoridades tutelares que ela responsabilizaria pela morte do filho.
O
meio irmão de Florian, que sobreviveu à tentativa de assassinato do pai aos 13
anos, mas ficou paraplégico, teria acompanhado o enterro, segundo a imprensa.
A
própria vítima desse ataque, Reto G., hoje com 33 anos de idade, tinha prestado
depoimento a pedido dos advogados da mãe durante a disputa da guarda de Florian
em 2008, alertando as autoridades sobre os antecedentes de violência do pai.
Segundo
os jornais suíços, o diretor para Justiça de Zurique, Markus Notter, determinou
a abertura de um inquérito sobre o processo de concessão de guarda de Florian
pelas autoridades de Bonstteten.
O
consulado brasileiro em Zurique afirmou estar acompanhando as investigações
sobre o caso e disse que está em contato com o Itamaraty, em Brasília, para
decidir que tipo de apoio prestar a Marciana.
Espanha
As
causas da morte de Florian ainda não foram reveladas.
Marciana
e Gustav se conheceram em Valência, na Espanha. Eles não eram casados, mas
resolveram viver juntos em Bonstetten, na Suíça, depois do nascimento de
Florian, em 27 de fevereiro de 2005, em Valencia.
No
início de 2008, o casal se separou e Marciana considerou voltar ao Brasil
levando o garoto consigo, o que levou à disputa pela guarda de Florian na
Justiça.
O
ataque em 1990 contra o filho Reto se deu após Gustav levar o garoto de 13 anos
para uma excursão, segundo a imprensa. Gustav estrangulou-o até que perdesse os
sentidos, deu-lhe um golpe com um pedaço de pau e o jogou de uma ribanceira de 30 metros.
O
garoto passou a noite desacordado no frio, sofreu várias fraturas e ferimentos
na cabeça e acabou tendo hipotermia nas pernas, o que levou à invalidez.