Petrobras pode importar mais gasolina se consumo continuar forte
Reuters/PCS
A
Petrobras poderá realizar importações adicionais de gasolina para atender a
demanda no Brasil se o nível de consumo se mantiver elevado como tem sido nas
últimas semanas, afirmou nesta sexta-feira o diretor de Abastecimento, Paulo
Roberto Costa.
A
estatal importou 1,2 milhão de barris de gasolina desde o início do ano.
Costa
disse que a demanda pelo produto que concorre diretamente com o etanol continua
forte, e que por este motivo as exportações de gasolina da empresa estão
suspensas desde janeiro. Em média, a Petrobras exportava entre 40 e 60 mil
barris diários de gasolina.
"O
consumo de gasolina em fevereiro (2010) subiu 31% sobre fevereiro de 2009 com a
opção do consumidor pelo preço na bomba e a redução de 25% para 20% da mistura
do álcool na gasolina", explicou Costa.
Desde
o final do ano passado o preço do etanol vem subindo como efeito indireto da
alta dos valores do açúcar no mercado internacional --o que levou usinas a
produzirem mais açúcar e menos álcool-- e devido ao período de entressafra no
Brasil. Por isso, o governo decidiu em janeiro reduzir de 25% para 20% a
mistura do álcool até maio.
"Está
entrando a safra (da cana-de-açúcar) agora, possivelmente deve ter alguma
redução de preço e em maio está previsto o retorno dos 25%", completou ao
ser perguntado se haveria necessidade de mais importações.
Costa
negou que a empresa tenha sido surpreendida pelo aumento de consumo de gasolina
no país, afirmando que o total importado corresponde a apenas três dias de
consumo e que em nenhum momento houve desabastecimento no mercado.
"Não
fomos pegos desprevenidos de jeito nenhum, priorizamos nas refinarias a
produção de diesel que é economicamente melhor para a refinaria", disse o
executivo.
Costa
afirmou ainda que para a Petrobras é melhor que o consumidor opte por gasolina
do que por álcool nos carros e que atualmente o consumo gira em torno dos 400
mil barris diários, contra cerca de 300 mil antes da elevação do preço do
álcool.
"A
decisão na bomba é do consumidor, como houve aumento muito grande do preço do
álcool ele optou por gasolina, eu acho ótimo, porque eu vendo mais
gasolina", afirmou, informando que a Petrobras não perde dinheiro com as
importações.