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Retaliação brasileira aos EUA será a 2ª maior da história
Segunda-feira, 08 de Março de 2010         13h27        28 Terra
Dentro de um mês, 102 produtos importados dos Estados Unidos ficarão mais caros. O governo brasileiro divulgou nesta segunda-feira a lista autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

A OMC permitiu que o Brasil sobretaxe os produtos americanos em até US$ 829 milhões em retaliação cruzada - ou seja, não só bens como serviços e propriedade intelectual serão sobretaxados. É o segundo maior valor já autorizado pela organização.

A Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, estima que a retaliação apenas de bens será de, pelo menos, US$ 591 milhões. Os cálculos foram feitos com base na importação brasileira de 2008.

De acordo com Carlos Márcio Cozendey, diretor do departamento de política econômica do Itamaraty os produtos que vão sofrer aumento de impostos não representam uma grande proporção das importações brasileiras de produtos americanos.

"Evitamos sobretaxar produtos que não têm outros fornecedores que não os Estados Unidos e também produtos que o mercado brasileiro não consegue suprir. Esse período de 30 dias servirá, inclusive, para que os comerciantes tomem uma decisão e mudem seus importadores", explicou.

No caso dos celulares, por exemplo, a participação americana no mercado brasileiro, em 2008, foi apenas de 2%.

De acordo com a secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior, Lyhta Spíndola, o caso do trigo americano foi exceção em 2008. "Tivemos problemas com a exportação argentina e canadense e, dos US$ 374 milhões exportados em produtos agrícolas dos EUA, US$ 318 milhões foi apenas de trigo", destacou.

As sobretaxas vão valer por um período de um ano. Neste tempo, os EUA podem apresentar contraproposta ou aceitar as condições impostas pela OMC - diminuir os incentivos domésticos dados a produtores de algodão do país e garantir o acesso de produtos de outras nações ao mercado americano. Se nada acontecer nesse período, as medidas continuarão em vigor.

Lytha destacou que o Brasil não era favorável à retaliação. "Esse é um desafio muito grande para países que têm o direito de aplicar sanções. Nós sempre estivemos aberto a negociações, mas depois de oito anos de litígio e sem resposta dos EUA, não havia mais opções para o Brasil", argumentou.

A OMC autorizou o Brasil a aumentar os impostos sobre produtos americanos em até 100 pontos percentuais. A maior parte desses produtos, no entanto, tiveram as alíquotas dobradas. Foi o caso do paracetamol, que passou de 14% para 28%.

 
 

 

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