Tirar
uma soneca durante o dia – e sonhar, mesmo que por apenas 10 minutos – pode
melhorar o desempenho no trabalho ou na escola.
A
idéia parece difícil de ser incorporada nas empresas e colégios, mas é o que
aponta uma pesquisa divulgada pela revista Cell Press, feita por médicos da
Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Para
analisar o comportamento do cérebro durante a sesta, os pesquisadores colocaram
voluntários em frente a um computador tridimensional e propuseram uma espécie
de jogo. Cada participante deveria percorrer um labirinto que continha uma
árvore no centro. O objetivo era ultrapassar os desafios e chegar até a planta.
Os participantes que tinham permissão para dormir durante o dia, entre uma
atividade e outra, conseguiram alcançar a árvore em um tempo menor que os
demais.
Em
alguns casos, os participantes relataram que sonharam com a música do jogo de
computador. Outros recordaram de pessoas dentro do teste, mesmo sabendo que não
existia nada além da árvore. Um dos participantes ainda relatou que durante o
cochilo, teve a sensação de estar dentro de uma caverna repleta de morcegos,
buscando a saída.
“Acreditamos
que esses sonhos provam que o cérebro continua trabalhando no jogo em
diferentes níveis e formas. O sonho mostra que o cérebro atua no mesmo problema
buscando associações para a memória que poderão ser usadas no futuro”, disse
Robert Stickgold, um dos pesquisadores da faculdade de medicina de Harvard.
Em
outras palavras, o inconsciente trabalha relembrando formas de resolver o problema
do jogo. Segundo os pesquisadores, os sonhos são essencialmente um efeito do
processo de memorização do ser humano.
Stickgold ainda afirma que há muitas formas de tirar proveito desse fenômeno e
aperfeiçoar a capacidade de memorização. Na opinião do pesquisador, o ideal é
intercalar alguns minutos de sono com longos períodos de estudo. Dessa forma, o
cérebro continuará trabalhando no desafio, estimulando a habilidade para
resolvê-lo. “Pessoas que cochilaram após uma longa tarde de estudo, sonharam com
algo que precisavam lembrar”, afirma o médico.
Os
pesquisadores crêem que o estudo chama a atenção para uma questão outrora
incompreendida pela ciência. “Por que sonhamos? Qual a função do sonho?”
Segundo
Stickgold, o sonho tem o poder de auxiliar na capacidade de memorização. Mas é
preciso que, ao acordar, as pessoas consigam relatar o sonho. “Muitos vêem o
sonho como um entretenimento. Mas os estudos sugerem que ele é um subproduto do
processo de memorização. Sobre a necessidade de lembrar-se do sonho para
conseguir aproveitar os benefícios para a memória o pesquisador questiona:
"Creio que não seja necessário, até porque, muitas pessoas só conseguem
relatar 10 ou 15 por cento do que sonharam”.