Marido é julgado na França por decapitar mulher virgem que não queria filhos
BBC Brasil/PCS
Um
homem de 53 anos está sendo julgado na França por ter decapitado sua mulher,
que tinha se recusado a ter relações sexuais com ele durante os 25 anos de
relacionamento. A autópsia revelou que a vítima, de 47 anos, era virgem.
Philippe
Cousin matou sua mulher Nicole em abril de 2007 em Arras, no norte da França,
após ter lhe servido, como fazia diariamente, seu café da manhã na cama.
Após
uma briga, motivada pelo fato de que a mulher se recusava a ter filhos, Cousin
a esfaqueou diversas vezes, antes de decapitá-la.
Poucos
instantes depois, ele ligou para a delegacia informando que havia matado sua
mulher e pedindo desculpas "por incomodar". Quando os policiais
chegaram à sua casa, ele se desculpou novamente "pelo horror" que
eles veriam.
"Tenho
um grande sentimento de vergonha, de responsabilidade e muito remorso",
declarou o acusado durante o julgamento, que começou na segunda-feira.
"Naquela
manhã, como todos os dias, preparei o café e disse que queria ter um filho com
ela. Em razão de sua recusa, peguei uma faca e a ataquei várias vezes. Fiquei
alguns instantes ao lado dela", disse Cousin no tribunal.
O
veredicto deve ser anunciado na noite desta terça-feira. O réu pode ser
condenado à prisão perpétua.
Cousin
afirmou que sua mulher se recusava a ter relações sexuais normais. Ela não
queria ter filhos por medo de transmitir à criança a doença de seu pai, que
tinha esclerose múltipla e se suicidou em razão disso.
O
marido continua usando a aliança e decorou as paredes de sua cela com fotos da
ex-mulher, afirma o jornal regional "La Voix du Nord".
Seus
familiares e amigos descreveram o acusado no julgamento como um "marido
modelo". Cousin seria um homem tímido, prestativo e totalmente submisso à
mulher, tida como autoritária e impulsiva, segundo eles.
"Ele
era dominado pela mulher, ele era atencioso e cedia a todos os caprichos mais
extravagantes, sempre sofrendo críticas", declarou o advogado de defesa,
Didier Robiquet.
Especialistas
psiquiátricos afirmaram durante o julgamento que a decapitação poderia ser
explicada como uma maneira de destruir inconscientemente a autoridade
representada pela mulher.
O
réu afirmou que sonhava em ter filhos e que isso havia se tornado uma obsessão.
Ele disse que já havia até escolhido o nome da criança, que se chamaria
"Charlotte", se fosse uma menina.
O
casal se conheceu há 25 anos durante um estágio de contabilidade. Eles se
casaram quatro anos depois, em 1986.