Arruda é notificado à revelia sobre processo de impeachment
G1/PCS
O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto
Arruda (sem partido, ex-DEM), foi notificado à revelia nesta segunda-feira (8)
do processo de impeachment aberto contra ele na Câmara Legislativa na semana
passada.
Agora, ele tem 20 dias para apresentar sua defesa à
comissão especial da Casa. Na última sexta-feira (5), ele havia se recusado a
receber a notificação.
Nesta
segunda, o deputado Batista das Cooperativas (PRP), primeiro-secretário da
Câmara Legislativa, tentou entregar a notificação para Arruda, mas ele
novamente se negou a recebê-la, como havia feito na sexta. Desta vez, porém, o
parlamentar foi acompanhado de duas testemunhas para entregar o documento.
Com
isso, mesmo tendo se recusado a receber a notificação, o processo de
impeachment contra o governador passa a tramitar. Arruda não assinou o aviso do
processo porque alega não ter tido acesso à integralidade do inquérito que
apura o suposto esquema de corrupção no Distrito Federal, segundo o advogado de
Arruda, Nélio Machado.
O argumento está em uma carta do governador escrita à mão com os motivos da
recusa que foi entregue ao primeiro-secretário da Câmara.
O governador teria se negado a receber a notificação por não ter tido acesso à
"integralidade da ação", segundo o advogado de Arruda, Nélio Machado.
O argumento está em uma carta do governador escrita à mão com os motivos da
recusa que foi entregue ao primeiro-secretário da Câmara.
Impeachment
A abertura de processo de impedimento de Arruda foi aprovada por unanimidade
pelos 19 deputados presentes no plenário. Ele terá 20 dias para se defender
após a notificação.
A comissão especial, então, vai analisar os argumentos de
Arruda e mais uma vez votará sobre a abertura ou não de um processo. Se a
decisão for novamente pelo julgamento do governador, a decisão vai novamente ao
plenário, na qual precisa ser aprovada por 2/3 dos deputados.
De acordo com a legislação federal, até antes dessa votação em plenário, o
governador pode renunciar e conseguir que o processo seja extinto, evitando
assim o risco de perder os direitos políticos numa eventual condenação. Se
renunciar após essa fase, o processo continua e ele fica sujeito à punição. Um
parecer da Procuradoria da Câmara confirmou a norma.
Arruda
está preso desde o dia 11 de fevereiro sob a acusação de tentar subornar uma
testemunha do caso do mensalão do DEM de Brasília. O escândalo começou no dia
27 de novembro, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Caixa de Pandora.
No inquérito, o governador afastado é apontado como o comandante de um esquema
de distribuição de propina a deputados distritais e aliados.
Nesta quinta-feira (4), o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido de
habeas corpus do governador, por 9 votos a 1. Segundo o advogado Nélio Machado,
Arruda teria ficado "abatido" com a decisão. “Ele tinha a expectativa
de ser solto e ficou naturalmente abatido com o que aconteceu.”