O
estande principal da Renault no Salão de Genebra tinha o protótipo Wind e o
conversível Mégane Coupé-Cabriolet, baseado na atual geração do médio na
Europa.
Mas as atenções se voltaram para o estande secundário, da divisão
romena Dacia. Era lá que estava o próximo projeto mundial do grupo, o SUV leve
Duster, que deve ser montado em cinco continentes inclusive no Brasil, em
2011, na fábrica da Renault de São José dos Pinhais (PR), de onde será vendido
para o país e para a América Latina.
O
estilo é simples e inspira robustez mais pelo visual "caixinha" do
que por outros atributos. Fisicamente, são 4,31 m de comprimento, 1,82 m de largura, 210 mm de vão livre, ângulos
de 30º para ataque e de 36º para saída, e versões com tração apenas na
dianteira (com 1.160 kg)
ou 4x4 (pesando 1.250 kg).
Por dentro, o principal atrativo é a posição elevada de direção estar
disponível para um veículo derivado do Logan (na Europa, existem outros três
modelos na família, além do hatch Sandero).
Aliás,
é normal pensar que se está no Logan ou no Sandero quando se entra na cabine do
Duster. E essa impressão só é atenuada quando se observam o câmbio de seis
marchas, novo na família, ou o botão circular para seleção do modo de tração
(para a versão 4x4). De resto, é tudo muito igual. Na Europa, onde será
distribuído ainda este mês a partir da Romênia, serão três as opções de motor,
com dois blocos a diesel e uma variante a gasolina, um 1.6 16V capaz de gerar
111 cv de potência e cerca de 15 kgfm de torque.
O nome Duster, se traduzido do inglês, pode significar espanador ou guarda-pó,
definições inusitadas quando relacionadas a um automóvel. No campo das
interpretações livres, pode-se dizer que o objetivo do Duster é levantar a
poeira do segmento. Segundo Carsten Krapf, diretor da gama de modelos de
entrada da Renault, explicou a UOL
Carros, o Duster foi definido como um SUV para quem ainda não tinha
acesso a um 4x4, por considerá-lo caro no momento da compra ou da manutenção.
Ou para quem não quer investir em um modelo mais avançado, mas quer usufruir o
status de estar em um carro maior. E qual seria, hoje, a melhor tradução disso
para o consumidor do Brasil? A pergunta mal acabou de ser formulada e Krapf
cravou em seu inglês com sotaque carregado: "Icouspórt".
Não há dúvidas, portanto, de
que o modelo tentará bater de frente com o líder do segmento no Brasil, Ford
EcoSport, recentemente remodelado à imagem dos requintados Land Rover.
"Claro, teremos de fazer modificações necessárias para o mercado
brasileiro, mas queremos ocupar o espaço entre o segmento dos 4x4 mais
sofisticados e dos 4x2 onde o EcoSport e o Hyundai Tucson são as únicas ofertas",
afirmou Krapf.
Na Europa, o Duster começará em 11.900 euros (11.000 na Romênia) para a versão
com tração dianteira e 13.900 euros para o 4x4. Algo entre R$ 29 mil e R$ 36
mil. Um jornalista romeno, que acompanhava a conversa da reportagem com o executivo
da Renault, perguntou o preço do EcoSport no Brasil e se assustou ao saber que
seria algo equivalente a 20 mil euros para a versão mais básica. Tomara que a
surpresa seja grande (mas positiva) quando o preço do Duster "made in
Brazil", com o losango da Renault no lugar do escudo da Dacia, for
revelado.