Pressão dos maridos impede denúncias de assédio sexual
CGNews/PCS
Desde 1991, assediar sexualmente um funcionário é crime no
Brasil, passível de condenação à pena de detenção de até dois anos. Mas mesmo
com todas as transformações que a sociedade passou nos últimos anos e do avanço
da legislação, as mulheres, que são maioria expressiva entre as vítimas desse
crime, ainda denunciam pouco. É umas principais razões para isso é a pressão
que sofrem por parte dos maridos.
A constatação é da auditora fiscal do trabalho, Noemia Sales, que atua há 28
anos, 10 deles no setor que combate à discriminação entre os trabalhadores. Com
a experiência de quem lida com os casos todos os dias, a auditoria afirma que,
em muitas situações, as mulheres optam por não denunciar episódios
constrangedores a que são submetidas por medo da reação dos companheiros.
Segundo ela, existem mulheres que relatam casos que configuram crime de forma
anônima, mas não levam a denúncia à frente, para não serem identificadas. “Além
do receio de perder o emprego, elas têm medo de perder o marido”.
Isso decorre, de acordo com ela, do comportamento ainda machista encontrado em
muitos homens. “Eles culpam o batom, a saia e tentam fazer a mulher se sentir
responsável pelo assédio vindo do chefe”.
Neste ano, confome Nôemia, não passa de 4 o número de casos de assédio sexual
formalizados na SRT (Superintendência Regional do Trabalho). Normalmente,
quando isso ocorre, o responsável pela empresa é notificado e o caso pode parar
na Justiça. O mais comum, afirma a auditoria, é a situação não chegar ao ponto
mais grave.
Ela orienta as mulheres que passam por esse tipo de situação a registrar da
forma como puderem o assédio, guardando bilhetes, mensagens de celular,
conversas pela internet, ou até gravando e filmando as situações.
Cartilha - É para contribuir coma reversão desse quadro que 5 mil
cartilhas serão distribuídas em
Campo Grande, a partir de hoje, quando é comemorado o Dia
Internacional da Mulher.
As cartilhas - que também tiveram cem exemplares produzidos em braille,
linguagem usada pelos cegos – alertam às mulheres sofre violências em geral que
elas sofrem, e chama a atenção principalmente para o fato de o assédio sexual
ser crime.
A coordenadora municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, Tai Loschi,
afirma que o principal objetivo do material é que mais mulheres se convençam de
que “a rede o de enfrentamento à violência existe, está sintonizada com os
problemas enfrentados por elas e deve ser utilizada”.
“O assédio sexual deixa a mulher mal, principalmente psicológicamente, afeta a
autoestima dela e prejudica inclusive o relacionamento com a família”.
Na cartilha, as mulheres podem ter acesso às informações sobre os vários tipos
de violência sofridas, desde a física até a psicológica e o assédio moral e
sexual. Também está disponível o caminho que deve ser adotado para as
denúncias, que vai desde as delegacias especializadas de atendimento à mulheres
até o Ministério Público do Trabalho, nos casos de assédio moral.
O material pode ser obtida na Coordenadoria de Políticas Públicas para a
Mulher, que fica no Horto Florestal, em Campo Grande.