Hoje,
encontrar um adolescente que passe muito tempo por dia diante da televisão ou
do computador é fácil. Seja por entretenimento ou como uma via comunicação,
este hábito levou alguns pesquisadores da Universidade de Otago, em Dunedin, na
Nova Zelândia, a realizarem um estudo sobre como esta rotina pode afetar a
proximidade com familiares e amigos. Os resultados são alarmantes.
Em 2004, a
equipe de Rosalina Richards, autora da pesquisa, realizou entrevistas com 3 043
adolescentes, entre 14 e 15 anos, sobre a relação que possuíam com pais e
amigos e o que eles faziam no tempo de lazer. Foi descoberto que, quanto maior
o número de horas que os jovens entrevistados passavam assistindo televisão ou
usando o computador, maior era a probabilidade de terem um vínculo mais fraco
com os pais.
De acordo com o relatório que foi publicado na última edição do jornal da
Associação Médica Americana, para cada hora passada na frente da televisão, o
risco de ter uma ligação deteriorada entre pais e filhos aumentava em 4%. No
caso do tempo utilizado com jogos no computador, o risco crescia para 5%. Por
outro lado, para aqueles que passavam o tempo livre lendo ou fazendo lição de
casa, o nível de união com os pais era mais alto.
Os autores da pesquisa ainda afirmam que, quando os jovens ouvem recomendações
para passarem menos tempo diante da televisão, eles revelam a preocupação de
não serem capazes de falar sobre shows ou personagens populares com os amigos.
No entanto, o estudo não revela que assistir menos televisão é prejudicial para
as amizades”, afirmam os autores. Muito pelo contrário.
A pesquisa relatou também a existência de diferentes fatores que colaboram para
o jovem usar a televisão ou o computador como maior passatempo no tempo livre.
Um deles é a possibilidade da televisão dentro do quarto, que pode fazer com
que ele deixe até de jantar com a família.
Mas
ainda há que estar atento a outro aspecto da mesma moeda: “Adolescentes que não
possuem vínculos muito fortes podem acabar utilizando o computador ou a televisão
para criar amizades virtuais ou até desenvolver relações de mão única com
famosos, por exemplo”, explica a autora.
Em vista do rápido desenvolvimento da tecnologia e das diversas opções que a
televisão e o computador oferecem, o relatório demonstra o efeito que este
hábito possui entre as relações sociais, o desenvolvimento e o bem-estar dos
adolescentes. “Dada a importância do afeto entre pais e filhos e com amigos,
esta preocupação com o tempo destinado às TVs se justifica”, explicam os
autores.