Durante
o evento de apresentação do Plano Nacional de Logística e Transporte (PNLT),
com destaque para Mato Grosso do Sul, realizado hoje (9), no Centro de
Convenções e Exposições Albano Franco, na Capital, o secretário de Estado de
Obras Públicas e de Transportes, Edson Giroto, que também é presidente do
Conselho Nacional dos Secretários de Transportes (Consetrans), explanou sobre o
futuro cenário do setor para o Estado, uma vez que PNLT remete ao futuro
desenvolvimento econômico do País a médio e longo prazo para o setor.
O evento contou com a presença do governador André
Puccinelli; do secretário de Política Nacional de Transportes, Marcelo
Perrupato; do presidente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do
Sul), Sergio Longen, dentre outras autoridades.
Giroto explicou que, como presidente do Conselho Nacional
de Secretários de Transportes (Consetrans), vem desenvolvendo ações em âmbito
nacional para o desenvolvimento do setor de transportes em todo o Brasil:
“Ferrovias, hidrovias e rodovias, portos e aeroportos estão sendo planejados
para até o ano de 2025. Atualmente investe-se 0,5% do PIB do País nesse setor,
nossa meta é passar a 1%. A China investe 6%, o que é muito mais. E com a atual
competitividade dos mercados internacionais, não podemos ficar para trás”.
O secretário destacou o empenho da atual gestão do governo
do Estado, através do Plano Estadual de Logística e Transporte, em garantir
conexões rodoviárias e ferroviárias entre municípios sul-mato-grossenses
localizados em divisas com São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Goiás e em
fronteiras com a Bolívia e o Paraguai, visando o escoamento de produção
agropecuária, industrial e mineral, via rota bioceânica, além do fomento ao
turismo no Estado.
O principal objetivo é criar ligações entre os modais
rodoviário, ferroviário, hidroviário e aeroportuário que garantam um custo mais
baixo de transporte entre os municípios limítrofes, como Porto Murtinho, Ponta
Porã, Mundo Novo, Brasilândia (via Panorama-SP), Aparecida do Taboado, Chapadão
do Sul, Sonora e Campo Grande (este último tendo como grande projeto o terminal
intermodal e sua ligação com o aeroporto de cargas).
“Quando chegamos à atual gestão, o governador pediu para
que nós, da Secretaria de Estado de Obras Públicas e de Transportes (Seop) e da
Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), em parceria com a
Secretaria de Estado do Meio Ambiente, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia
(Semac), com os respectivos técnicos e apoio do governo federal, da iniciativa
privada e da comunidade científica (universidades), planejássemos o Estado para
o futuro com um plano de logística muito bem fundamentado a médio e longo
prazo.
Como todos nós sabemos, Mato Grosso do Sul é um grande
produtor de commodities, então, se não tivermos um plano que contemple todos os
modais, nunca seremos um Estado de ponta e ficaremos fadados à mesmice. Então
começamos os trabalhos e demos início ao Plano Estadual de Logística e
Transporte, pois o Estado não pode ficar alheio ao desenvolvimento do País”.
Equilíbrio entre os modais
Giroto destacou o desequilíbrio existente no setor de
transportes tanto no País, como no Estado, revelando que, em uma escala
aproximada, 80% da produção estadual é transportada pelo modal rodoviário,
9% por ferrovias e 10% por hidrovias. Com o PNLT, a meta para 2025 é
transformar esses dados para 33% da produção estadual transportados por
rodovias, 32% por ferrovias, 29% por hidrovias, 5% por dutos e 1% via aérea,
reduzindo o custo de fretes e gerando lucros ao produtor e, consequentemente,
ao Estado. Por exemplo, se o frete de produção de Maracaju ao porto de
Paranaguá fosse feito em ferrovias em sua totalidade, a economia seria de 38%.
“Então, o Estado sofre com a atual situação e perde de ser
competitivo. Não podemos olhar apenas pelos Estados que têm portos, mas olhar
pelos países e Estados vizinhos, e esta é uma percepção que o Ministério dos
Transportes também tem. Queremos que o plano dos modais torne-se equilibrado
até 2025, com o rodoviário, com o ferroviário e o hidroviário.
O secretário apresentou as obras em andamento e projetos
em vias de execução que são iniciativa do governo estadual, mas ressaltou a
necessidade de que alguns dos projetos sejam contemplados com o PNLT, como as
hidrovias Paraguai e Paraná-Tietê, as ligações rodoviárias e ferroviárias com
os outros Estados e países.
Outro grande projeto que necessita de apoio para aliviar o
tráfego da BR-163 é o asfaltamento da BR-419, que sai de Rio Verde de MT, na
região Norte, e vai a Aquidauana, possibilitando acesso tanto para o Paraguai,
via Porto Murtinho, para futura integração com os portos do Chile; quanto para
o Paraná, via Maracaju, Dourados e Mundo Novo. Também neste modal, está a
pavimentação da MS-040, que é uma prioridade do governo, e vai ligar Campo
Grande a Brasilândia, sendo uma nova alternativa de acesso ao interior de São
Paulo.
Quanto ao modal ferroviário, Giroto lembrou que a ferrovia
entre a Capital e Corumbá deve respeitar o meio ambiente: “É bitola estreita”.
Mas a implantação de uma nova ferrovia entre Porto Murtinho e Maracaju, de
bitola larga, vai otimizar a exportação. “Pedimos também aos técnicos do
ministério para incluir a duplicação da BR-163”, disse. “Essa mudança de matriz do País
passa por esses novos rumos. É a evolução do Estado e do País, que passa pelo
processo participativo”, finalizou.
Processo participativo
Na próxima quinta-feira acontece a apresentação do plano
em Florianópolis-SC, para os Estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
Paraná, fechando o processo participativo do PNLT.
O PNLT é um processo transparente e participativo, que
conta com governos estaduais, suas áreas de planejamento e de transportes,
setores produtivos – agricultura, indústria, comércio, turismo – operadores de
transportes, construtores e usuários, visando projetos prioritários e
estruturantes.
O PNLT serviu de embasamento para a formulação do Plano
Plurianual (PPA) 2008-2011, das primeiras indicações de investimentos para o
PPA 2012-2015 e dos ensaios de organização dos PPAs seguintes até 2023, quando
se atinge o horizonte dos estudos socioeconômicos elaborados para este plano.