Os deputados governistas e oposicionistas do Parlamentos da Ucrânia trocaram socos nesta terça-feira em uma briga generalizada logo após a aprovação de um acordo com a Rússia para prolongar por 25 anos a permanência da Frota russa no mar Negro no porto ucraniano de Sevastopol.
Vários opositores lançaram ovos contra o presidente da Rada (Câmara), Vladimir Litvin, que se protegeu com um guarda-chuva, segundo agências locais.
Ao menos três bombas de fumaça foram lançadas em direção à mesa da Presidência da Rada e da tribuna reservada para os membros do Gabinete de Ministros, onde ao início da sessão já tinham sido registrados conflitos.
A sessão da Rada Suprema começou às 10h (4h no horário de Brasília), e aconteceu simultaneamente à da Duma do Estado (Câmara dos Deputados da Rússia) em Moscou, que transcorreu com absoluta normalidade.
A ratificação do acordo exigia ao menos 226 dos 450 legisladores do Parlamento unicameral ucraniano e passou com pouco mais, 236 votos. Como já era esperado, a Duma também ratificou o acordo.
Antes de realizar sua votação, a Duma recebeu com aplausos o anúncio da ratificação por parte do Parlamento ucraniano.
Acordo
O acordo, assinado no último dia 21 pelos presidentes da Ucrânia, Viktor Yanukovich, e Rússia, Dmitri Medvedev, garante a permanência da base naval russa em território ucraniano até 2042, com opção de prorrogação por outros cinco anos.
A assinatura do acordo valeu para a Ucrânia um desconto de 30% na compra do gás natural russo, que as autoridades ucranianas avaliaram em aproximadamente US$ 40 bilhões.
A oposição ucraniana tinha convocado um boicote ao acordo sobre a base naval, assinado na cidade ucraniana de Jarkov pelos presidentes dos dois países, por considerá-lo inconstitucional e atentatório contra a soberania do país.
"Estou convencido de que agora a sociedade e as forças políticas devem ter consciência de que é preciso defender a Ucrânia", disse a ex-primeira-ministra e líder da oposição, Yulia Timoshenko, após a assinatura.
A Frota russa do mar Negro inclui cerca de 50 navios de guerra --encouraçados, fragatas, submarinos e navios varredores-- e quase uma centena de aviões. A base de Sevastopol hospeda ainda 18.500 soldados, entre militares e técnicos, além de seus familiares.
Nuclear
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, propôs nesta terça-feira ao presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, unificar a indústria nuclear civil dos dois países. "Seria uma cooperação total entre nossas indústrias nucleares", disse Putin, que visita a Ucrânia.
"Propomos a criação de uma holding que agrupe as centrais nucleares, a fabricação de máquinas para a indústria nuclear e o ciclo do combustível nuclear", acrescentou Putin.
O primeiro-ministro afirmou ainda que a primeira etapa desta "pode ser a de unir os ciclos de combustível nuclear".
Yanukovich respondeu que a proposta russa era "interessante".
Assessores tentam proteger o presidente do Parlamento dos ovos lançados por deputados revoltados