Pressionado, cardeal chileno escreve carta sobre pedofilia aos padres
Ansa/PCS
O
cardeal e arcebispo de Santiago, Francisco Javier Errázuriz, vai enviar neste
fim de semana uma carta a todos os párocos chilenos sobre os casos de pedofilia
que atingem o país. A carta foi anunciada nesta sexta-feira, após uma reunião
com o presidente chileno, Sebastián Piñera.
Um
dos episódios que deverá ser discutido é o caso do influente sacerdote Fernando
Karadima Fariña, investigado por autoridades judiciais e eclesiásticas após
denúncias de abusos sexuais.
A
investigação começou a partir da denúncia de um ex-colaborador da paróquia, o
médico James Hamilton Sánchez, atualmente com 44 anos, e aparentemente se
refere aos fatos ocorridos há duas décadas.
Errázuriz
fez o anúncio depois da reunião com Piñera. Também esteve presente no encontro,
que tinha como objetivo analisar os efeitos do terremoto de 27 de fevereiro, o
presidente da Conferência Episcopal do Chile, Dom Alejandro Goic.
"Vou
escrever uma carta aos párocos e, portanto, às comunidades cristãs", disse
o cardeal, ao sair do Palácio de La
Moneda.
Errázuriz
afirmou ainda que houve uma mudança do promotor do caso de Fariña, que agora é
analisado pelo sacerdote Fermín Donoso. Isso deve atrasar o processo.
De
acordo com a revista "Qué Pasa", as vítimas entregaram antecedentes
das acusações ao arcebispado em 2004 e um inquérito foi aberto em 2006. Sem
respostas da Igreja, elas decidiram levar o caso aos tribunais.
"Quando
sentíamos culpa e pensávamos em falar sobre o que ocorreu, ele [Karadima] nos
dizia que seríamos os mais prejudicados, porque ninguém acreditaria em nós:
vivíamos em um meio em que sua imagem era inatingível", disse uma das
vítimas à publicação.
Farinã,
atualmente com 80 anos, deixou de ser pároco de El Bosque em setembro de 2006.
Segundo o advogado que defende o religioso, Juan Pablo Bulnes, ele se diz
inocente.