Dois mil seiscentos e quarenta e sete dias. Esse terá o
sido o tempo de duração do maior mandato já registrado na história da
presidência do Banco Central.
Henrique Meirelles tomou posse em 1º de janeiro de 2003 e
deixará o cargo no dia 31 de março deste ano. Atenderá a um pedido do
presidente Lula, que pretende convencer o PMDB a indicá-lo como vice na chapa
da ministra Dilma Rousseff, do PT.
Em tese, o prazo para a desincompatibilização de Meirelles é o dia 2 de abril,
que cai num feriado, a Sexta-Feira da Paixão. A véspera, 1o de abril, também
não seria, por razões óbvias, o dia apropriado para sua saída. Daí a escolha
pelo último dia de março.
A decisão de sair do BC, no entanto, não significa que Meirelles já tenha
garantido a vaga de vice. Ele terá ainda de esperar a convenção do PMDB, que
ocorrerá em junho. Seu
concorrente é o presidente nacional da sigla, deputado Michel Temer.
No entanto, diversas correntes do PT têm defendido o nome
de Meirelles, como uma forma de atrair empresários e o eleitorado do Sudeste
para a candidatura oficial.
No PMDB, ele é também visto com simpatia por grupos que
ainda avaliam se apóiam Dilma ou Serra – é o caso, por exemplo, da ala gaúcha
do partido, que tem nomes como o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, e o
ex-governador Germano Rigotto.
Caso seu nome não prevaleça na convenção do PMDB, Henrique Meirelles terá
outras opções na manga. Poderá sair candidato ao Senado ou até mesmo ao governo
de Goiás – hipótese que é hoje a mais remota. Oficialmente, no entanto, ele não
se declarará candidato ao deixar o Banco Central. Dirá que irá desfrutar seu
período de quarentena para avaliar oportunidades tanto no setor público, como
no setor privado.
O sucessor
Henrique Meirelles também já começou a organizar a sucessão dentro do Banco
Central. O futuro presidente será o atual diretor de Normas, Alexandre Tombini,
que é doutor em economia e funcionário de carreira do BC.
Será um diretor eminentemente técnico, que tentará atingir
o centro da meta de inflação de 2010, fixada em 4,5%. Na próxima semana, os
dois participam juntos da reunião do Comitê de Política Monetária que definirá
a taxa de juros básica da economia.
Diferentemente das outras, ela terá três dias – e não
apenas dois. Começa na segunda-feira 15 e termina na quarta-feira 17. Ainda não
há, no BC, um consenso sobre a necessidade de se elevar ou não a taxa de juros.
Os dados de inflação ainda são contraditórios e não apontam uma tendência clara.