Apesar de já estar em vigor há mais de três anos, a Lei
Maria da Penha ainda enfrenta dificuldades de aplicação devido a desigualdades
regionais. É o que pretende mostrar um estudo coordenado pelo Observatório Lei
Maria da Penha, ligado à Universidade Federal da Bahia. A pesquisa irá traçar
um diagnóstico sobre a aplicação da lei em 26 capitais brasileiras e no
Distrito Federal.
“Queremos contribuir para que a lei seja implementada de
maneira efetiva. Nosso relatório revelará as desigualdades regionais que
impedem a implementação total da lei”, afirmou Márcia Gomes, coordenadora do
estudo.
O levantamento é realizado por um consórcio formado por 12
organizações não governamentais e instituições de pesquisa brasileiras e avalia
como as delegacias especiais e juizados (criados após a Lei Maria da Penha)
estão funcionando.
A maior parte dos juizados especiais de violência
doméstica e familiar contra a mulher está na Região Sudeste do país. No Norte e
Nordeste, seis capitais ainda não têm o órgão.
“Não há juizados em Aracaju, João Pessoa, Teresina,
Palmas, Boa Vista e Porto Velho. Nestes locais os casos ainda são encaminhados
para as varas criminais”, destacou a pesquisadora.
Na primeira fase da pesquisa, concluída em 2009, foram analisadas
cinco cidades, uma de cada região - Belém, Brasília, Salvador, Rio de Janeiro e
Porto Alegre. Os principais problemas encontrados foram a falta de estrutura,
de capacitação dos policiais que fazem o atendimento às vítimas e a
inexistência de sistematização dos dados sobre as ocorrências de agressão.
A segunda fase da pesquisa deve ser concluída até o início
do segundo semestre deste ano.
A Lei 11.340/2006 considera a violência doméstica e
familiar contra a mulher uma violação aos direitos humanos. Ela prevê, além de
medidas punitivas aos agressores, proteção à integridade física e assistência
jurídica, social e psicológica à vítima.
O nome da lei foi uma homenagem à biofarmacêutica cearense
Maria da Penha Maia Fernandes, que ficou tetraplégica em função das agressões
sofridas pelo marido. Após anos de luta na Justiça, em 1998 o caso foi
encaminhado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos
Estados Americanos (OEA). Em 2001, o Brasil foi condenado por negligência e omissão
e obrigado a pagar indenização a Maria da Penha.